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Pai e filho, ilustração americana da década de 1950, autoria desconhecida.
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O bom exemplo do pai
reflete sempre no filho;
e, pela vida, ele vai
seguindo no mesmo trilho!
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(Amélia Ferreira de Carvalho)
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O bom exemplo do pai
reflete sempre no filho;
e, pela vida, ele vai
seguindo no mesmo trilho!
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(Amélia Ferreira de Carvalho)
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Natureza Morta com livros
Judith Gibson ( Reino Unido, comtemporânea)
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Gualter Cruz
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Quando eu morrer te deixarei, irmão,
Os livros todos que eu em vida amei,
Livros que ao lê-los eu sorri, chorei,
Sentindo-me pulsar o coração!
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Queira guardar, irmão, este tesouro
Porque era tudo que na vida eu tinha,
O bem e o mal querer da minha vida,
A minha arca a transbordar de ouro!
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São folhas gastas, lidas e relidas,
Que sempre me falaram bem à alma
E me trouxeram, pouco a pouco, a calma,
Páginas belas, ricas, coloridas!
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Em cada autor eu tive um grande amigo,
Emoções belas, sentimentos novos.
Senti bater o coração dos povos
Como a este coração que está comigo!
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Quando eu morrer, irmão, tu nunca os venda,
Embora não os queira como eu quero,
Pois são no mundo aquilo que eu venero,
A mais formosa, a mais ditosa prenda!
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Tem pois, por eles, paternal cuidado,
E de uma mãe puríssima afeição;
Cuida bem deles, meu querido irmão,
Pois eles são o meu tesouro amado!
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Em cada livro ficará meu ser,
Com um suspiro eterno de saudade,
Que cortará sentido a eternidade
Quando eu deixar na terra de sofrer!
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E cada folha que rasgada for,
Qual um punhal o peito me ferindo,
Para minh’alma sofrimento infindo,
Reavivará no espaço a minha dor!
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Tem mui cuidado! Ó, não os rasgues, irmão!
E nem sequer os vendas , por favor!
Seria por demais a minha dor
Vê-los correr ao léu, de mão em mão!
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Quando leres, um dia, com carinho,
As mesmas linhas que eu em vida lia,
Grande no espaço, então, minha alegria,
E bem mais claro, pois, o meu caminho!
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Quero levar daqui mil esperanças!
Quero deixar nos livros que te dei,
Nas páginas que em vida tanto amei,
A mais rica, talvez, dentre as heranças!
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Em: Poesias completas, Gualter Cruz, Petrópolis, Editora do autor: 1983.
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Gualter Germano Chaves da Cruz (Petrópolis, RJ, 1921, Rio de Janeiro, RJ 1978)
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Rosas na caixa, cartão postal.–
Disfarça as falhas teimosas
fazendo o bem nos caminhos;
quando a roseira tem rosas
ninguém percebe os espinhos!
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(Pedro Ornellas)
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Murilo Araújo
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Mãe, estás vendo
estrelas voando?
Estrelas voando!
Que lindo, não?!
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São verdes… finas…
tão pequeninas!
São lamparinas
da escuridão.
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Vão nalgum jogo —
tão pequeninas! —
brincar com fogo
no céu, no chão?
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E vêm no escuro…
São anõezinhos,
anões vizinhos
em procissão,
que vêm no escuro
com as luzinhas
das lanterninhas
que têm, na mão?
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Os vagalumes!
Mas duas luzes
conheço, lindas
mais que eles são.
As duas luzes,
Mãe, são teus olhos…
Mãe — os teus olhos
têm mais clarão.
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Que têm teus olhos
que abrem, tão tenos,
dois céus eternos
no coração?!
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Em: Poemas Completos de Murillo Araújo, com introdução de Adonias Filho, Rio de Janeiro, Irmãos Pongetti: 1960, 3 volumes.
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Murilo Araújo – ou Murillo Araújo — (MG 1894 – RJ 1980) jornalista, formado em direito. Poeta, escritor, teatrólogo, ensaísta. Veio para o Rio de Janeiro em 1907 estudar no Colégio Pedro II. Membro do movimento modernista brasileiro.
