Dario Mecatti (Itália/Brasil, 1909-1976)
óleo sobre tela, 46 x 38 cm
Largo do Machado, década de 1960
Rubens F. Bustamante Sá (Brasil, 1907-1988)
óleo sobre tela, 54 x 73 cm
Nathan Walsh (GB, 1972)
óleo sobre tela, 60 x 103 cm
Coleção Particular
“Minha natureza é essencialmente urbana e, embora Los Angeles seja indubitavelmente uma cidade, de algum modo seus costumes não são. Talvez seja o clima que confira um eterno ar suburbano e provinciano: as cidades precisam de extremos de climas, de forma que você almeje fugir delas. Acho que eu poderia morar em Chicago — gosto quando viajo para lá. Além disso, tem de haver algo brutal e descuidado sobre a verdadeira cidade — o habitante precisa se sentir vulnerável — e não se encontra isso em Los Angeles, ou pelo menos, não vi nada disso no curto espaço de tempo que passei no lugar. Sinto-me muito à vontade aqui, muito aninhado. Essas não são experiências da verdadeira cidade: sua natureza entra por baixo da porta e pelas janelas — não dá para se ver livre. E o sujeito genuinamente urbano é sempre curioso — curioso sobre a vida nas ruas. Isso definitivamente não se aplica ao caso de Los Angeles: o cara mora em Bel Air e não se pergunta o que está acontecendo em Pacific Palisades — ou se ele está perdendo alguma coisa.”
Em: As aventuras de um coração humano, William Boyd, Rio de Janeiro, Rocco: 2008, tradução de Antônio E. de Moura Filho, p. 373
Mulher sentada no jardim, 1926
Rudolf Tewes (Alemanha, 1878-1964)
óleo sobre placa de madeira, 49 x 64 cm
Ângelo Morbelli (Itália, 1853-1919)
óleo sobre tela
Francisco Tribuzi
Eu faço versos como quem
conserta sapatos
não como quem comanda uma empresa.
São tão simples os meus atos
como simples é a natureza.
Eu faço versos com pureza
não vou além da surpresa
que me inspiram os relatos
mas vou além do que sinto
eu faço versos não minto
e fazer versos é amar.
(Tempoema/inédito,s.d.)
Em: A Poesia Maranhense no Século XX, organização e ed. Assis Brasil, Rio de Janeiro, Sioge/Imago: 1994, p. 319.
Espigas de milho e vasilhas 1990
Florêncio [José Carlos dos Santos] (Brasil, 1947)
óleo sobre tela, 60 x 80 cm
Galienni (França)
óleo sobre tela, 60 x 60 cm
Fred Coelho
Moça com passarinho, de Jocelyne Pache, 1969.
Não mais te quero esperar,
Que esperar é sofrimento…
Vou, desde já, começar
A esperar o esquecimento!…
(Maria Thereza de Andrade Cunha)
Anthony Stewart (EUA, contemporâneo)
“Era como no tempo em que estudava holandês, com a diferença de que o maldito Kapellekensbaan lhe tomara três semanas para ler e Giant Steps apenas trinta e sete minutos e três segundos para ser escutado. Os livros haviam dominado a primeira metade da década de 90 em sua vida, lia como um maníaco, até tarde da noite, em pontos de ônibus e salas de espera, nas noites de insônia: passando de um título ao seguinte, dissecando as obras, cinco anos para reparar o humilhante fiasco em Utrecht…”
Em: Bonita Avenue, Peter Buwalda, Rio de Janeiro, Objetiva [Alfaguara], 2016, tradução Cássio de Arantes Leite, p. 27
NOTAS:
Kapellekensbaan [A estrada da capela] é um livro de Louis Paul Boon, publicado em 1953, que foi um acontecimento literário de peso, por causa de suas diversas linhas narrativas. Um clássico da literatura holandesa.
Giant Steps é um álbum de jazz de 1960, de John Coltrane e Kenny Barrel.