Avenida Itororó, [atual 23 de maio], 1938
Hajime Higaki (Brasil, 1908-1998)
óleo sobre tela, 46 x 38 cm
Avenida Itororó, [atual 23 de maio], 1938
Hajime Higaki (Brasil, 1908-1998)
óleo sobre tela, 46 x 38 cm
Menina
Marie Nivouliés de Pierrefort (França-Brasil, 1879 – 1968)
óleo sobre tela colada em madeira, 92 x 72 cm
Dentre os livros que abordam a perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial há uma pequena parte dedicada a memórias dos sobreviventes. Cerejas de maio, de Judy Botler, é um deles. Trata-se da biografia de sua mãe, Ellen, cuja peregrinação por diversos lugares que a abrigaram durante a guerra era desconhecida da autora até recentemente. O que faz este livro mais alegre do que muitos é que acaba bem, acaba muito bem com a menina Ellen no Rio de Janeiro, rodeada por parentes próximos, tias e avó e, portanto, com a oportunidade de crescer acolhida dentro dos seus, mesmo tendo perdido pais e um irmão no processo.

Passando por diferentes cidades na fuga, na adoção e em abrigos Ellen, membro da família Grünebaum, que se dispersa durante a guerra, encontra refúgio sob identidade falsa na Bélgica, até que, por insistência de seus parentes, principalmente da avó, que havia imigrado para o Brasil, a menina é encontrada e trazida para o seio familiar. Mas a história não se limita à menina. Aprendemos também como outros membros da família se desdobram para permanecer vivos, sobreviverem e imigrarem. É uma janela sobre um período desastroso que traz luz a muito do dia a dia daqueles em fuga. Convivendo com perigo, disfarçada por falsa identidade e troca de religião, Ellen é uma verdadeira heroína. Do modo como sua aventura está relatada neste livro, tudo parece pronto para um documentário ou até mesmo um filme em que peripécias perigosas levam a um final feliz.
Judy Botler
Fartamente documentada a história da pequena Ellen é repleta de charme. Contada por ela e em algumas notas por sua filha, a médica endocrinologista, carioca Judy Botler neste livro torna-se uma narrativa que não deveria ser ignorada por documentaristas de cinema ou até mesmo diretores à procura de um bom enredo. Definitivamente um livro encantador que, apesar de tratar dos grandes traumas e das vicissitudes cotidianas do período da Segunda Guerra Mundial, ele nos dá também esperança. Esperança de dias melhores.
Recomendo não só aos que se dedicam à memória daqueles desaparecidos no Holocausto, como aos que gostariam de saber como, por quem e por quais heróis é formada a população brasileira.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.
Ilustração de Willy Aractingi (1930-)
Olavo Bilac
Um camundongo humilde e pobre
Foi um dia cair nas garras de um leão.
E esse animal possante e nobre
Não o matou por compaixão.
Ora, tempos depois, passeando descuidoso,
Numa armadilha o leão caiu:
Urrou de raiva e dor, estorceu-se furioso…
Com todo seu vigor as cordas não partiu.
Então, o mesmo fraco e pequenino rato
Chegou: viu a aflição do robusto animal,
E, não querendo ser ingrato,
Tanto as cordas roeu, que as partiu afinal…
Vede bem: um favor, feito aos que estão sofrendo,
Pode sempre trazer em paga outro favor.
E o mais forte de nós, do orgulho se esquecendo,
Deve os fracos tratar com caridade e amor.
Em: Poesias infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1949, pp 132-3
Moça jogando paciência, 1909
Frank W. Benson (EUA, 1862- 1953)
óleo sobre tela
Flores
Lucília Fraga (Brasil, 1895 – 1979)
óleo sobre eucatex, 43 x 33 cm
Ladeira em Santa Tereza
José Marques Campão (Brasil, 1892- 1949)
óleo sobre tela
Beija-flor, 1994
Inimá de Paula (Brasil, 1918- 1999)
pastel, 68 x 87 cm
“Não acredito que haja qualquer cidade no Brasil que interesse tanto o estrangeiro como a Bahia. É a capital espiritual do país, sendo a residência do arcebispo. As igrejas, os conventos e outros edifícios públicos, são de grandes proporções, porém apresentam aspecto provinciano. O povo é alegre e sociável, e, nas minhas extensas viagens por todo o Império, não encontrei em lugar nenhum uma sociedade igual a da Bahia. Na casa do cônsul americano, Sr. Gillmer, está-se sempre seguro de encontrar brasileiros dos mais refinados e bem educados.
……….
A residência do Sr. Gillmer está situada em um agradável ponto da cidade, onde a vegetação e as flores são abundantes. Cada noite as brisas carregam os mais suaves perfumes, e a cada manhã o sol parece revelar novas belezas nos botões que se abrem em lindas flores. Da mesma forma a casa do Sr. Nobre era circundada pela sombra de árvores frutíferas, e seu grande salão semanalmente se enchia de músicos amadores e profissionais, que davam os mais encantadores saraus musicais.
Muito cedo de manhã, olhei da janela da casa do cônsul e vi sobre os ramos de uma árvore de fruta-pão embaixo de mim, um beija-flor quietamente em seu delicado ninho. No meio da folhagem parecia um fragmento de lápis-lázuli circundado de esmeraldas, pois o seu dorso é do mais carregado azul. Em qualquer parte do Brasil vê-se abundantemente essa pequena joia alígera, em suas muitas variedades, ao passo que na América do Norte, desde o México até o 57º de latitude, dizem haver apenas uma espécie de beija-flor. O Sr. Gosse chama, a espécie, de rabo-longo, a joia da ornitologia americana; e bem merece o título se considerarmos os raios de rico verde-dourado, púrpura-escuro, azulado-escuro brilhante, e o magnífico verde-esmeralda, que irradiam dessa joia dotada de asas.
Os machos figuram entre as criaturas mais beligerantes — raramente encontrados sem estar em terríveis combates.”
Em: As Ladeiras e as igrejas (Na Bahia de Todos os Santo, 1855), texto de James C. Fletcher, incluído no livro Coqueirais e chapadões: Sergipe e Bahia, seleção, introdução e notas de Ernani Silva Bruno, Organização de Diaulas Riedel, São Paulo, Cultrix: 1959, pp. 107-8.
NOTA: James Cooley Fletcher missionário, presbiteriano, norte-americano que, em missão evangélica, viveu no Brasil, percorrendo várias de suas províncias entre os anos de 1851 e 1865.
Frutas, 1979
Gustavo Rosa (Brasil, 1946 – 2013)
óleo sobre tela, 40 x 50 cm
Vannei, 1884
Franz von Defregger (Áustria, 1835 – 1921)
óleo sobre madeira, 41 x 30 cm
Doca das Frutas, c.1880
[Hoje a área ocupada pela Praça Pereira Parobé]
Athayde d’Avila (Brasil, ? – ?)
Acervo do Museu Júlio de Castilhos