Anedota sobre Napoleão na revista O Espelho de 1859

21 08 2013

DETALHE Paul Delaroche Napoleão Alpes, 1850, ost, Walker Art

DETALHE

Napoleão Bonaparte atravessando os Alpes, 1850

Hippolyte Paul Delaroche (França, 1797 – 1856)

Óleo sobre tela, 279 x 214cm

Walker Art Gallery, Liverpool

“Depois de uma íntima conversação com o imperador Napoleão I, uma célebre atriz pediu ao conquistador o seu retrato.

— Aqui tem, respondeu o imperador, tirando do bolso uma moeda”.

***

Em:  O Espelho: revista de literatura, modas, indústria e artes, n. 17,  25 de dezembro de 1859, p.11. da edição em facsímile, Rio de Janeiro, MEC:2008, p. 218.

delarochePaul Delaroche, Napoleão atravessando os Alpes, 1850




O mundo animal de Otto EErelman

20 08 2013

littlle indruders, otto eerelmanOs pequenos invasores

Otto Eerelman (Holanda, 1839-1926)

lápis e aquarela sobre papel,  35 x 54 cm

Christie’s Auction House

Como prometido na página deste blog no Facebook, passo a postar, vez por outra, telas de pintores famosos por retratar animais. Aqui temos alguns dos trabalhos de Otto EErelman pintor holandês do século XIX (1839-1926) que se dedicou não só à pintura de gênero, mas principalmente ao retrato de cachorros e cavalos.

st bernard puppiesOs filhotes de São Bernardo, 1914

Otto Eerelman (Holanda, 1839-1926)

óleo sobre tela, 89 x 121 cm

Christie’s Auction House

1419Cachorrinhos dengosos, s/d

Otto Eerelman (Holanda, 1839-1926)

aquarela e lápis, naquim, guache sobre papel,  51 x 73 cm

Christie’s Auction House

tending the horses at a courtyardTratando dos cavalos no pátio

Otto Eerelman (Holanda, 1839-1926)

aquarela, guache e giz negro sorbre papel, 34 x 50 cm

Christie’s Auction House

a collie and her puppiesUma collie e seus filhotes

Otto Eerelman (Holanda, 1839-1926)

óleo sobre tela, 90 x 131 cm

A Fascinating Encounter, by Otto EerelmanUm encontro fascinante

Otto Eerelman (Holanda 1839-1926)

óleo sobre tela, 90 x 130 cm

1850_Pug_NestofPuppyPugsbyOttoEerelmanNinho com jovens Mastiffs

Otto EErelman (Holanda 1839-1926)

Aquarela, 50 x 70 cm

 

574501_287179831376072_113238925436831_670377_1380274494_nPara a festa

Otto Eerelman (Holanda, 1839-1926)

Aquarela sobre papel, 40 x 58 cm

574806_287179941376061_113238925436831_670383_1421260173_nUm King Charles Spaniel com cordão azul

Otto Eerelman (Holanda 1839-1926)

óleo sobre tela, 32 x 25 cm

557571_287180721375983_113238925436831_670416_1309612440_nNa neve

Otto Eerelman (Holanda 1839-1926)

óleo sobre tela, 52 x 40 cm

485769_287179184709470_113238925436831_670341_845861580_nUm passeio na neve

Otto Eerelman (Holanda 1839-1926)

óleo sobre tela, 60 x 90 cm

398201_287179684709420_113238925436831_670368_1160806804_nUm São Bernardo e um Dogue Alemão, 1891

Otto Eerelman (Holanda 1839-1926)

óleo sobre tela, 130 x 170 cm

542887_287179661376089_113238925436831_670367_1123856607_nPreparando a carruagem

Otto Eerelman (Holanda 1839-1926)

Lápis, giz, aquarela e guache sobre papel,  35 x 51 cm

318183_287179728042749_113238925436831_670371_433352530_nIndo passear

Otto Eerelman (Holanda 1839-1926)

óleo sobre madeira, 29 x 18 cm





Imagem de leitura — Nikolai Petrovich Bogdanov-Belsky

19 08 2013

Nikolai Petrovich Bogdanov-Belsky (Russia 1868-Alemanha 1945) mulher lendo no jardim, 1915Mulher lendo no jardim, 1915

Nikolai Petrovich Bogdanov-Belsky (Rússia, 1868-1945)

óleo sobre tela

Nikolai Petrovich Bogdanov-Belsky nasceu em Smolensk Governorate em 1868. Estudou na Academia de Arte Semyon Rachinsky; aprendeu a pintar ícones na Troitse-Sergiyeva Lavra em 1883 e pintura moderna na Escola de Pintura Escultura e Arquitetura de Moscou de 1884 a 1889, indo depois aprimorar sua tecnica em São Petersburgo na Academia Imperial das Artes nos anos de 1894 e 1895. Na década de 1890 foi para a França onde estudou e ateliês particulares.  Especializou-se em pintura de gênero, concentrando-se no retrato de camponeses, retratos e na paisagem no estilo impressionista. Faleceu em Berlim em 1945.





