Natalia Andreeva (Rússia, contemporânea)
Edy Gomes Carollo (Brasil, 1921-2000)
óleo sobre tela, 73 x 60 cm
“A casa era uma dessas belas construções do fim do século passado, com jarrões na cimalha, florões, monograma, cinco janelaços de fachada, com gradis prateados onde dragões simétricos ficavam frente a frente, ladeando o ornamento central; jardim de gramado liso, duas palmeiras imperiais e a fonte de pedra que escorria seu fio de prata sobre limos e peixes vermelhos; portão com pilastras de granito; o clássico caramanchão de cimento imitando bambu e o colmo de palha e todo trançado de trepadeiras. O prédio de D. Adelaide era de porão habitável (cujo pé-direito era mais alto que os dos apartamentos de hoje) e de andar superior luxuoso, cheio de ornatos esculpidos nos tetos, vidraças biseautées, vastos salões, lustres com pingentes de cristal; um sem-número de quartos; portas almofadadas com maçanetas lapidadas; pias, bidês e latrinas de louça ramalhetada; vastas banheiras de mármore onde a água chegava pelo bico aberto de dois cisnes de pescoço encurvado e feitos de metal amarelo sempre reluzentes do sapólio. Bela casa, na segunda etapa de sua existência. Porque a primeira e inaugural era sempre a residência de grande do Império ou figurão da República. A segunda, pensão familiar. A terceira, casa de cômodos. Depois cabeça-de-porco — substituída pelos arranha-céus de hoje. Lá está o atual, com os apartamentos que encimam a Casa Cabanas e a Papelaria Dery. Mesmo número: 252.”
Em: Balão Cativo:memórias/2, Pedro Nava, Rio de Janeiro, José Olympio: 1973, p. 188.
Moça à noite, ilustração de F. Cayley Robinson.
Nos dedos eu conto as horas,
não sei contar diferente,
mas, hoje, sei que demoras
bem mais do que antigamente.
(Amália Max)
Giuseppe Arcimboldo (Milão, 1523-1593)
Bico de pena com aguada azul, 23 x 15 cm
Národni Galerie, Praga
Ilustração de José Luís Merino.
Roseana Murray
Fabrico uma caixa mágica
para guardar o que não cabe
em nenhum lugar:
a minha sombra
em dias de muito sol,
o amarelo que sobra
do girassol,
um suspiro de beija-flor,
invisíveis lágrimas de amor.
Fabrico a caixa com vento,
palavras e desequilíbrio,
e para fechá-la
com tudo o que leva dentro,
basta uma gota de tempo.
O que é que você quer
esconder na minha caixa?
Em: Fábrica de poesia, Roseana Murray, São Paulo, Scipione: 2008
Chrysina aurigans [esquerda] e Chrysina limbata [direita].
Estes besouros, Chrysina aurigans e Chrysina limbata são naturais da América Central, e muitas vezes conhecidos como besouros metálicos da Costa Rica. Eles parecem ser metálicos. Mas seus corpos são feitos do mesmo material chitin — que compõe as baratas e os lagostins. Esses besouros brilham porque suas asas da frente possuem camadas nanoestuturais que distorcem a luz de tal maneira a produzir um efeito metálico. Eles habitam desde o sul dos Estados Unidos até o Equador.