Mauro Bandeira de Mello (Brasil, 1960)
acrílica sobre tela, 55 x 46 cm
Retrato de Anna Goeneutte com boina, 1889
Norbert Goeneutte (França, 1854-1894)
óleo sobre tela, 55 x 28 cm
Coleção Particular
Francis Bacon
Frasco com lados planos. China, Província Jiangxi, Jingdezhen, Dinastia Ming (1368– 1644), início do século XV. Porcelana com pigmento de óxido de cobalto sob esmalte transparente, 33.3 x 19.5 x 13.3cm. Kimbell Art Museum, Fort Worth, Tx.
Johannes Vermeer (Holanda, 1632-1675)
óleo sobre tela, 120 x 100 cm
Kunsthistorisches Museum, Viena
Trecho de entrevista do jornal O GLOBO com Camille Paglia.
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O GLOBO — Nós estamos em meio a eleições presidenciais no Brasil, e o tema da cultura está praticamente fora dos debates entre candidatos. Por que você acha que os governos ainda encaram a cultura como alegoria?
Camille Paglia — Os políticos habitam o mundo concreto, pragmático, e já não se espera que sejam analistas culturais. A educação é o veículo da cultura, e é por isso que é o lugar onde a sociedade deve investir fortemente. Infelizmente, nesse clima econômico instável, o apoio financeiro para a educação e as artes está diminuindo, fazendo parecer que a arte é uma frivolidade, quando há desemprego e as pessoas vivem em favelas miseráveis. Além disso, há 35 anos na área de humanas há uma epidemia venenosa das teorias pós-modernas e pós-estruturalistas, que reduz a arte à política e nega seus sentimentos fundamentais. Como culpar os políticos por sua negligência, quando os guardiões das ciências humanas se comportam com tal irresponsabilidade e niilismo?
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O GLOBO — A pintura perdeu a primazia e a autoridade, como você afirma. Por que a pintura deve ter essa responsabilidade? Por que não outra linguagem artística?
Camille Paglia — Uma das principais invenções no mundo das artes foi o surgimento das pinturas portáteis e emolduradas durante o Renascimento. Antes disso, os pintores faziam suas grandes declarações em gesso fresco, nas paredes, onde a pintura estava estritamente ligada à arquitetura, ou em têmpera de ovo sobre madeira. Ambos secavam rapidamente, portanto os pintores tinham que trabalhar rapidamente, e usavam formas simples e poucas cores. A chegada da pintura a óleo, aperfeiçoada pela primeira vez na Holanda, permitiu que os artistas trabalhassem mais lentamente. Além disso, as misturas de tintas produziam finas gradações de cor, permitindo que o artista captasse sutilezas de luz, sombra e cor da pele. A pintura a óleo foi revolucionária e inspirou artistas a expressar e refinar suas personalidades, seus pensamentos e suas emoções. O declínio da pintura diante da abundância de novas mídias digitais, enfraqueceu seriamente esse prestígio. Centenas de grandes obras foram produzidas durante o reinado da pintura a óleo, ao longo de 500 anos. Mas onde estão as obras-primas de hoje?
O GLOBO — É mais importante o artista estar conectado à tradição ou ao seu próprio tempo?
Camille Paglia — Certos artistas parecem eclodir de seu momento histórico, simbolizando-o, como Lord Byron. Outros como El Greco e Emily Dickinson, são ignorados por seus contemporâneos e redescobertos pelas gerações seguintes. Todos os grandes artistas transcendem seus espaço e tempo. Em termos de tradição, artistas criam sua própria identidade em uma outra dinastia: eles podem rejeitar a geração que os formou e conectar-se com o mestres mortos há muito tempo. Se um artista deseja fama e prêmios instantâneos, ele fala para seu próprio tempo. Mas os maiores artistas saem do passado e falam para o futuro.
Para a entrevista completa: O GLOBO
Edward Blair Leighton (Inglaterra, 1852-1922)
óleo sobre tela, 131 x 118 cm
Coleção Particular
Natureza morta com frutos do mar, 1964
Carlos Bastos (Brasil, 1925-2004)
óleo sobre tela, 65 x 100 cm
Cartão postal, Margret Boriss.
Guardada como fragrância,
a verdadeira amizade
não se perde na distância,
adormece na saudade.
(Ângela Togeiro)