Cadê? poesia de Wilson W. Rodrigues

13 07 2016

 

 

cadê o pessoalZé Carioca procura por seus amigos, ilustração de Walt Disney.

 

 

Cadê?

 

Wilson W. Rodrigues

 

 

Cadê o pé de cantiga

que quando criança cantei?

Nem minha gente se lembra

e nem na saudade achei.

 

Que sabe o verso perdido?

Por que ninguém o guardou?

Onde leva a nossa vida

que o verso bom não levou?

 

Quem me recorda sua rima?

Quem minha lembrança traz,

para cantar a cantiga

de que não me lembro mais?

 

Nem me responde a alegria

Nem a tristeza responde.

Cadê o pé de cantiga

onde vou encontrá-lo? Onde?

 

 

Em: Bahia Flor: poemas, Rio de Janeiro, Editora Publicitan: 1949.p. 19.

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Quadrinha infantil para o bem viver

12 07 2016

Cascão acorda feliz, ilustração Maurício de Sousa.

 

Para viver muitos anos,

Somente existe um segredo:

Comer bem, às horas certas,

Deitar e levantar cedo.

 

(Walter Nieble de Freitas)

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Do silêncio, texto de José Eduardo Agualusa

12 07 2016

 

329px-Lucien_Lévy-Dhurmer_-_Le_Silence_-_Google_Art_ProjectO silêncio, 1895

Lucien Lévy-Dhurmer (França, 1865-1953)

Pastel, 59 x 29 cm

Musée d’Orsay

 

 

 

“O Silêncio.

Não, os silêncios.

Poderia escrever um breve ensaio sobre o silêncio. Ou antes, um catálogo de silêncios para a boa ilustração dos surdos.

1 – O silêncio que precede as emboscadas;

2 – O silêncio no instante do pênalti;

3 – O silêncio de uma marcha fúnebre;

4 – O silêncio de girassóis;

5 – O silêncio de Deus depois dos massacres;

6 – O silêncio de uma baleia agonizando na praia;

7 – O silêncio das manhãs de domingo numa pequena aldeia do interior do Alentejo;

8 – O silêncio da picareta que matou Trotsky;

9 – O silêncio da noiva antes do sim.

Etc.

Há silêncios plácidos e outros convulsos. Silêncios alegres e outros dramáticos. Há aqueles que cheiram a incenso, e os que tresandam a estrume. Há os que sabem intensamente a goiabas maduras; os que se guardam no bolso interior do casaco, juntamente à fotografia do filho morto; os que andam nus pelas ruas; os silêncios arrogantes e os que pedem esmola.”

 

 

Em: As mulheres do meu pai, de José Eduardo Agualusa, Rio de Janeiro, Língua Geral: 2012, p.82-3.





Imagem de leitura — Jacques Chapiro

11 07 2016

 

 

Jacques Chapiro (Belarusian, 1887-1972),femme lisant,Mulher lendo

Jacques Chapiro (Belarússia, 1887-1972)

óleo sobre tela





Nossas cidades: Paraty

11 07 2016

 

OLYMPUS DIGITAL CAMERAPrimavera em Paraty, 2006

Baptista Gariglio (Brasil, 1961)

óleo sobre tela, 50 x 65 cm

www.gariglio.com.br





Palavras para lembrar — Stendhal

10 07 2016

 

 

Isaac Grünewald (Suécia, 1889 - 1946) LendoLendo

Isaac Grünewald (Suécia, 1889 – 1946)

óleo sobre tela

 

 

“Um romance é como um arco, a caixa do violino que lhe dá os sons é a alma do leitor.”

 

 

Stendhal

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Domingo, um passeio no campo!

10 07 2016

 

 

FRANCISCO CEA (1908-) - Paisagem Rural comCarroça, óleo sobre tela, med. 50 x 70cm, assinado.Paisagem rural com carroça

Francisco Cea (Brasil, 1908–?)

óleo sobre tela, 50x 70 cm





Os retratos de Fatita de Matos, texto de José Eduardo Agualusa

9 07 2016

 

Pintura de Di Cavalcanti menina lendo, ost, 1970Menina lendo, 1970

Di Cavalcanti (Brasil, 1897-1976)

óleo sobre teça

 

 

Fatita de Matos, a amante infeliz

 

Na ampla sala de visitas de Fatita de Matos, Mana Fatita, como é mais conhecida, na Restinga do Lobito há cinco retratos a  óleo, com um metro por 1,5 metro. Em todos eles Fatita de Matos está sentada no mesmo cadeirão de verga, quase em idêntica posição, com um livro no regaço. A primeira tela foi pintada em 1946. Fatita tem vinte anos, ainda é virgem, e está a ler Amor de perdição, de Camilo Castelo Branco. Na segunda tem trinta anos, quatro filhos ilegítimos, e está a ler Amor de perdição. Na terceira tem quarenta anos, veste de preto pela morte do filho mais novo, e está a ler Amor de perdição.  Na quarta tela tem cinquenta anos, sete netos, e continua a ler Amor de perdição. Finalmente na quinta tela, tem sessenta anos, 12 netos, três bisnetos, e está a ler Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Márquez. Todas as telas são de sua autoria.

 

Em: As mulheres do meu pai, de José Eduardo Agualusa, Rio de Janeiro, Língua Geral: 2012, p.71

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Flores para um sábado perfeito!

9 07 2016

 

 

CASSIANO P. SOUZA NETO - Flores, ost, 60x80cmFlores

Cassiano P. Souza Neto (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm





Imagem de leitura — Andrei Belichenko

8 07 2016

 

 

Andrei-Belichenko (Casaquistãao, 1974)-05Jovem na paisagem

Andrei Belichenko (Rússia, 1974)

óleo sobre tela, 100 x 65 cm