O velho tempo, ilustração de Edmond Dulac, 1906
O tempo
Olavo Bilac
Sou o Tempo que passa, que passa,
Sem princípio, sem fim, sem medida!
Vou levando a Ventura e a Desgraça,
Vou levando as vaidades da Vida!
A correr, de segundo em segundo,
Vou formando os minutos que correm…
Formo as horas que passam no mundo,
Formo os anos que nascem e morrem.
Ninguém pode evitar os meus danos…
Vou correndo sereno e constante.
Desse modo, de cem em cem anos,
Formo um século e passo adiante.
Trabalhai, porque a vida é pequena
E não há para o Tempo demoras!
Não gasteis os minutos sem pena!
Não façais pouco caso das horas!
Em: Criança Brasileira, Theobaldo Miranda Santos, 3º livro de leitura, especial para o Estado de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Agir: 1952, p. 91





Que coisa linda (quase tão boa quanto as flores para um sábado perfeito)
É interessante ver que as escolhas de poesias para crianças de outras gerações tinham muito mais conteúdo do que as poesias para crianças de hoje. O mesmo acontece com as ilustrações. No passado elas eram mais complexas, mais ricas em detalhes, menos “midiáticas”… [daí a nossa boa educação…rs..]. 😉
Flores e tempo… afeito ao que é fugaz… 😉
Bonito e simples como o tempo que passa!
Lenah, acho que perdemos muito a noção de tempo. Uma das coisas de que mais sinto falta da vida americana é o ritual das estações do ano, porque mesmo que você tenha uma vida caótica a natureza se incumbe de lembrar a você que o tempo é inexorável no rigor de sua passagem.
Amo Olavo Bilac…assim. Linda!