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Por do sol no arroyo, 2004
Carrie Graber (EUA, contemporânea)
óleo sobre tela
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Por do sol no arroyo, 2004
Carrie Graber (EUA, contemporânea)
óleo sobre tela
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Maureen Hyde (EUA, contemporânea)
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Oswaldo Teixeira (Brasil, 1905-1974)
óleo sobre madeira, 55 x 43 cm
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Era magra, pequena, escura. Tinha a extrema humildade dos que vivem longos anos sob o céu destruidor, sem pensar ao menos em resistir à sorte, com a passividade inerte da folha que o vento rola pelos caminhos. Era assim mirrada e seca e sombria, como se tivesse perdido a seiva ao ardor dos estios, como se guardasse das noites sem estrelas o negrume cada vez mais denso.
Era louca, porque só tinha uma idéia, e a criatura humana pode não ter idéias, mas não pode ter uma só. A sua era o angustioso desassossego das maternidades malogradas. Perdera um filho e o procurava. Andava pelos caminhos para buscá-lo e só levantava a voz para chamá-lo, ansiosamente, carinhosamente: “Luciano! Meu filho!…” E escutava longo tempo por trás nas cercas, no aceiro dos matos, à entrada dos terreiros das fazendas, nos desertos e nos povoados, onde quer que a levasse a sua dolorosa esperança. Aquela figura miserável, toda feita num gesto indagador, com a mão abrigando os olhos, à espreita, ou levantando o xale que lhe encobria a cabeça de cabelos hirtos, para ouvir melhor a resposta ideal, aquela encarnação de um desejo sempre iludido enturvava o esplendor do mais radioso meio-dia.
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Em: Flor do Lácio,[antologia] Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva: 1964; 7ª edição. (Explicação de textos e Guia de Composição Literária para uso dos cursos normais e secundário), p. 99
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Hans Christian Anderson lendo para as crianças, 1862
Elisabeth Jerichau-Baumann (Polônia, 1819- Dinamarca, 1881)
óleo sobre tela
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Ernesto de Fiori (Itália, 1884 — Brasil, 1945)
óleo sobre tela
Pinacoteca do Estado de São Paulo
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Emilio Sala y Frances (Espanha, 1850-1910)
óleo sobre tela, 56 x 39 cm
Coleção Particular
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Ilustração de livro escolar britânico da década de 1950. Veja.
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Walter Nieble de Freitas
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Sapateiro, bate sola,
Bate sola, sem parar,
Faze já os sapatinhos
Para o “seu” doutor calçar.
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Bate sola, martelinho,
Vamos, pois, bem trabalhar:
São três horas e às quatro
“Seu” doutor vai-se casar.
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Bate sola, martelinho,
Bate sola sem cessar:
“Seu” doutor é a pessoa
Mais ilustre do lugar!
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Quando à noite “seu” doutor
Com a noiva for dançar:
— Que lindíssimos sapatos!
Toda gente vai falar.
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Em: Barquinhos de Papel: poesias infantis, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1961, pp. 45-46
NB: Agradeço ao blog Tú Lisa, yo Conda, a referência à ilustração usada nesta postagem.
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Cartão postal dos anos 20 do século XX [ajude aos pobres]–
Em certa gente, a bondade
não passa de fantasia:
na aparência — santidade;
mas, no fundo hipocrisia.
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(Carlos Cardoso)