Velha interrogação, poesia de Da Costa e Silva

3 09 2025

De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos?, 1897

Paul Gauguin (França, 1848-1903)

óleo sobre tela, 139 x 375 cm

Museu de Belas Artes, Boston

Velha interrogação

Da Costa e Silva

 

 

Passa a vida? Continua…

Porque o tempo é que flutua,

como um rio de veludo,

sobre todos, sobre tudo…

À sua margem sonhamos:

de onde viemos? aonde vamos?

E o destino indiferente

vai impelindo a torrente…

Passa a vida? Continua…

Com o tempo quem passa é a gente.

Mas, vida, se nós passamos,

de onde viemos? aonde vamos?





Filhotes fofos!

3 09 2025

Quatro filhotinhos de Tigre-de-Sumatra, animais em extinção, nasceram no Zoológico de Wroclow, na Polônia.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

3 09 2025

Fruteira com frutos sobre a mesa

Luciano Maurício  (Brasil,1925-2004)

óleo sobre eucatex, 70 X 50 cm

 

 

Natureza morta, 1952

Carmélio Cruz (Brasil, 1924-2018)

óleo sobre madeira, 55 x 24 cm





O cavalo e o nabo, uma fábula

2 09 2025
Ilustração Phyllis Stapler

 

 

Luis XI, conhecido como “O Prudente“,  era o rei da França na época em que um camponês chamado Basile, tendo encontrado um nabo na forma de um pássaro, resolveu levá-lo à corte para presentear o rei com essa raiz tão fora do comum.  Corria à boca pequena que o monarca gostava de presentear os camponeses, trabalhadores do campo e servos quando esses lhe traziam presentes interessantes.  Vendo o nabo com forma de pássaro, o rei mandou cem centavos em moedas de prata ao feliz camponês. 

Um cavalheiro do mesmo reino, muito rico e avarento, soube da generosidade do rei e pensou: “Posso muito bem oferecer ao rei o mais belo cavalo de minha cavalaria. Já que ele deu cem centavos em moedas de prata por um nabo, uma raiz bem comum, que fortuna ele me dará em agradecimento a esse belo presente!”

Assim que pode se ausentar dos seus domínios, Eudes escolheu o cavalo de melhor porte e beleza, partindo em direção ao castelo do rei.  Lá chegando, pediu encarecidamente na corte que Luis XI aceitasse o belo presente.

Mas o rei era astuto, logo percebeu as intenções do cobiçoso cavalheiro, aceitou o presente dizendo: “Aceito seu cavalo, e como gostaria de recompensá-lo por vossa generosidade, e retribuo, sua generosidade dando-lhe algo que me custou o dobro do valor de seu ginete.” Nesse momento, um dos cavaleiros da corte, ao comando de Luis XI, traz para o cavalheiro Eudes, o nabo em forma de pássaro. Constrangido, o avarento retorna à sua senhoria com o presente de que havia ouvido falar anteriormente e sem o seu cavalo, 

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Essa historinha é livremente adaptada da fábula francesa A raiz [La rave] de Claude Augé, em domínio público. Tradução e adaptação de Ladyce West





Nossas cidades: Florianópolis

2 09 2025

Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito no centro de Florianópolis, SC

Martinho de Haro (Brasil, 1907 – 1985)

óleo sobre eucatex, 61 x 47 cm





Uma orquestra na fazenda, texto de Luiz Antonio de Assis Brasil

1 09 2025

Orquestra

Mariinha Santos (Brasil, ativa nas décadas de 1970-80)

aquarela, 48 x 68 cm

 

 

O Major convidara os estancieiros mais próximos, e assim a capela encheu-se de cadeiras, e foi preciso que as crianças ficassem pelo chão, junto com os cachorros. O Maestro ostentava a casaca nova, e, ao entrar pelo corredor central, com as músicas debaixo do braço, caminhando para sua orquestra como para oficiar uma missa, todos se compenetraram: jamais haviam visto algo semelhante. Os notáveis que, de fato, ainda abominavam o Maestro, agora intrigavam-se com aquela dignidade. – “Ele deu vida a esta capela” – disse o Major ao Vigário, que concordou com um movimento de cabeça e pôs o indicador frente aos lábios: o Maestro, já de costas para os convidados, esperava que cessassem as tossidelas e os murmúrios; depois, ergueu as mãos num gesto elegante e decidido, e os instrumentistas perfilaram-se nas pontas das cadeiras. Ficou assim, imóvel, por um momento; depois, muito lentamente, acariciando o ar, baixou os braços – e as rabecas deram início a um andante cantabile mal audível, lascivo, complicado por appogiaturas que se enredavam nas notas. Na plateia, ninguém se animava a um só movimento. A melodia cresceu, ganhou inesperada rapidez, e logo um festivo allegro retumbava pela capela, num estrépito de tambores e cornetas. O Maestro luzia de suor, transfigurando-se pelo fogo de seus movimentos, que varriam o espaço acima das cabeças; seu colarinho saía para fora da gola, e surgiram os punhos da camisa. E a música foi-se desdobrando em ondas, ganhando matizes delicados, para logo ressurgir com mais força, avançando ao limite do suportável. Em poucos minutos atingiu um paroxismo sonoro que fazia vibrarem os vidros das janelas. Quando os ouvintes já se entreolhavam em desespero, tudo acabou num triunfante e ensurdecedor acorde de toda a orquestra. No silêncio imediato, seguiu-se o grito do Major: – “A la fresca!”. A audição continuou, agora com obras ligeiras, onde se percebia sua anterior destinação à banda. Aí sim, os ouvintes sentiram-se mais à vontade, e os homens autorizavam-se a marcar os compassos, batendo com os pés na laje do piso. O Maestro pretendeu agradar os brios gaúchos e atacou o hino da República Rio-Grandense, o que fez com que os convidados, ao comando do Major, se levantassem para ouvir a música do Mendanha.

 

Em: Concerto Campestre, Luiz Antonio de Assis Brasil, L&PM: 1997, Porto Alegre





Imagem de leitura: Henry van de Velde

1 09 2025

Père Biart lendo no jardim, 1891

Henry van de Velde (Bélgica, 1863–1957)

óleo sobre papel pardo, colado em tela, 63 x 52 cm

Newfields, Indianápolis