
Ilha de Paquetá
Arnaldo Barbieri (Brasil, 1913-2000)
óleo sobre eucatex, 25 x 30 cm
Torre da Estação da Luz, 2014
Carlos Eduardo Zornoff (Brasil, 1959)
óleo sobre tela, 100 x 70 cm
Parque da aclimação, 1948
Arnaldo Ferrari (Brasil, 1906-1974)
óleo sobre tela, 30 x 43 cm.
Paisagem Urbana: Av. Paulista
Antonio Augusto Marx ( Brasil, 1919)
óleo sobre tela, 50 x 70 cm
São Paulo Panorama da Vila Conceição, 2011
Série Pluridimensioni
Alessandro Felisberto (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 130 x 202 cm
Viaduto do Chá
Gregório Gruber (Brasil, 1951)
óleo sobre tela, 155 x 200 cm
Teatro Municipal, 2002
Marcos Zechetto (Brasil, 1949)
óleo sobre tela, 40 x 50 cm
Parque do Ibirapuera
Omar Pellegatta (Brasil,, 1925-2001)
Óleo sobre tela 50 x 70 cm
Centro de São Paulo, 2001
Sergio Telles (Brasil, 1936)
acrílica sobre tela, 46 x 38 cm
Vista de São Paulo, 2014
Yugo Mabe (Brasil, 1955)
acrílica sobre tela, 86 x 102 cm
São Paulo
Vicente Mecozzi (Itália/Brasil, 1909-1964)
óleo sobre tela, 27 x 35 cm
O sonho, 1910
Henri Rousseau, “Le Douanier” (França, 1844-1910)
óleo sobre tela, 204 x 298 cm
MOMA, Nova York
Não gosto de literatura criada com objetivo político, com a intenção de instruir, ensinar, ilustrar um problema. Literatura didática, com viés político ou social, destrói a potencialidade de execução de uma boa ideia. Este é o caso de Um velho que lia romances de amor, do chileno Luís Sepúlveda, com tradução para o português de Josely Vianna Baptista. Uma ideia tão boa! Uma apelo tão interessante, descoberto pelo próprio autor que diz; “ … e pôs-se a andar no rumo de El Idilio, de sua cabana e de seus romances que falavam do amor com palavras tão belas que às vezes o faziam esquecer a barbárie humana.” [94] No entanto, gostar de ler romances de amor para Antônio Bolívar, personagem principal desta novela situada na Amazônia equatoriana, é simplesmente um acidente de percurso, como poderia ser contar escamas de peixes ou fazer colares de sementes vermelhas. É chamariz, um elemento decorativo na narrativa, secundário e não explorado. Luis Sepúlveda tinha uma ideia interessante nas mãos, muito boa mesmo, mas preferiu a dogmática posição político-social de defesa do meio ambiente, sacrificando no desenrolar da história a significância do mundo de devaneios e fuga que, pela leitura, podiam encapsular Antônio Bolívar, protegendo-o da rusticidade do mundo que habitava.

Fora a restrição acima, essa pequena obra se respalda em excelentes descrições da selva amazônica. Luís Sepúlveda consegue desde o início dar a sensação do calor opressivo, a umidade asfixiante, da muralha verde insuperável da jângal, da brutalidade necessária para a sobrevivência no matagal distante. Alguns de seus personagens são um tanto caricaturais, como o coronel que insiste em adentrar a floresta de botas, ou até mesmo o dentista com suas diversas dentaduras prêt-à-porter. Também achei a referência aos “bandidos” americanos, uma visão simplória do explorador, com viés político muito usado, que empobrece a causa defendida. Em contrapartida, as descrições do povo shuar, indígenas que vivem na floresta amazônica entre o Peru e o Equador são magníficas.
Luís Sepúlveda
Esta é uma obra descomplicada, formulada com uma única ideia em mente: o abuso da exploração sem trégua da Amazônia. Tem a intenção de um romance de aventuras muito aquém de um clássico como H. R. Haggard de As Minas do Rei Salomão. Ganha muito com os conhecimentos passados pelo convívio do autor com os índios shuar, durante sua estadia no Equador. Como literatura é um trabalho trivial, com linguagem simples, enredo e narrativas sucintos. Um velho que lia romances de amor se beneficiou bastante pelo momento em que foi lançado 1989, mesma época do assassinato do brasileiro Chico Mendes, seringueiro e ambientalista, amigo pessoal do autor, a quem o livro, nesta edição é dedicado. É uma obra usada frequentemente nas escolas em alerta às questões ambientais. No Brasil, foi publicado pela Ática, editora responsável por muitas obras paradidáticas. Não me impressionou.
Observação sobre esta edição: Capa de Ettore Bottini. Em lugar nenhum deste livro se menciona que a capa tem a diagramação de Bottini, mas a obra retratada é um detalhe do quadro O sonho, do pintor francês Henri Rousseau (1844-1910). Só porque já está em domínio publico não alivia a responsabilidade da editora de identificar a obra principalmente quando o livro é fartamente usado nas escolas do país.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
Natureza Morta
Angelo Simeone ( Itália/Brasil, 1899 – 1974)
óleo sobre tela colada em placa, 48 x 62 cm
Vista do Cais do Porto Tomada do Morro da Penha, Niterói, 1981
Roberto Paragó (Brasil, 1941-1996).