Manhã, poesia de Domingos Pellegrini

19 08 2013

Casarios e  igreja, s/d

Durval Pereira ( Brasil, 1917-1984)

óleo sobre tela 50 x 65 cm

Manhã

Domingos Pellegrini

Os galos disputando a alvorada

o retorno dos pés para as sandálias

o espelho que me olha e sempre cala

a pia minha mais gentil criada

Fogão com seu milagre que não falha

armário com modéstia tão calada

perto da geladeira dedicada

a resmungar tanto quanto trabalha

O céu a me espiar pelas janelas

novidades florindo no jardim

formigas a cuidar da vida delas

Sangrando sol varrendo as amarguras

sem pesadelos nem sonhos enfim

cada manhã me pare e inaugura

Em: Gaiola aberta: 1964-2004, Domingos Pellegrini, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2005





Filhotes fofos — carneirinhos

18 08 2013

3399196473_c8f0faf751_zFoto Susan S. — Baalands, Flickr.




Curiosidade benigna transforma erro em benesse

18 08 2013

89761939Santuário da Misericórdia, em Borja, Espanha, foto: Rosaflor.

Esta é uma postagem de domingo preguiçoso.  Ou seja, um pouco diferente do normal.  Mas vem à razão da minha surpresa ao constatar através do jornal inglês The Independent, que a pequena cidade de Borja na Espanha, (4.300 habitantes), que se tornou conhecida mundo afora há mais ou menos um ano por causa de erros a uma restauração mal feita no afresco Ecce Homo, do pintor Elias Garcia Martinez (Espanha, 1858-1934), no Santuário da Misericórdia,  se encontra agora, pelo mesmo motivo, capaz de arrecadar uma grande quantia de dinheiro €50.000 (cinqüenta mil euros) que estão sendo usados em caridades locais.

EccoHomoFresco[Uma combinação de três documentos providenciados pelo Centro de Estudos Borjanos em 22 de agosto de 2012, mostra a versão original da pintura Ecce Homo (Esquerda) pelo pintor do século XIX Elias Garcia Martinez, a versão deteriorada (Centro) e a versão restaurada pela velha senhora na Espanha, AFP/Foto/Centro de Estudos Borjanos.]

A curiosidade sobre este “acidente” de restauração que há um ano tornou-se uma notícia viral, é hoje responsável pelos fundos arrecadados pelo Santuário. Cecília Gimenez, a octogenária encarregada da restauração, que já havia em anos passados dado umas pinceladas em outras pinturas necessitadas de cuidados, hoje consegue uma quantia substancial com a venda de camisetas e demais mementos turísticos com a imagem de “seu erro”. Os lucros dessas vendas são parcialmente dividos entre a restauradora e o governo do pequeno lugar, situado na província de Zaragoza.

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A desastrosa restauração tem trazido ao vilarejo gente do mundo inteiro movida pela curiosidade de presenciar o erro; talvez, de se confraternizar com a senhora que, com a melhor das intenções, tentou “consertar” uma obra que se desfazia. A reprodução em todo canto dessa imagem fala da nossa atração nata pelo horrendo, pelo grotesco.  Ela nos atrai da mesma forma que a mulher barbuda atraía, pelo preço de uma entrada, centenas de pessoas para debaixo da lona circense. Talvez haja conforto em vermos que, como nós, outros também erram. A diferença é que nossos erros geralmente não chegam à popularidade a que este chegou.

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As lembrancinhas para turistas que a cidade vende mostra que esses espanhóis souberam dar a volta por cima depois da queda.  Conseguiram ver o erro, aceitá-lo e ainda transformá-lo em benefício para a comunidade.  Muito mais do que a maioria de nós seria capaz de fazer.  Palmas para eles: eles merecem!

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Legenda: “Eu prefiro a restauração”.





Quadrinha da sabedoria

18 08 2013

pensando, Jonathan Greene, distant-thoughtsIlustração, “Pensamentos distantes”, Jonathan Green. www.jonathangreenstudios.com

Há tempo de flor… de espinho…
Tempo de ouvir… de falar…
Tempo de dar um tempinho…
Tempo.. de o tempo matar!

