Ninho de ovos de dinossauros descobertos na Chechênia

13 04 2012

Cientistas da república islâmica da Chechênia, no Cáucaso, que faz parte da Federação Russa, descobriram um “esconderijo” de ovos fossilizados de dinossauros em uma área montanhosa no sul da república. Uma equipe de geógrafos fez a descoberta em uma expedição para estudar duas cachoeiras até então desconhecidas numa área intocada no Sharoyski , Distrito da Chechênia.

Existem pedras nas encostas da montanha e entre eles notamos uma espécie de globos lisos e macios“, afirmou Magomed Dzhabrailov, geógrafo da Universidade do Estado da Chechênia. “Chegamos perto e vimos que não eram pedras. Concluímos, então, que eram ovos de dinossauro, por causa das cascas, claras e gemas que eram bem nítidas. O diâmetro do ovo varia entre 63 centímetros e um metro“, contou.  “A visão transversal [de um dos ovos] mostra que a sua casca, gema e albúmen são muito bem-circunscritos. Tiramos várias amostras para verificar a composição física e química dos fósseis.”

Um grupo de paleontologistas foi enviado a Moscou para estudar as amostras e conduzir testes de radiocarbono nas mesmas.  Os cientistas acreditam que os ovos – cerca de quarenta  — foram colocados por um dinossauro herbívoro que viveu cerca de 60 milhões de anos atrás, época de extinção dos dinossauros no planeta.

Fontes: RIA NOVOSTI e Terra





Palavras para lembrar — Holbrook Jackson

13 04 2012

Leitora cuidadosa, s/d

Franz Dvorak (Áustria, 1863-1927)

óleo sobre tela

“A hora de ler é qualquer hora: nenhum aparato, nenhum compromisso de hora ou lugar, é necessário.  É a única arte que pode ser praticada a qualquer hora do dia ou da noite, quando há inclinação ou tempo, esse é o seu momento para a leitura; na alegria ou na dor, na saúde ou na doença”.

Holbrook Jackson





Primeiro fruto, poesia de Artur de Castro

13 04 2012

Mãe com bebê, ilustração Maud Tousey Fangel.

Primeiro fruto

Artur de Castro

De manso Ela desperta e o leito cor de arminho

Envolvendo no olhar de materna doçura,

Contempla o alvo filho entre os lençóis de linho,

Mais alvo que os lençóis de imaculada alvura.

E meiga a contemplar o tépido filhinho,

Seu casto olhar azul em lágrimas fulgura:

— É que nem sempre o pranto é de sofrer mesquinho…

— Que a lágrima é também  a imagem da Ventura.

Depois nos braços seus tomando-o febrilmente,

A fronte dele encosta à sua fronte bela,

Aos lábios dele cola os lábios seus, ridente…

E assim, em doce amplexo, em meio sonho, — Ela

De novo os olhos cerra… e terna… e vagamente

O filho adormecido, entre acordada, vela.

Em: 232 Poetas Paulistas, antologia, Pedro de Alcântara Worms, Rio de Janeiro, Conquista: 1968.

Artur de Castro (SP, 1880 – ?) — poeta e  jornalista.  Residiu em Campinas.





Palavras para lembrar — William Lyon Phelps

12 04 2012

Leitura ou Retrato de Misia Sert Godebska,1904

Auguste Renoir (França, 1841-1919)

óleo sobre tela

Museu de Arte de Tel Aviv, Israel.

“Divido os leitores em dois tipos; aqueles que leem para se lembrar  e aqueles que leem para esquecer”.

