Moça lendo ao cair da tarde
Meir Pichhadze (Georgia-Israel, 1955-2010)
óleo sobre tela, 90 x 60 cm
“Um dia você será velho suficiente para começar a ler contos de fadas de novo.”
C. S. Lewis (1898-1963)
Moça lendo ao cair da tarde
Meir Pichhadze (Georgia-Israel, 1955-2010)
óleo sobre tela, 90 x 60 cm
C. S. Lewis (1898-1963)
Largo de Nazareth, atualmente Praça Santuário
Joseph Léon Righini (Itália-Brasil,1820-1884)
Litografia aquarelada
Coroação de Ricardo III da Inglaterra
Iluminura anônima, manuscrito do século XIII
Governou o país de 1216 a 1272
Uma de minhas distrações é ler sobre a Idade Média. Hábito reforçado, quando meu marido e eu tivemos a oportunidade de passar uma temporada na França, na Gasconha. Naquela estadia, sem televisão, a leitura foi nossa principal diversão nas noites de final de verão-outono-inicio de inverno. Nesta época li duas biografias de Leonor de Aquitânia. Além de cair de amores por ela, minha curiosidade sobre a intrincada história das relações França-Inglaterra-França, da história do Rei Artur à Invasão Normanda em 1066 até o século XVIII, todo esse puxa-empurra entre Inglaterra e França, aos poucos trouxeram nomes que foram se tornando personagens familiares e por causa disso, esses reis, ingleses e franceses são parte do meu descanso.
Com a queda da temperatura ontem, aqui no Rio de Janeiro, a leitura foi a distração óbvia. Voltei minha atenção para o livro The Two Eleanors of Henry III: The Lives of Eleanor of Provence and Eleanor de Montfort, [As Duas Leonors de Henrique III: A vida de Leonor da Provença e Leonor de Montfort] do historiador Darren Baker, [Pen & Sword History: 2019] que conta a vida dessas duas cunhadas, a primeira, casada com Henrique III e a segunda, irmã dele, casada com Simon de Montford, duas figuras importantíssimas nos acontecimentos do século XIII na Inglaterra.
Já estou chegando à metade do livro. Mas o início, os primeiros parágrafos, é o que coloco aqui em tradução livre, que me levaram a pensar: “vale uma nota no blog”. Muitas vezes quando dou minhas aulas de história da arte, quando sempre falo dos reis e rainhas (eram eles que mantinham os artistas trabalhando, comendo e vivendo), meus alunos se surpreendem com o número de herdeiros das cortes que morriam antes mesmo de chegarem à idade madura. Aqui, a descrição que abre esse livro, surpreende. Hoje, muitos séculos mais tarde, às vezes esquecemos de como era difícil a vida mesmo daquelas senhoras ricas, membros das famílias mais nobres europeias do século XIII.
“Três rainhas na Inglaterra foram chamadas Leonor. A primeira e mais famosa foi Leonor de Aquitânia. Ela teve dois maridos, ambos reis, dez filhos e participou de uma cruzada. A terceira foi Leonor de Castela, que teve só um marido, mas dezesseis filhos e também foi a uma cruzada. Depois de sua morte foi imortalizada com cruzes erguidas em sua memória. Entre as duas estava Leonor da Provença. Ela teve só cinco filhos, não participou de cruzadas e seu marido não podia se comparar aos maridos das outras duas Leonors. Pior ainda, foi considerada culpada por parecer ser uma monarca fraca e incompetente.”
