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Ilustração de autoria desconhecida.
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A brisa da madrugada
entrando pela janela,
balança a rede bordada
de sonhos, dos sonhos dela…
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(Aurora Pierre Artese)
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Ilustração de autoria desconhecida.–
A brisa da madrugada
entrando pela janela,
balança a rede bordada
de sonhos, dos sonhos dela…
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(Aurora Pierre Artese)
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Calvin Coolidge
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Cartão de Natal em couro, de uma companhia de couro, primeira década do século XX.–
Como vocês sabem– por causa das postagens que fiz sobre Papai Noel em anos passados [ Papai Noel viaja de carro! — cartões postais de Natal, O transporte de Papai Noel, Alguns cartões de Natal da antiga União Soviética ] Papai Noel é um cara que não fica parado no tempo. Ele se utiliza de todos os meios possíveis para chegar até nós. Desde o tradicional trenó, até o foguete interespacial, passando é claro pelo tapete mágico. Adepto do mais diversos aparelhos para poder localizar quem foi bonzinho o ano inteiro e merece brinquedos e quem não foi, Papai Noel não poupa esforços para atualizar suas encomendas.
Assim que o telefone ficou um pouquinho mais popular… Papai Noel adquiriu um. E passou a falar ao telefone, conversar com todo mundo que precisava deixar um recadinho para ele. Vejam só Papai Noel ao telefone, através dos tempos.
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Não bastasse Papai Noel usar o telefone, as crianças tambem telefonam para ele com pedidos e votos de um Feliz Natal. O telefone foi uma das grandes invenções que entraram definitivamente para a iconografia do Natal.
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Café da manhã da trabalhora, s/d
Louise Amélie Landre (França, 1852-?)
Oil on Canvas
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Louise Amelie Landre nasceu em Paris em 1852. Estudou no ateliê de Chaplin, depois com Barias e finalmente completou seus estudos em pintura com Hubert. Sua carreira se iniciou no Salão de 1876. Em 1885, foi nomeada como Associada aos artistas franceses. E continuou a expor os retratos e as paisagens pelos quais ficou conhecida, pelo mesno até 1918. Data de falecimento desconhecida.
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Ilustração de Blanche Fisher Wright.–
27 de dezembro [1936]
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“O presente mais lindo não é o mais caro, é o mais frágil – a caixa de cubos com os quais as mãozinhas inexpertas poderão formar um prado florido, dois cachorrinhos brincando, a galinha branca, orgulhosa dos pintainhos.
Há ainda a bola de sete cores como um arco-íris de borracha, a piorra cantadeira e o pelotão de chumbo pregado no papelão.
Paro um instante comovido – ah, a roda da vida, roda da vida rangente ou azeitada! Quando acordei, acordei general – trinta e seis soldadinhos me esperavam ao pé da cama, túnica azul, calça vermelha, baionetas em riste. As trincheiras foram abertas debaixo das begônias, as roseiras deixavam cair as pétalas sobre os herois, todo o jardim sofreu com as batalhas delirantes, enquanto Madalena fazia comidinhas para a nova boneca e Emanuel folheava, no alpendre, o livro de gravuras de Rabier.
Deposito o último brinquedo com cuidado, não fosse despertá-las. Porejadas de suor, as crianças dormem. Na parede, como prego, dorme também o pernilongo, pesado de sangue que também é um pouco meu, apesar da incredulidade rancorosa de Mariquinhas”.
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Em: O trapicheiro, Marques Rebelo, 1º volume de O Espelho Partido, São Paulo, Martins: 1959, 1ª edição, numerada, p. 166.
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Ilustração, Jesus Blasco (Espanha, 1919 – 1995).–
Planta uma árvore e repara
o exemplo que ela oferece:
vai dar fruto à mão avara
e sombra a quem não merece.
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(José Valeriano Rodrigues)
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Francisco Azevedo
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O céu que vejo de manhã
é cor-de-rosa
de um sol virando na cama
pr’ acordar
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pequenas nuvens violetas
outras mais pro azul-claro
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a estrela do pastor
segue o seu rumo
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e os anjos
em ritual silêncio
fazem
com um beijo
a troca da guarda.
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(Rio, 1982)
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Em: A casa dos arcos, Francisco Azevedo, Paz e Terra: 1984, Rio de Janeiro
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Francisco José Alonso Vellozo Azevedo, (Rio de Janeiro, RJ , 23/2/1951) – formado em direito, diplomata, escritor, roteirista, cinematógrafo e poeta.
Obras:
Contra os moinhos de vento, poesia e prosa, 1979
A casa dos arcos, poesia, 1984
O arroz de palma, romance, 2008
Doce Gabito, romance, 2012
Unha e carne, teatro
A casa de Anaïs Nin, teatro
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Mulher na praia, 1992
Manuel Anoro (Espanha, 1943)
óleo e acrílica sobre tela, 79 x 99 cm
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Walt Disney
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Menino lendo, ilustração Claire Louise Milne.–
Só, eu vivo bem comigo,
pois sou boa companhia;
nem preciso de um amigo
para sentir harmonia.
