Filhotes fofos — girafinha Sandy Hope

13 05 2013

B6D9878637FFFDFF933715BCD22B_h450_w598_m2_q90_cPvYCZWvOFoto: Adrees Latif, Reuters.

A pequena girafa Sandy Hope aparece aqui ao lado de sua mamãe, no lugar onde mora: Jardim Zoológico de Greenwich, no estado de Connecticut, nos Estados Unidos.





Algumas questões sobre a arte a partir do DNA e Roberto Carlos

13 05 2013

M_Faraday_Lab_H_MooreMichael Faraday no seu laboratório, c. 1850

Harriet Moore (Inglaterra, 1801-1884)

aquarela

Chemical Heritage Foundation

Um fio de cabelo encontrado no banco de um taxi, o filtro de um cigarro deixado para trás no cinzeiro de entrada de um edifício comercial são suficientes para levar a artista plástica Heather Dewey-Hagborg a construir de volta um rosto possível de quem deixou vestígios de DNA em lugares públicos. Assim, se um dia você vir o seu retrato em uma galeria de arte, daqui ou de Nova York, um retrato para o qual você não posou; um retrato cuja existência desconhecia é porque parte do seu DNA restaurado depois que você o deixou para trás pode ter sido usado para reconstruir a sua imagem.  Hoje quem faz isso é a artista plástica Heather Dewey-Hegborg, como o artigo no site da National Public Radio menciona [ Litterbugs beware turning found DNA into portraits].

Confesso que mais de uma vez, enquanto no cabelereiro, pensei sobre aquelas mechas de cabelo que são rapidamente varridas do chão, como um rastro que deixamos para trás e que delata onde estivemos e o que fizemos. Mas a constatação de que alguém levou esse pensamento, essa hipótese um passo adiante, concretizando a informação do DNA de desconhecidos e os retratou de volta,  é estarrecedora.  E merece muito questionamento.

183377741Um retrato por Heather Dewey-Hegborg com as características estipuladas pela análise de DNA encontrado ao acaso.

O processo de análise do DNA a que Heather Dewey-Hegborg submete suas amostras é científico e se você tem curiosidade sobre isso clique no link do artigo no parágrafo acima. Para mim, o que é mais interessante, neste momento, em que ainda discutimos se alguém tem o direito de escrever uma biografia sobre uma pessoa pública sem a autorização dela — como no caso do cantor Roberto Carlos — é pensar nas consequências dessa nova forma de Big Brotherismo.  A habilidade de coletar o DNA de estranhos, tê-lo analisado sem permissão e chegar a um retrato daquela pessoa, é no mínimo invasivo. Levanta questões éticas de importância que não podemos deixar de lado.

Nós aqui, nos damos ao luxo de pensar que ainda temos alguma privacidade, que ainda podemos nos manter incógnitos. É falácia. Toda vez que clicamos em um anúncio do Facebook, por exemplo, os olhos do mundo estão vigiando e os anúncios que você passa a ter nas colunas à direita, de ofertas, são baseados unicamente naqueles cliques que eles sabem você ter feito. Clique a clique Facebook  começa a saber quem você é.  E a gerenciar as informações que você recebe.  Assim como suas pesquisas no Google servem para priorizar os sites que aparecem primeiro na sua pesquisa na “search engine“.   Sem que você perceba, suas escolhas são mais estreitas, mais específicas, feitas sob medida [mas que medida eles usam?] para você.  Cada clique em um site ajuda a desenhar o seu retrato, os seus interesses, a sua vida.

183377359Um retrato por Heather Dewey-Hegborg com as características estipuladas pela análise de DNA encontrado ao acaso.

Nesse ínterim alguém pode pegar o seu DNA de um copo de plástico que você deixou na lixeira e fazer o seu retrato.  Não seria isso mais invasivo do que escrever a biografia de uma pessoa pública como Roberto Carlos?  Uma biografia baseada em artigos de jornal, em depoimentos de amigos e conhecidos não é afinal menos invasiva do que uma análise de DNA?  Não pense que essa “arte baseada em DNA” não chegará ao Brasil por causa de seu alto custo.  Nas artes, assim como em outros campos, temos tido grande sede de usarmos o que há de mais moderno.  É só esperar.





Mães que ensinam a ler – homenagem ao Dia das Mães

12 05 2013

Georgina de Albuquerque (1885-1962). Momento de leitura, oscartão, 24 x 16cm 2Momento de leitura

Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)

óleo sobre cartão, 24 x 12 cm

Bernard Jean Corneille Pothast ( Bélgica 1882-1966), O livro de figuras, ost, 64x77O livro de figuras

Bernard Jean Corneille Pothast (Bélgica 1882-1966)

óleo sobre tela, 64 x 77 cm

Jacoba (contemporânea) Espanha Madre y Hija LeyendoMãe e filha lendo

Jacoba (Espanha, contemporânea)

óleo sobre tela

János Tornyai, Lesson on the FarmWoman with Silk Corset, 1896Lição na fazenda, 1896

János Tornyai (Hungria, 1869-1946)