William Lyon Phelps





A lebre com olhos de âmbar, um livro inesquecível de Edmund de Waal

11 04 2012

Songoku, o Rei Macaco e a Lebre com pedras preciosas ao luar, 1891

Tsukioka Yoshitoshi (Japão, 1839 – 1892)

xilogravura policromada, 24 x 35 cm

Museu de Arte de Brooklyn, Nova York

Texto com contexto, biografias e memórias, uma saga familiar que conta a história do mundo no século XX: este é um livro inesquecível; uma série de biografias que leem como romance, uma memória familiar escrita através de um processo detetivesco.  Não há melhor combinação de elementos para seduzir o leitor ainda mais quando se trata de uma narrativa bem escrita, sensível, desapegada quando poderia ser melodramática,  quase irônica como todo bom inglês consegue ser.  Em um parágrafo: isso é  A lebre com olhos de âmbar, de Edmund de Waal [Intrínseca: 2011].

O autor recebe de herança uma coleção de netsuquês –  pequenas esculturas-botões de acabamento de artigos de vestuário japonês.  Herda-os de seu tio-avô embrulhados em histórias de família, em aventuras  transcontinentais e perseguição nazista.  Inicialmente, quando meus amigos me falaram desse livro, suspeitei que se tratasse de algo semelhante a Memórias do Livro de Geraldine Brooks, [Ediouro: 2008] onde participamos de uma pseudo-arqueologia da Hagadá de Sarajevo, ou até mesmo a saga de uma família judia vista através da passagem de um espelho, de geração em geração, como aconteceu com o livro da brasileira Chaia Zisman, O Espelho [Sete Letras: 2006].   Hesitei inicialmente porque me pareceu que eu iria embarcar em um modismo narrativo e tudo indicava que me exporia mais uma vez a um truque ficcional que já se achava “cansado” antes mesmo da primeira página ser lida.  Mas me enganei.

Antes de escrever essa resenha procurei entrevistas com o autor, que até a publicação desse livro não era um escritor, mas um afamado ceramista, conhecido e respeitado internacionalmente.  Reconheço que ele se sai melhor com a palavra escrita, pensada e bem colocada do que com a palavra falada, sobre a qual sua timidez parece levar a melhor…  No entanto, foi através dos vídeos de entrevistas com o autor que vim a conhecer sua grande familiaridade com os trabalhos do escritor francês Proust.  Não só porque Proust foi amigo do primeiro colecionador de netsuquês e tetravô do Edmund de Waal, mas porque de Waal, formou-se em inglês, e admitiu ter-se apaixonado,  lido e relido, os volumes de Proust, através dos anos.  Esse conhecimento não só justifica a prosa límpida, delicada e precisa de que se utiliza na composição das biografias a que se dedica, como explica a visão de “Busca do tempo perdido” que transmite através de seu texto.

Netsuquê da lebre com olhos de âmbar da coleção do autor.

Digo isso porque parte do charme dessa narrativa é a sensação que o leitor tem de que presencia, através de pequenos detalhes do cotidiano, a vida como ela era no último quarto do século XIX em Paris, no início do século XX em Viena, durante a ocupação nazista da Áustria e durante os anos de reconstrução do Japão após a Segunda Guerra Mundial.  Os detalhes baseados em pesquisa incansável dos diversos membros da família retratada nos dão a sensação de conhecer o dia a dia dos bem-sucedidos protagonistas.  E entramos sem nos darmos conta, num mundo semelhante ao dos contos de fadas, dos multimilionários banqueiros, de suas paixões e de sua magnanimidade.  Esse texto, bem escrito e detalhista, é fascinante, não importa que geração se encontre retratada.  E o contexto vem nas entrelinhas, nas reticências e meias palavras, mais eloquentes do que se poderia imaginar, que descrevem o preconceito antissemita tecido nas sociedades da época, até mesmo por aqueles cujas vidas e sobrevidas dependiam do patrocínio, do mecenato, da tutela dessas mãos judias.

