O galo, poesia de José Paulo Moreira da Fonseca

26 07 2012

Galo cantando, ilustração de Walter Tomlin, capa da Revista House & Garden, de julho de 1927.

O galo

José Paulo Moreira da Fonseca


Antes do rubor da aurora

O teu vermelho canto se ergue em flamas

Ferindo a noturna paisagem, mas tão rude e sôfrego

Que dir-se-ia tudo perdido. E o repetes

E um novo cantar, ao longe, nos relembra a imensidão das sombras.

Em: Antologia Poética, José Paulo M. F., Rio de Janeiro, Leitura: 1968





Quadrinha da chuva

21 07 2012

Chuva, ilustração de Walter Crane.

Em manhã chuvosa, a vida
canta no seio da mata
e há notas de água caída
no piano da cascata.

(José Lucas de Barros)





Quadrinha da paciência

21 07 2012

Vovó Donalda perde a paciência, ilustração Walt Disney.

Paciência é uma virtude
que se tem, mas que se gasta
quando se toma a atitude
de, para alguém, dizer: – Basta!


(Antônio José Barradas Barroso)





Quadrinha do viver a vida

19 07 2012

Equilibrista, ilustração Fernanda Fonseca, 2007.

Na corda bamba da vida
meu equilíbrio anda perto
de descobrir a medida
entre um tombo e um passo certo.


(Alba Christina)





Quadrinha do poder

13 07 2012

Ilustração, autoria desconhecida.

Padece a Nação inteira
e explodem forças armadas,
quando a Sorte põe, arteira,
o poder em mãos erradas! …


(Heloísa Zanconato Pinto)





Quadrinha do por do sol

12 07 2012

Por do sol, ilustração Maurício de Sousa.

O pôr-do-sol no horizonte,
com seus raios, me seduz
e eu vejo por trás do monte
uma cascata de luz.

(Hélio Pedro Souza)





Quadrinha do pescador

12 07 2012

Ilustração de autor desconhecido.

Bem cedinho, o pescador,

No rio, foi apanhar

Esse peixe apetitoso

Que eu vou comer no jantar.

(Walter Nieble de Freitas)





Romance das matas no Rio de Janeiro, poema de Celina Ferreira

11 07 2012

Morro do Borel, Rio de Janeiro, 1971

Armando Vianna ( Brasil, 1897-1992)

óleo sobre tela, 81 x 65 cm

Romance das matas no Rio de Janeiro

Celina Ferreira

Navios vão-se atracando,

chegam noturnos mineiros,

andarilhos vêm andando

e em cavalos, cavaleiros

trocando o sul e os cavalos,

as colheitas e o dinheiro

por uma braça de um rio

de inexistente janeiro.

As casas vertiniginosas

na floresta de cimento

sobem doidas, caprichosas,

arranhando o firmamento.

As ruas crescem, comprimem

o corpo azul do gigante

que se levanta irrascível,

touro raivoso e espumante.

Medrosos troncos se abraçam

na floresta verdadeira.

Cipós covardes se enlaçam

pelo corpo das palmeiras.

Tudo debalde. O homem lança

um olhar de certeira flecha,

dardo de fogo que alcança

o coração da floresta.

Ai soluço ressequido,

pranto escuro de carvão!

Ai fundo e negro suspiro

que se eleva na amplidão!

Línguas de um fogo faminto

estralam gula e paixão.

Ai! Das matas sobe um grito,

descem lavas de um vulcão.

Os homens plantam sementes

de fogo e míseras casas,

crivam duros alfinetes

na renda verde das matas.

Nas grimpas nuas, as chagas,

ontem, rubras de clarão,

hoje são tendas plantadas

entre reboco e carvão.

E a miséria fecundada

no gineceu das taperas

rebenta nas densas matas

uma estranha primavera.

Em: Poesia Cúmplice, Celina Ferreira, Rio de Janeiro, Livraria São José Ed.: 1959

Celina Ferreira — nasceu em Cataguases, Minas Gerais, em 1928. Jornalista, dedicou-se também à literatura infantil.

Obras:

A princesa Flor-de-Lótus , 1958

Papagaio gaio: poeminhas, 1998

Obra poética:

Poesia de ninguém, 1954

Poesia cúmplice, 1959

Hoje poemas, 1967

Espelho convexo, 1973





Quadrinha do motorista

11 07 2012

Pato Donald e Margarida parados no trânsito, ilustração Walt Disney.

Motorista, paciência…
Calma lá, meu companheiro!
Não se esqueça: competência
nem sempre é chegar primeiro.


(Antônio Augusto de Assis)





Quadrinha da lealdade

2 07 2012

Autoria desconhecida.

Em cauda de lagartixa
está a lealdade que louvo:
– Se puxada, não espicha;
cortada, nasce de novo!

(Humberto Lyrio da Silva)