óleo sobre tela, 46 X 61 cm
Autorretrato, c. 1871
Amanda Sidvall (Suécia, 1844 – 1992)
[Amanda Carolina Vilhelmina Sidwall]
óleo sobre tela
Museu Nacional, Estocolmo
Ilustração Margaret Evans Price
Do espelho da tua sala,
procura o exemplo seguir:
ele reflete e não fala,
tu falas sem refletir…
(Carlos Guimarães)
“
O carteiro Joseph Roulin, 1888
Vincent van Gogh (Holanda, 1853–1890)
óleo sobre tela, 81x 65
Museu de Belas Artes de Boston
A vida peculiar de um carteiro solitário, de Denis Thériault, traduzido por Daniela P. B. Dias, é um livro difícil de definir. Prosa e verso se misturam e formam um todo potente. O enredo trata de um homem solitário, carteiro, com personalidade limítrofe ao autismo que, para seu próprio divertimento, abre sistematicamente cartas que leva para casa, cartas vindas ou endereçadas a pessoas na sua rota. Sua curiosidade inicial é a fascinação pela caligrafia que vê nos envelopes, arte a qual se dedica. Durante a execução destes pequenos crimes, levando as cartas para casa, abrindo-as com vapor, lendo-as e colocando-as de volta na rota original, apaixona-se simultaneamente por uma mulher que não conhece e pela poesia japonesa.
Com encanto, este pequeno romance trouxe-me memórias vívidas de duas obras: uma do cinema e outra da literatura. Lembrei-me da comédia australiana Malcolm (1986), dirigido por Nadia Tessa e estrelado por Colin Friels, que trata de um homem com características de autismo cuja paixão por carros de controle remoto o leva a cometer um crime: as habilidades de Malcolm são usadas por uma quadrilha para assaltar um banco. Aqui também a personalidade limítrofe de Bilodo, um homem tão solitário e recluso quanto Malcolm, o leva a se envolver em crime, ainda que de sua própria vontade. Outra lembrança foi da peça de teatro Cyrano de Bergerac, de Edmond de Rostand, que será muito provavelmente conhecida de Denis Thériault, canadense da província de Quebec, cuja língua materna é francês. Nesse clássico da literatura francesa, obra trágica, um poeta declama os versos de outro que se esconde da amada, por não se achar à altura da bela moça. O versos são de sua autoria, mas quem os declama, a voz e a aparência são de outro homem. Há uma quase simetria com o que acontece com carteiro Bilodo, que toma o lugar do poeta Gaston Grandpre e escreve haicais em seu nome para conquistar Ségolène, na distante Guadalupe, no Caribe.

Em um livro tão pequeno é de surpreender as reviravoltas caracterizando uma linha narrativa complexa, que além da história de amor, explana claramente sobre poesia japonesa, do haicai ao enso, forma circular da poesia nipônica. Thériault passa alguns conhecimentos da filosofia zen, explora o uso do kimono mágico e ainda produz para deleite do leitor uma coletânea de belos haicais. Para minha surpresa, que sempre considerei haicai poesia quase enigmática, evanescente, um punhado dos haicais apresentados no texto vêm repletos de forte sensualidade, claras imagens eróticas, que fazem paralelo interessante às conhecidas xilogravuras policromadas, Ukiyo-e, retratando o mundo flutuante pelos tradicionais mestres japoneses.
Denis Thériault
Com o uso de imagens surpreendentes, poucos e inesquecíveis personagens, esta história está localizada entre o mundo do sonho e a realidade. Traz um pouco de assombro ao leitor, do início ao fim. A trama, muito bem desenvolvida, ressalta a solidão de Bilodo, cujo único amigo é Bill, o peixe de aquário, seu animal de estimação. A solidão forma cada um de seus pensamentos e ações. Este é um homem que vive através da vida dos outros, no canto seguro de seu pequeno, previsível e metódico mundo. Há uma tênue conexão que o segura, que o mantém no dia a dia, agindo no mundo que conhecemos. Ela é ancorada nas suas obsessões, na tenacidade e precisão com que enfrenta o que há de novo no mundo. Bilodo é um homem que aprecia detalhes e encontra beleza não só no gesto de uma caligrafia bem feita mas nas regras precisas da poesia japonesa. É a rigidez desses conceitos que o seguram no cotidiano. E ele se esforça para superar suas limitações, reconhece a dificuldade de trazer aos seus pequenos poemas a mágica da poesia, mas quando o consegue, encontra finalmente seu destino cármico. Este livro é quase um poema-prosa, que se desdobra em múltiplos significados e ângulos cada vez que o examinamos. Um prazer de leitura.
NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.
Lendo:
Homo Deus: uma breve história do amanhã
Yuval Noah Harari
Cia das Letras: 2016, 448 páginas
SINOPSE
Neste “Homo Deus”: uma breve história do amanhã, Yuval Noah Harari, autor do estrondoso best-seller Sapiens: uma breve história da humanidade, volta a combinar ciência, história e filosofia, desta vez para entender quem somos e descobrir para onde vamos. Sempre com um olhar no passado e nas nossas origens, Harari investiga o futuro da humanidade em busca de uma resposta tão difícil quanto essencial: depois de séculos de guerras, fome e pobreza, qual será nosso destino na Terra? A partir de uma visão absolutamente original de nossa história, ele combina pesquisas de ponta e os mais recentes avanços científicos à sua conhecida capacidade de observar o passado de uma maneira inteiramente nova. Assim, descobrir os próximos passos da evolução humana será também redescobrir quem fomos e quais caminhos tomamos para chegar até aqui.