(Dirce Davenia Guayato)





São Paulo, texto de Luiz Marcondes Rocha

17 08 2013

Manoel Costa,Colheita de café,1984,ose, 55 x 46 cmColheita do café, 1984

Manoel Costa (Brasil, 1943)

óleo sobre eucatex, 55 x 46 cm

 São Paulo

Luiz Marcondes Rocha

A cidade de São Paulo continuava nesse período a crescer industrialmente. Houve, na segunda metade do mandato presidencial de Prudente de Morais, uma queda vertical do preço do café. SE em 1889 o preço médio de uma saca de 60 quilos era de quatro libras, caíra a uma libra e meia em 1897. A responsabilidade da crise era atribuída ao aumento da produção, pois que, de 1889 a 1897, passou de quatro para oito milhões de sacas numa produção mundial de doze milhões.

Essa crise, se embaraçou em parte o desenvolvimento industrial de São Paulo, não o paralisou de todo. É que já se consolidavam as condições iniciadas em 1886, com a estruturação, embora incipiente, de um comércio interno crescente ano a ano, proporcionando avanços sucessivos  do setor de indústrias, ainda que sem uma ordenada orientação. Entre essas condições, destacava-se o fato de ter o Estado se ter transformado no maior produtor de café do mundo, bem como o aumento progressivo da população, vegetativo e imigratório. Destaque-se ainda o trabalho assalariado e o nível, embora não muito elevado, mas bem superior ao negro escravo, do padrão de vida do italiano imigrante.

A mentalidade progressista aqui formada tinha a sua origem na ambição que vinha das Bandeiras, levando o bandeirante heróico aos riscos e tocaias dos sertões, à cata de índios para vendê-los e à busca do ouro imaginando e executando o comércio mais rendoso do que as circunstâncias lhe permitiam, sem  se atemorizar dos perigos das florestas traiçoeiras. A ambição do estrangeiro, que aqui aportava não trazendo nada, mas com grande disposição para o trabalho e encontrando um ambiente de igualdade e uma riqueza em pleno desenvolvimento, unia-se ao espírito do paulista, ajudando a apressar a grande marcha do maravilhoso desenvolvimento.

. . . . . . . . . . . . . . . . . .

O empreiteiro era em geral pessoa experimentada, com bons conhecimentos da lavoura e que se encarregava, mediante contrato, da derrubada de matas virgens e da plantação de novos cafezais.

Com o dinheiro economizado, oriundo das empreitadas, o empreiteiro adquiria terras e se incluía no rol dos pequenos proprietários, iniciando a sua própria fazenda.

Pagava-se em média, para formar um cafezal, quatrocentos réis  por pé, pertencendo ainda o fruto do quarto ano ao empreiteiro. Em pouco tempo se transformavam duzentos alqueires  de terra bruta em uma fazenda de 200 mil pés-de-café.

Em: Café e Polenta:romance histórico, Luiz Marcondes Rocha, São Paulo, Martins: 1964, pp.55-56

Luiz Marcondes Rocha (Brasil, ? -? ) advogado, formado pela Faculdade de Direito da Cidade de São Paulo em 1938. Escritor.

Obras:

Café e Polenta: romance histórico, 1964

A luta econômica do brasileiro, 1967

Maria Rica, s/d





Palavras para lembrar — Thomas Carlyle

17 08 2013

Nello Iovene, (Itália, 1935) O estudante, 1970,50 x 60O estudante, 1970

Nello Iovene (Itália, 1935)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm

“A melhor universidade é uma boa coleção de livros”.

Thomas Carlyle





Nas asas das horas, poesia de Olegário Mariano

16 08 2013

SwallowsWisteriaAndorinhas na glicínia, s/d

Virgínia Lloyd-Davies (EUA, contemporânea)

aquarela, 45 x 69 cm

www.joyfulbrush.com

Nas asas das horas

Olegário Mariano

As asas das horas passam ligeiras

Como andorinhas riscando o ar…

Ruídos de penas de aves viajeiras

Que as minhas penas vêm aumentar.

Porque no vôo do tempo a vida

Passa com as horas, de braços dados.

Quanta poesia mal compreendida!

Quantos amores mal compensados!

E as horas passam levando a vida

Como andorinhas nos céus nublados.

E os rios passam levando a vida…

Tudo que corre, tudo que voa,

O vento… as águas… E, na corrida,

Quanto castelo no ar se esboroa,

Quanta esperança desiludida!

E pelos ares, angustiado

Coro de vozes longe ressoa:

“Tempo maldito! Tempo apressado!

Ventos bravios! Águas correntes!

Não corram tanto! Vão devagar!…”

E as andorinhas indiferentes

Passam ligeiras, riscando o ar…

Em: Toda uma vida de poesia: poesias completas, volume II (1932-1955), Olegário Mariano, Rio de Janeiro, José Olympio: 1957, pp: 552-553