óleo sobre tela

Charles West Cope - George-Herbert-and-His-Mother-xx-Charles-West-CopeGeorge Herbert e sua mãe

Charles West Cope (Inglaterra, 1810-1890)

óleo sobre tela

Joy McGinnis (EUA) reading-lesson, oleoLição de leitura

Joy McGinnis (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm

http://www.joymcginnis.com

Auguste Toulmouche ( 1829 - 1890) LA LEÇON 1854A lição, 1854

Auguste Toulmouche (França, 1829-1890)

óleo sobre tela, tondo

Museu de Belas Artes de Nantes, França

giovanni della rocca (Itállia, 1788-1858)Lição

Giovanni della Rocca (Itália, 1788-1858)

óleo sobre tela

chulovich-marina-v, contos de fadasContos de Fadas

Marina V. Chulovich (Rússia, 1956)

Casa dos misterios, mysteriesfresco1bMenino lendo, [DETALHE], c. século I

Casa dos Mistérios, Pompéia, destruida pelo Vesúvio no ano 79 a.D.

Afresco

Pompéia, Itália

Diane Leonard, Special MomentsMomentos especiais

Diane Leonard (EUA)

gravura, 50 x 50 cm

www.dianeleonard.com

Emile Munier (1840-1895) The reading_lessonHá muito tempo, 1888

Emile Munier (França, 1840-1899)

óleo sobre tela, 175 x 125 cm

eugene de blockAprendendo a ler, 1870

Eugène François de Block (Bálgica, 1812-1893)

óleo sobre madeira,  52 x 40 cm

pierre auguste renoirA lição

Pierre Auguste Renoir (França, 1841-1919)

Sanguínea sobre papel

Richard Crafton Green, (Inglaterra, 1869-1890) The reading lesson,1890,  45 x 32cm,A lição de leitura, 1890

Richard Crafton Green (Inglaterra, 1869-1890)

óleo sobre tela, 45 x32 cm

Signe GrushovenkoSem título

Signe & Genna Grushovenko (EUA, contemporâneos)

www.grushovenko.com





Quadrinha para o Dia das Mães

10 05 2013

Mãe e filho, c. 1930,Walter Beach Humphrey (EUA, 1892)ost,68 x 50cm

Mãe e filho, c. 1930

Walter Beach Humphrey (EUA,1892)

Óleo sobre tela, 68 x 50 cm

Mamãe, meu grande tesouro,

minha joia preciosa;

o seu carinho vale ouro,

oh mulher maravilhosa!

(Maria Guiomar Galvão Coelho Leal)





Mãe — poema de Martins Fontes

9 05 2013

mãe e filha primaveraCartão postal início do século XX.

Mãe

Martins Fontes

Beijo-te a mão, que sobre mim se espalma

Para me abençoar e proteger.

Teu puro amor o coração me acalma;

Provo a doçura do teu bem querer.

Porque a mão te beijei, a minha palma

Olho, analiso linha a linha, a ver

Se em mim descubro um traço de tu’alma

Se existe em mim a graça do teu ser.

E o M, gravado sobre a mão aberta,

Pela tua clareza, me desperta

Um grato enlevo, que jamais senti:

Quer dizer — Mãe — este M tão  perfeito,

E com certeza, em minha mão foi feito

Para, quando eu for bom, pensar em ti.

Em: 232 Poetas Paulistas:antologia,  ed. e col. Pedro de Alcântara Worms, São Paulo, Conquista: 1968, p. 131.





Quadrinha do dia das mães

7 05 2013

vovó ensina geografia,meninas, netas, touca, livros, casa, anne anderson

Ilustração Annne Anderson.

Dia das Mães…esse dia

já não tem o mesmo brilho.

Calou-se a voz que dizia

— Que Deus te abençoe, meu filho!

(Hegel Pontes)





Palvras para lembrar — Abraham Lincoln

7 05 2013

Janereading_RossettiJane Morris lendo, s/d

Dante Gabriel Rossetti (Inglaterra, 1828-1882)

desenho

“As coisas que quero conhecer estão nos livros, meu melhor amigo é aquele que me dá um livro que eu ainda não tenha lido”.

Abraham Lincoln





O vendedor de cocadas, texto de Marques Rebelo

7 05 2013

artigos.imagens.A0110.I00173 O vendedor de cocada

Darcy Cruz (Brasil, 1931)

óleo sobre tela, 50 x 70 cm

Ibac

9 de fevereiro [1941]

Cavalete ao ombro, grande baú pintado no cocuruto da cabeça pixaim, com uma folha de laranjeira contra os lábios, o doceiro emitia esperadíssimos sons anunciando-se à freguesia. Cocada brancas e pretas, quindins, bons-bocados, papos-de-anjo, pastéis de nata, bolinhos de cará, beijus, balas de ovo, de leite de coco, de guaco – ótimas para a tosse! Um universo de açúcar.

