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Ilustração: capa da revista Fruit, Home & Garden, de abril de 1923 (EUA).
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Numa colcha de retalhos
costurei nossas lembranças
e alinhavei os atalhos
com a linha da esperança.
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(Alice Cristina Velho Brandão)
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Numa colcha de retalhos
costurei nossas lembranças
e alinhavei os atalhos
com a linha da esperança.
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(Alice Cristina Velho Brandão)
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Vaso com oleandro e livros, 1888
Vincent van Gogh (Holanda,1853-1890)
óleo sobre tela 60 x 73 cm
Metropolitan Museum, Nova York
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Afonso Louzada
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Talvez marcando o poema, em livro antigo,
encontrei uma flor já ressequida.
Velha história de amor… penso comigo,
pondo-me a ler a página esquecida.
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Quem à flor nesse livro deu abrigo,
quem sabe? procurou tê-la escondida –
do amor sentindo o grande abraço amigo,
para a própria saudade comovida.
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E o que ficou daquele amor profundo?
Talvez agora, já não resta nada
De tudo que era sonho e que era vida.
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Sob o silêncio lúgubre do mundo,
Apenas essa flor abandonada –
marcando a velha página esquecida.
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Em: Sonetos, Afonso Louzada, Rio de Janeiro, 1956, 2ª edição aumentada.
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Sem dar chance ao desatino,
quando a dor te atormentar,
tenta torcer o destino
cantando, em vez de chorar!
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(Ulysses de Carvalho Junior)
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No refulgir de uma estrela
há dois pontos principais:
do sonhador que quer vê-la
e do que não sonha mais.
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(José Augusto Fernandes)
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Ilustração publicada em 1918.–
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Tasso da Silveira
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A cantiga que cantavas
não tinha acompanhamento
nem de nenhum instrumento
nem de outra voz, nem de vento,
nem de água em murmúrio vão.
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Subia pura na noite.
Subia serenamente
fresca, simples, inocente,
para os astros, para a lua,
no seio da solidão.
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Afora o canto que entoavas,
tudo era recolhimento
no vasto e perdido mundo.
Tudo era êxtase profundo.
Ao teu canto claro e lento,
tudo era deslumbramento.
Não havia voz de vento,
nem água em murmúrio vão.
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Teu canto, no vasto mundo,
não tinha acompanhamento.
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Em: Antologia de poemas para a infância, vários autores, Rio de Janeiro, Ediouro:2004
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Tasso Azevedo da Silveira ( Brasil, 1895 – 1968) advogado e escritor. Um dos fundadores da Revista Fanal que circulou de 1911 a 1913. Pertenceu ao movimento de vanguarda literária no Paraná.
Obras:
A igreja silenciosa, 1911
Fio d’água, poesia, 1918
A alma heróica dos homens, poesia, 1924
Alegria criadora: 1922-1925, ensaios, 1928
As imagens acesas, poesia, 1928
Alegorias do homem novo
Canto do Cristo do Corcovado, poesia, 1931
Canto absoluto, 1940
Discurso ao povo infiel
Cantos do campo de batalha, poesia, 1945
Contemplação do eterno, poesia, 1952
Canções a Curitiba, poesia, 1955
Puro canto, poesia, 1956
Regresso à origem, poesia, 1960
Poemas de antes, poesia, s/d
As mãos e o espírito, teatro, 1957
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Ilustração de Maurício de Sousa.–
Quando a noite vai embora,
a aurora vem, de mansinho,
despertando fauna e flora
na mata e no ribeirinho.
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(Marcos Medeiros)
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Desconheço a autoria da ilustração, acredito que seja capa de um número de verão da revista americana Modern Priscilla, que deixou de existir por volta de 1930 depois de algumas décadas de existência. Já procurei mas ainda não achei a autoria, qualquer dica será bem-vinda.–
As nuvens já vão chegando,
voltam barcos, devagar;
as aves surgem flanando…
e você não vai voltar?…
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(Luiz Pereira de Faro)
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Ilustração Maurício de Sousa.–
Vovó, teu nome é ternura,
canção de amor e amizade.
Quem te possui, que ventura!
Quem te perdeu, que saudade!
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(Nair Starling dos Santos Almeida)
Ilustração de John Newton Howitt, para a capa da Revista Holland’s de maio de 1929.–
Eu fico pasmo, por certo,
vendo Deus, perfeito assim,
esquecer o cofre aberto
do perfume do jasmim…
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(Lacy José Raymundi)
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Menina ao telefone, ilustração de Meredith Johnson.
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José Elias
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Mal tocava o telefone,
Lili corria pra atender.
Só sabia falar: – Alô! Alô!
Qual é o seu nome?
E ficava naquele alô alô danado,
sem chamar quem foi chamado.
Um dia, foi atender,
como sempre apressadinha,
e saiu daquele alô, alô:
— Aqui é Lili. Aí, quem fala?
A fala falou grosso,
do outro lado da linha:
– Quem fala é o fantasminha!
Hahahahá, é o fantasminha!
Agora , se o telefone toca,
Lili nem se toca
ou fica meio encolhidinha.
Tem vontade de atender, mas…
e se for o fantasminha?!
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Em: Caixa mágica de surpresa, José Elias, São Paulo: Paulus, 1984.