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(Lygia Lopes dos Santos)
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Neste esfacelar de usos e tradições, poucas pessoas encontram ainda encanto em seguir costumes de avós que se foram há muito tempo, e de quem as caveiras, lá no fundo das covas, já não guardam nem resquícios de pele!
A nossa vida agitada precisa de um esforço para relembrar os divertimentos antigos, e não é senão por condescendência que muita gente faz horas para ir à missa do galo ou que deixa o espetáculo pela ceia caseira, obrigada a certos pratos que o desuso tornou para muitos paladares simplesmente abomináveis.
Noites quentes, maravilhosas noites de verão, banhadas de luar, impregnadas do aroma da magnólia e do jasmim-manga, convidando por certo muito mais aos passeios pelos arredores da cidade, ouvindo cigarras e violas de serenatas, do que a fecharmo-nos em uma sala, em frente a um prato de canja fumegante, entre os globos de gás a toda a luz e uma toalha branca onde a louçaria brilhe com o seu luzimento de esmalte.
Estas festas são doces às mamães, porque chamam para o seu redil as ovelhas soltas por diversos pontos da cidade. Nestes dias, como que se ouvem badaladas de sinos de ouro que, a cada repique, dizem assim:
— Vinde para casa! Vinde para casa! É aqui que vos amam! E as ovelhas param, escutam, torcem caminho e voltam para o aprisco de onde tinham partido.
A amante que espere, pensam os rapazes; que se estorça de raiva vendo-se preferida. É preciso também contentar a mamãe, que sorri acudindo a tudo e a todos com a mesma paciência de há trinta anos, quando os filhos eram pequenos e não sabiam de nada na vida que igualasse à sua companhia!
“Boa mamãe! dizem-lhe eles agora, perdoai os nossos desvarios de rapazes! Nós cá estamos no teu regaço, olhando para o teu rosto, beijando as nossas irmãs.”
E a mamãe vai e vem, com os lábios risonhos e os olhos brilhantes. E o sino de ouro da casa, cujas badaladas se ouvem ao longe, mal ela o sabe! É o seu coração angustiado, pisado de sofrimentos, de dúvidas, de saudades, mas que todo se enflora ainda de esperanças, porque é de mãe!
Festas familiares sois peregrinamente bondosas e dementes para os velhos!
Sim, é por condescendência que muita gente deixa a noitada ao relento pela ceia caseira, em que se comem coisas suculentas, se ouvem valsas marteladas ao piano, ou se conversam assuntos repisados.
Na roça é que estas festas do Natal e do Ano-Bom têm uma cor mais brasileira. Aqui na cidade fazemo-las seguindo os costumes portugueses. O frio do Natal europeu impele as famílias para o interior das suas casas, para o calor dos fogões e das ceias fumegantes. O nosso Natal é tão diverso! Em vez da neve temos o sol; em vez da ventania áspera, que obriga as pobres criaturas a irem para a igreja envoltas em capotes, salpicadas de lama e de chuva, temos noites estreladas, cheirosas, em que moças e rapazes vão à meia-noite ouvir a missa do galo, com trajes alegres, sem recear bronquites, podendo folgar pelos caminhos à luz das estrelas palpitantes e coloridas. Na roça é assim. A criançada come ao ar livre pinhões cozidos e faz a algazarra que apraz. As moças dançam no terreiro com os namorados, e os velhos, sentados sob o alpendre, contam anedotas, rememoram visitas a presépios antigos, até que o sino os chame e eles partam todos, aos magotes, para a capela tão sua conhecida, tão sua amada!
Se fosse possível deveríamos inventar festas adequadas ao nosso clima, estabelecê-las, fixá-las, torná-las nossas.
Os costumes europeus não podem, em absoluto, ser reproduzidos aqui. Há no Brasil climas mais frios do que em alguns países da Europa; no alto Paraná o gelo quebra os galhos das árvores e o aldeão tirita lavrando terra. Mas de que vale isso, se as estações são trocadas e o nosso Natal desabrocha em pleno verão! O nosso Natal! Bem que ele precisa de outro emblema. O velho de longas barbas brancas, nariz cor de morango maduro, capote espesso lanzudo e gorro de peles, é filho das terras nevadas, cortadas pelos uivos do vento, tão cruel para os pobres. O nosso Natal é moço, é risonho, é caritativo; abriga os sem vintém, e as criancinhas nuas não o temem, porque ele afaga-as o seu bafo cheiroso e veste-as com a sua luz quente e doirada!
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Em: Livro das Donas e Donzelas, Julia Lopes de Almeida, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1906 — EM DOMÍNIO PÚBLICO