Era velho o preto, chamava mamãe de Iaiá, tinha sempre uma bala de quebra para Cristinha. Sua hora era pelo meio do dia, quando o sol ia a pino. Três vezes passava o padeiro empurrando a barulhenta carrocinha aprovisonadora. Deixava-se entregue à vigilância de um moleque e lá ia, peludo e bigodudo, de casa em casa, a cesta coberta com um pano braço que já fora saco de farinha. Pão francês, pão alemão, pão italiano (um pouco massudo), pão-de-provença, de milho, de forma, de ovo, pão trançado, pão-cacete e periquitos – a três por um tostão, obrigatórios nas merendas escolares – e roscas de barão, rosquinhas de manteiga, caramujos, tarecos, cavacos, joelhinhos, bolachas de água e sal. Tudo quente, cheiroso, estalando – a vida abundante, solícita, módica, vida provinciana para sempre extinta”.

Em: A mudança, Marques Rebelo, 2º volume de O Espelho Partido, São Paulo, Martins: 1962





Quadrinha para ser feliz

6 05 2013

porquinho ajuda, disney Um dos três porquinhos, ilustração Walt Disney.

Se desejas ser feliz,

seja qual for tua crença,

pratica o bem todo dia

sem esperar recompensa.

(Carlos Torres de Faria)





A lista de leitura recomendada para minha mãe

6 05 2013

O charme da juventude, c. 1935. papelão, pastel, 58 x47,  E. BobovnikofF (França, )

O charme da juventude, c. 1935

E. Bobovnikoff (França, 1898-1945)

pastel sobre papelão, 58 x 47 cm

Tive a felicidade de ser neta de um homem de visão, que exigiu que suas três filhas, nascidas no final da segunda década do século XX, fizessem curso superior.  Meu avô, um advogado nascido em Mato Grosso, mas formado no Rio de Janeiro, adotou a posição bastante liberal e visonária na época, não deixando que nenhuma de suas três filhas pensassem em casar antes do curso superior completo.  As meninas que tinham menos de 4 anos de diferença entre si, formaram-se todas em Letras. Duas em Neo-latinas, a outra em Anglo-germânicas, assim eram divididos os estudos em meados do século XX, quando se graduaram.  Formaram-se todas pelo Instituto Lafayette, aqui no Rio de Janeiro.

Esta semana, que não está sendo muito fácil para mim, emocionalmente, tenho passado em revista um saco plástico em que mamãe guardou isso ou aquilo. Papelada sem nenhum valor, exceto para ela: uma poesia de meu avô publicada; um jornalzinho de escola, onde meu pai, aos nove anos, publicou uma redação intitulada A Catástrofe, [ainda escrita com ph  — Catastrophe] quando frequentava o curso primário; três desenhos para tapeçarias que ela havia projetado — queria ter sido uma artista plástica, mas meu avô não recomendou.  Enfim, isso e aquilo, que se não fosse a filha a salvaguardar, já teria ido para o lixo há tempos, decisão que a maioria das famílias brasileiras já teria tomado.  Mas tenho um grande  amor ao papel, e passei em revista páginas e recortes de jornal.  Por mais que estas lembranças sejam boas, trazem sempre uma nostalgia enorme.  E tenho que dar umas pausas.  Minha  mãe morreu há cinco anos e ainda é difícil de vez em quando lidar com certas coisas…  Numa retomada, eis que me deparo com uma página de um caderno de notas de mamãe, com a lista de obras para leitura.  Uma lista de leitura!  Dos tempos de faculdade de mamãe! …  Presente do céu!  Vou deixar aqui seu registro, principalmente porque há uma curiosa nota ao final.  Minha mãe se formou em 1946. A todos que se interessam por história, por historiografia da educação aqui vai:

Lista de leitura, recomendada, pelo professor de literatuura geral e comparada Albert Guérard, da Universidade de Stanford.

Leitura dos livros mais decisivos no mundo.

1. a Bíblia

2. as obras de Rousseau

3. O Capital de Marx, com prefácio de Adam Smith

4. O Príncipe, de Machhiavelli

5. A Origem das Espécies, de Darwin

6. Novum organum, de Bacon

7. A República, e Diálogos, de Platão

8. Utopia, de Thomas More

9. Ensaios de Montaigne

10. Ensaio sobre o entendimento humano, Locke

11. Ideias sobre a História do Mundo de Hender com prefácio de Vico

12. The Principle of Population, Thomas Malthus

13. Lógica, de Hegel

14. Toda obra de Nietzsche

NOTA: Professor Guérard ainda em dúvida quanto a obra de Kant e de Freud.

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Notinha a lápis.  “Papai, nem todas essas obras estão em português.  Mas não faz mal“.

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O quanto minha mãe leu?  Não sei. O Príncipe, certamente. Platão também.  Os ensaios de Montaigne sei que leu, tenho suas notas a respeito.  Leu mais de uma vez. No original. É possível que tenha lido a obra de Rousseau, porque sempre leu muito em francês.  E depois de casar com um cientista, é provável que tenha pelo menos passado os olhos em Darwin e Malthus.  Achei muito interessante a dúvida do Professor de Stanford sobre as obras de Kant e de Freud.  Outros tempos, outras prioridades.