Quando pensamos na história do século XX temos a tendência a vê-lo partido ao meio: antes e depois da Segunda Guerra Mundial.  Podemos datar quase todos os aspectos sociais, políticos e artísticos pela guerra. E aqui, nesse volume, tratando de episódios que começam mais de cem anos antes e que se desenvolvem por mais de cinquenta anos depois, descobrimos que de fato, só há um único assunto que caracteriza o século XX: o preconceito generalizado, indiscriminado, politizado.   A guerra não foi o ponto da virada que acabou redimindo as últimas décadas do século XX.  Ela foi a essência do que veio antes e do que foi feito depois.   Assim como a loucura coletiva da Inquisição caracterizou o século XVI, o século XX comungou da mesma fonte, fazendo seu, um  único tema, o antissemitismo.  Todo o resto, aspectos políticos, sociais, emocionais, financeiros, de uma maneira ou de outra se encontram nesse preconceito.  Mesmo que ele não seja abordado diretamente como acontece nesse livro, ele é visivelmente, a “éminence grise”, o “modus operandi”, a força motora que impulsionou o mundo.

Edmund de Waal

Edmund de Waal não escreveu esse livro para que descobríssemos a essência do século XX.  Ele escreveu de maneira encantadora a história da vida de seus antepassados usando a coleção que netsuquês, que os unia, como ponto de partida e de ligação entre gerações.  E elas o foram, todas essas 264 mini esculturas japonesas.  Mas talvez pela compactação dos eventos em poucas páginas, pela delicadeza da narrativa, pela riqueza de detalhes apresentados nos episódios, nas décadas, no século retratado, a leitura de A lebre com olhos de âmbar pede uma observação com um ponto de vista mais distante que abrace, de uma só vez, todas as situações complexas e ache o denominador comum, o fio da meada do que está sendo apresentado.   De modo que a biografia particular se torna uma história do mundo ocidental visto por olhos quase neutros de um escritor que é ceramista, de um descendente de banqueiros que trabalha para sobreviver, de um inglês, membro da igreja anglicana que se volta para seus antepassados judeus.  É estamos, de fato, diante da história do século XX.





Quadrinha infantil dos passarinhos

10 04 2012

Ilustração Yoshida Toshi.

Canta, canta passarinho,

Sempre alegre a saltitar,

Quem é bom vive cantando

Deus te fez para cantar.

(Walter Nieble de Freitas)





Palavras para lembrar — James Russell Lowell

9 04 2012

Moça lendo, s/d

Adrian Paul Allinson ( Grã-Bretanha, 1890-1959)

óleo sobre tela,

University of Hull Art Collection

“Os livros são abelhas que levam o pólen vital de uma à outra mente”.

James Russell Lowell





Quadrinha infantil para comer frutas

9 04 2012

Magali comendo melancia, ilustração Maurício de Sousa.

Nunca se esqueçam que as frutas

Matam a sede e a fome

E somente fazem mal

Quando a gente não as come.

(Walter Nieble de Freitas)





Imagem de leitura — Jean-Honoré Fragonard

7 04 2012

A leitora, c. 1770-1772

Jean-Honoré Fragonard (França, 1732-1806)

óleo sobre tela, 82 x 65 cm

The National Gallery, Washington DC

Jean-Honoré Fragonard nasceu em Grasse, em 1732.  Apresentou grande talento para o desenho e a pintura desde cedo, de modo que mesmo tendo muitas limitações econômicas, foi apresentado a François Boucher, o maior pintor da época, que o ajudou a desenvolver o estilo predileto da corte francesa.   Infelizmente com a Revolução Francesa de 1789, Fragonard perdeu toda sua clientela, toda a nobreza que o apoiava.  Juntou todos os seus quadros, saiu de Paris, e voltou para Grasse, sua terra natal, onde foi recebido com carinho.  Aos poucos desenvolveu uma clientela mais modesta mas patriótica.  Passou para a história conhecido por suas cenas românticas, cenas frívolas e felizes, representantes do gosto da corte no século XVIII na França, também chamado de período Rococó.  Fragonard foi um excelente pintor, preso numa época de grandes reviravoltas políticas. Faleceu em Grasse em 1806.





Alguns cartões de época: Feliz Páscoa a todos!

7 04 2012