Girassóis em vaso azul
Raquel Taraborelli (Brasil, 1957)
óleo sobre tela, 100 x 100 cm
Girassóis em vaso azul
Raquel Taraborelli (Brasil, 1957)
óleo sobre tela, 100 x 100 cm

Olavo Bilac
Ano-Bom. De madrugada,
Bebê desperta, e, assustada,
Avista um vulto na cama.
Que será? Que medo! E, tonta,
Eis que Bebê se amedronta,
Chora, grita, chama, chama…
Mas, quando se abre a cortina,
Quando o quarto se ilumina,
Bebê, de pasmo ferida
Vê que o medo não é justo:
Pois a causa de seu susto
É uma boneca vestida.
Que linda! é gorda e corada,
Tem cabeleira dourada
E olhos cor do firmamento…
Põe-na no colo a criança,
E de olhá-la não se cansa,
Beijando-a a todo o momento.
Nisto a mamãe aparece.
Como Bebê lhe agradece,
Com beijos, risos e abraços!
— Porém, logo, de repente,
Diz à mamãe, tristemente,
Prendendo-a muito nos braços:
“Mamãe! como sou ingrata!
“Com tantos mimos me trata,
“Tão boa, tão dedicada!
“Dá-me vestidos e fitas,
“Dá-me bonecas bonitas,
“E eu, mamãe, não lhe dou nada!…
“Tolinha! (a mãe diz, num beijo)
“As festas que eu mais desejo,
“Ó minha filha, são estas:
“A tua meiga bondade
“E a tua felicidade…
“Não quero melhores festas!”
Em: Poesias infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1949, pp 98-100
Natureza morta com marinha ao fundo, 1951
José Pancetti (Brasil, 1902 -1958)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Interior com jovem lendo uma carta, 1661
Gabriel Metsu (Holanda, 1629-1667)
óleo sobre madeira
The Leiden Collection
O filósofo Baruch Espinosa (1632-1677), relata Disraeli [Curiosities of Literature, 1881], depois de trabalhar por algumas horas em seus estudos, esforçava-se por descansar. Juntava-se à família nas conversas mais mundanas e triviais ou, em outras ocasiões, tinha o hábito de colocar duas aranhas para brigar entre si e, ao observar a luta, com grande interesse, frequentemente era acometido por altas risadas e gargalhadas incontroláveis.

Marcel Sembat lendo, até 1925
Georgette Agutte (França, 1897-1922)
óleo sobre tela
Museu de Grenoble
“Sentado no banco do jardim, Amaro lê seus poetas.
As folhas da árvore que lhe dá sombra desenham arabescos móveis nas páginas do livro.
O jardim é uma festa. Passa no ar uma borboleta amarela, como uma folha de papel de seda levada pelo vento. Um besouro zumbe em torno dum canteiro. Uma rosa se despetala lentamente e as pétalas rolam para o chão. Há, pelos canteiros, verdes de todos os matizes. As glicínias perfumam o ar. Por entre a relva se arrastam insetos minúsculos de asas coloridas.
Amaro fecha o livro e olha o jardim. …”
Em: Clarissa, Érico Veríssimo, São Paulo, Companhia de Bolso, Companhia das Letras; 2015, p. 97.

EDITORA AUTOGRAFIA
https://www.autografia.com.br/produto/a-meia-voz-2/
Três meninos
Ellen Emmet Rand (EUA, 1875-1941)
óleo sobre tela







