Márcio Schiaz (Brasil, 1965)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Um brinde ao nosso 13º aniversário!
Ontem, o grupo de leitura Papalivros completou seu 13º aniversário. São 13 anos de leituras, uma por mês. Sem nenhuma falta. 156 livros lidos. Somos 20. Hoje só mulheres, mas já tivemos homens nos encontros. Eles saem, acho que não aguentam o falatório…. Ainda estão conosco membros do início do grupo. É um prazer conversar sobre o que lemos e forjar amizades. A página do grupo aqui no blog mostra a lista de todos os livros lidos até hoje. O grupo se sente orgulhoso e com razão de se manter por tantos anos. Obrigada a todas as participantes: Albertina, Ana Maria, Camille, Chaia, Beth, Fabiana, Frassinete, Gilda, Gisela, Inez, Ladyce, Léa, Luba, Lucia, Lucinha, Magali, Maria Eugenia, Melissa, Monica e Rosi. O sucesso é do conjunto, é do grupo. Vamos em frente, grande festa programada para os 15 anos!
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela, 46 x 55 cm
Museu van Gogh, Amsterdã
Marialzira Perestrello
I
Já te conhecia tanto, poeta danado!
Num mundo de demônios
Só Théo era teu anjo.
Visitando esses quadros,
caminho em tua vida.
1887, 1888, Boulevard de Clichy,
essa paisagem, esse bosque tranquilo,
essa sombra, essa luz,
tu, impressionista calmo, aceito.
Onde teu mundo caótico?
Depois,
árvores ameaçadas,
céus em fogo em Saint Remy-Provence.
Nesse auto-retrato
braço e paleta unidos, fundidos.
Ah! Vincent!
pintavas com tua própria alma.
Em: Mãos dadas, Marialzira Perestrello, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1989, p. 15
Mary lendo jornal na sala de jantar, 1986
Thomas Ryan, RHA (Irlanda, 1929)
óleo sobre placa, 64 x 53 cm
Gustave-Jean Jacquet (França, 1846 -1909)
Martins Fontes (1884-1927) poema: O espírito da matéria
Retrato do pintor Benno Becker, 1892
Lovis Corinth (Alemanha, 1858-1925)
óleo sobre tela, 87 x 92 cm
Von der Heydt-Museum, Wuppertal, Alemanha
Mihail Aleksandrov (Rússia/EUA, 1949)
óleo sobre tela, 55 x 65 cm
“Senti uma espécie de aflição tão intensa e pura, que achei que fosse morrer. Uivei feito um bebê com meu cachorro nos braços. Então coloquei-o em uma caixa de vinho, e o levei para o jardim onde o enterrei debaixo de uma cerejeira.
Ele é só um cachorro velho, digo para mim mesmo, e viveu uma vida de cachorro plena e feliz. Mas o que me deixa indescritivelmente triste, é que, sem ele, fico sem amor na vida. Pode parecer estúpido, mas eu o amei e sei que ele me amou. Isso significou que houve um fluxo descomplicado de amor recíproco na minha vida e acho difícil admitir que terminou. Olhe só para mim, murmurando, mas é verdade, é verdade. E, ao mesmo tempo, sei que uma parte da minha tristeza é apenas autopiedade disfarçada. Precisei daquela troca e estou preocupado por não saber como viverei sem ela nem se conseguirei arranjar um substituto — quem dera fosse tão fácil quanto comprar um novo cachorro. Sinto muita pena de mim mesmo — é isso que é aflição.”
Em: As aventuras de um coração humano, William Boyd, Rio de Janeiro, Rocco: 2008, tradução de Antônio E. de Moura Filho, p. 503-4.