(tradução Ladyce West)
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Essas jovens, e eram muito jovens, se casavam assim que chegavam à puberdade, com homens que não conheciam, prometidas por seus familiares, para garantir terras, tratados de paz e de não invasão e ainda tinham que ficar de sobreaviso, porque havia intriga, perigo de envenenamento, traição e muita gente querendo suas terras, seus domínios, o dote que permitira o casamento. Eram levadas para longe da casa natal, em geral para nunca mais voltarem, nem mesmo a ver seus familiares mais próximos, longe de todos com quem cresceram, frequentemente colocadas em lados opostos a irmãos, a parentes que consideravam família. A responsabilidade dessas meninas era grande. Com elas estavam as regras de muitos tratados de paz, as pequenas decisões que mostram poder. Jogavam, junto com seus maridos, e às vezes até mesmo contra eles, mas sempre pela sobrevivência, um grande jogo de xadrez político. E mais frequente do que imaginamos, essas rainhas consortes não foram destacadas por sua coragem. Suas biografias esquecidas, não registradas, porque afinal eram apenas mulheres. Até dias recentes só as conhecemos por anotações superficiais, marginália ou notas de rodapé, uma ou outra carta, uma ou outra nota em um diário, observações de seus padres confessores ou textos em geral repletos de inverdades. Por isso tem sido tão interessante ver no final do século passado e no primeiro quarto do século XXI, o esforço de muitos historiadores para refazerem as vidas dessas mulheres importantes na própria geografia econômica europeia.
Este livro abre com o casamento de Henrique III, rei da Inglaterra, também conhecido como Henrique de Winchester, (1207-1272) que subiu ao trono, aos nove anos de idade, após o falecimento de seu pai. Aos vinte e sete anos, ele se casa com Leonor da Provença, de doze anos de idade, em 20 de janeiro de 1236, na Catedral de Canterbury. Foi um casamento feliz. Diferente de muitos nessas circunstâncias. Trouxe cinco filhos e garantiu a subida de seu filho Eduardo I, também chamado de Eduardo Pernas Longas, ao trono quando Henrique morreu. Os Plantagenets garantiam assim, ainda por mais dois séculos, sua permanência o poder.
Paisagem com casa
Walter Feder (Brasil, 1909-1957)
óleo sobre madeira, 25 x 33 cm
Casa de Fazenda e Estábulo na Baixada Santista
Robert Kiener (Suíça, 1866-1945)
óleo sobre tela, 80 X 120 cm
Casa de Casemiro de Abreu – Barra de São João,
Jordão de Oliveira (Brasil, 1900-1980)
óleo sobre madeira, 33 x 41 cm
Girassois
Jorge Mori (Brasil, 1932-2018)
óleo sobre tela, 55 x 46 cm
Natureza Morta, 1978.
Glênio Bianchetti (Brasil, 1928-2014
óleo s obre tela colado em madeira, 33 x 26 cm

Ontem foi dia de encontro memorável: nós quatro, escritoras cariocas, que nem sempre moramos no Rio de Janeiro, nos encontramos para um excelente bate-papo, muito esperado e inspirador que durou um pouco mais de quatro horas. Que venham mais.
Vicente de Carvalho
Olhos encantados, olhos cor do mar
Olhos pensativos que fazeis sonhar!
Que formosas cousas, quantas maravilhas
Em vos vendo sonho, em vos fitando vejo:
Cortes pitorescos de afastadas ilhas
Abanando no ar seus coqueirais em flor,
Solidões tranquilas feitas para o beijo,
Ninhos verdejantes feitos para o amor…
Olhos pensativos que falais de amor!
Vem caindo a noute, vai subindo a lua…
O horizonte, como para recebê-las,
De uma fímbria de ouro todo se debrua;
Afla a brisa, cheia de ternura ousada,
Esfrolando as ondas, provocando nelas
Bruscos arrepios de mulher beijada…
Olhos tentadores da mulher amada!
Uma vela branca, toda alvor, se afasta
Balançando na onda, palpitando ao vento;
Ei-la que mergulha pela noute vasta,
Pela vasta noute feita de luar;
Ei-la que mergulha pelo firmamento
Desdobrado ao longe nos confins do mar…
Olhos cismadores que fazeis cismar!
Branca vela errante, branca vela errante,
Como a noite é clara! como o céu é lindo!
Leva-me contigo pelo mar… Adiante!
Leva-me contigo até mais longe, a essa
Fímbria do horizonte onde te vais sumindo
E onde acaba o mar e de onde o céu começa…
Olhos abençoados, cheios de promessa!
Olhos pensativos que fazeis sonhar,
Olhos cor do mar!
(Poemas e canções, 1908)
Paisagem Floresta da Tijuca, Capela Mayrink, 1948
Angelo Cannone (Itália-Brasil, 1899 – 1992)
óleo sobre madeira, 33 X 39 cm