Obras:
Poesia:
Carrilhões (1917)
A galera (escrito em 1915, mas publicado anos depois)
Árias de muito longe (1921)
A cidade de ouro (1927)
A iluminação da vida (1927)
A estrela azul (1940)
As sete cores do céu (1941)
A escadaria acesa (1941)
O palhacinho quebrado (1952)
A luz perdida (1952)
O candelabro eterno (1955)
Prosa:
A arte do poeta (1944)
Ontem, ao luar (1951) — uma biografia de Catulo da Paixão Cearense
Aconteceu em nossa terra (pequenos casos de grandes homens)
Quadrantes do Modernismo Brasileiro (1958)
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Ilustração de Arthur Sanoff.–
Viu o ovo despencado
e o repôs na palha fria
ouvindo o belo trinado
da ave que agradecia.
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(Eliana Palma)
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Bailarinas, ilustração Dorothy Grider.–
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Maria Dinorah
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Piso num ponto
e me ponho
de pés em ponta
Estou pronta.
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Penso uma pauta
e me pinto,
pego um pente
e me penteio.
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Paro no pulo
e no prumo,
nego o nervoso
e me aprumo.
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Pronto.
Pisco,
apresto o passo.
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E na pausa
dessa pose,
sou um pássaro no espaço.
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Maria Dinorah Luz do Prado (Porto Alegre, 1925 — Porto Alegre, 2007) professora e escritora de livros infanto-juvenis. Escreveu aproximadamente cem títulos.
Algumas obras:
Alvorecer
Boi Boá
Bom-dia, Maria
A caranguejola do Zeca e outras estórias
O Cata-vento
Chapéu de vento
O coelho Dim-dim
Coração de papel
A coragem de crescer
Coragem de sonhar
O desafio da liberdade
Dobrando o silêncio
Dom Gato
Ensinando com poesia
A Fábrica das gaiolas
Felpudo e olhogrande
Festa no Parcão
A flauta do silêncio
A flautinha do Pirulin
O galo superdotado
A gaitinha do sseu Zé
Os gêmeos
Geometria de sombra
Giroflê giroflá
Guardados de afeto: repensando a alfabetização
Histórias de fadas e prendas
Hora nua
Iara Aruana
A lagoa encantada
O livro infantil e a formação do leitor
O livro na sala de aula
O macaco preguiçoso e outras estórias
Mata-tira-tirarei
A medida do sorriso
Menino na avenida
Meu verde mar azul
O ontem do amanhã
Um pai para Vinícius
Panela no fogo, barriga vazia
Piá também conta causo
Pinto verde e outras estórias
Pitangas e vaga-lumes
O poema da flor
Poesia Sapeca
Pra falar de amor
Quando explodem as estrelas
Que falta que ela nos faz
A Semente Mágica
Seu Zé
Simplesmente Maria
Solidão e mel
Tem que dar certo
O Território da infância
Três voltas de ciranda
Uma e una
O ursinho azul
Ver de ver
Verso e reverso: poemas de Natal
Vinte pontos de uma vez
O vôo do pássaro e outras histórias
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Aos olhos cheios de afeto
da mãe que o viu pequenino
seja qual for sua idade
o filho é sempre um menino
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(Soares da Cunha)
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Ilustração Tibor Gergely.–
Trinam pássaros nos galhos…
a brisa é leve e sombria;
a aurora sobre os orvalhos
abre as cortinas do dia.
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(Manoel Cavalcante))
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Cleonice Rainho
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Lá vai o navio,
cortando o mar.
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Lá vai o avião,
furando o ar.
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É azul o céu
e verde o mar.
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E eu fico pensando
na cor da saudade
que os viajantes levam
da terra e do lar.
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Cleonice Rainho Thomaz Ribeiro, (Angustura, MG, 15/3/1919), mudando-se para Juiz de Fora. Premiada poetisa e trovadora conhecida, professora de Letras Portuguesas, formada pela PUC Rio de Janeiro. Fundadora da Associação de cultura Luso-brasileira de Juiz de Fora.
Obras:
Poesias, 1956
Sombras e sonhos, 1956
O chalé verde, 1964
Ternura páginas maternais, 1965
Terra Corpo sem Nome, 1970
Varinha de condão: poesia infantil, 1973
O Galinho azul; A minhoca mágica, 1976
Vôo Branco, 1979
Parabéns a você, 1982
João Mineral, 1983
O castelo da rainha Ba, 1983
Torta de maçã, 1983
Uma sombra nas ruas, 1984
Intuições da Tarde, 1990
Verde Vida; poesia, 1993
O Palácio dos Peixes, 1996
O Linho do Tempo, 1997
Poemas Chineses, 1997
Liberdade para as Estrelas, 1998
3 km a picos, s/d
La cucaracha, s/d
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Tua modista, senhora,
mostrou ter grande talento,
prendendo um chapéu de plumas
numa cabeça de vento.
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(Djalma Andrade)