Quadrinha da colcha de retalhos

13 01 2013

COSTURA FruitGardenAndHome1923-04a

Ilustração: capa da revista Fruit, Home & Garden, de abril de 1923 (EUA).

Numa colcha de retalhos
costurei nossas lembranças
e alinhavei os atalhos
com a linha da esperança.

(Alice Cristina Velho Brandão)





A flor, poema de Afonso Louzada

12 01 2013

20120923gogh-60

Vaso com oleandro e livros, 1888

Vincent van Gogh (Holanda,1853-1890)

óleo sobre tela 60 x 73 cm

Metropolitan Museum, Nova York

A flor

Afonso Louzada

Talvez marcando o poema, em livro antigo,

encontrei uma flor já ressequida.

Velha história de amor… penso comigo,

pondo-me a ler a página esquecida.

Quem à flor nesse livro deu abrigo,

quem sabe? procurou tê-la escondida –

do amor sentindo o grande abraço amigo,

para a própria saudade comovida.

E o que ficou daquele amor profundo?

Talvez agora, já não resta nada

De tudo que era sonho e que era vida.

Sob o silêncio lúgubre do mundo,

Apenas essa flor abandonada –

marcando a velha página esquecida.

Em: Sonetos, Afonso Louzada, Rio de Janeiro, 1956, 2ª edição aumentada.





Quadrinha do bem viver

10 01 2013

cantando, menino,

Sem dar chance ao desatino,
quando a dor te atormentar,
tenta torcer o destino
cantando, em vez de chorar!

(Ulysses de Carvalho Junior)





Quadrinha das estrelas

9 01 2013

céu estrelado Elisabeth Montgomery

Ilustração de Elizabeth Montgomery.

No refulgir de uma estrela

há dois pontos principais:

do sonhador que quer vê-la

e do que não sonha mais.

(José Augusto Fernandes)





A cantiga que cantavas, poesia infantil de Tasso da Silveira

8 01 2013

musica no jardim, 1918Ilustração publicada em 1918.

A cantiga que cantavas

Tasso da Silveira

A cantiga que cantavas

não tinha acompanhamento

nem de nenhum instrumento

nem de outra voz, nem de vento,

nem de água em murmúrio vão.

Subia pura na noite.

Subia serenamente

fresca, simples, inocente,

para os astros, para a lua,

no seio da solidão.

Afora o canto que entoavas,

tudo era recolhimento

no vasto e perdido mundo.

Tudo era êxtase profundo.

Ao teu canto claro e lento,

tudo era deslumbramento.

Não havia voz de vento,

nem água em murmúrio vão.

Teu canto, no vasto mundo,

não tinha acompanhamento.

Em: Antologia de poemas para a infância, vários autores, Rio de Janeiro, Ediouro:2004

Tasso Azevedo da Silveira ( Brasil, 1895 – 1968) advogado e  escritor. Um dos fundadores da Revista Fanal que circulou de 1911 a 1913.  Pertenceu ao movimento de vanguarda literária no Paraná.

Obras:

A igreja silenciosa, 1911

Fio d’água, poesia, 1918

A alma heróica dos homens, poesia, 1924

Alegria criadora: 1922-1925, ensaios, 1928

As imagens acesas, poesia, 1928

Alegorias do homem novo

Canto do Cristo do Corcovado, poesia, 1931

Canto absoluto, 1940

Discurso ao povo infiel

Cantos do campo de batalha, poesia, 1945

Contemplação do eterno, poesia, 1952

Canções a Curitiba, poesia, 1955

Puro canto, poesia, 1956

Regresso à origem, poesia, 1960

Poemas de antes, poesia, s/d

As mãos e o espírito, teatro, 1957





Quadrinha do amanhecer

7 01 2013

manhã de sol 4Ilustração de Maurício de Sousa.

Quando a noite vai embora,

a aurora vem, de mansinho,

despertando fauna e flora

na mata e no ribeirinho.

(Marcos Medeiros)





Quadrinha da tua volta…

5 01 2013

barquinhoDesconheço a autoria da ilustração, acredito que seja capa de um número de verão da revista americana Modern Priscilla, que deixou de existir por volta de 1930 depois de algumas décadas de existência. Já procurei mas ainda não achei a autoria, qualquer dica será bem-vinda.

As nuvens já vão chegando,

voltam barcos, devagar;

as aves surgem flanando…

e você não vai voltar?…

(Luiz Pereira de Faro)





Quadrinha da vovó

3 01 2013

avóIlustração Maurício de Sousa.

Vovó, teu nome é ternura,
canção de amor e amizade.
Quem te possui, que ventura!
Quem te perdeu, que saudade!

(Nair Starling dos Santos Almeida)





Trova [Quadrinha] sobre o jasmim

2 01 2013
primavera John Newton Howitt, Hollands, may1929Ilustração de John Newton Howitt, para a capa da Revista Holland’s de maio de 1929.

Eu fico pasmo, por certo,
vendo Deus, perfeito assim,
esquecer o cofre aberto
do perfume do jasmim…

(Lacy José Raymundi)





Lili e o telefone, poesia infantil de José Elias

2 01 2013

telefone, meredith johnsonMenina ao telefone, ilustração de Meredith Johnson.

Lili e o telefone

José Elias

Mal tocava o telefone,

Lili corria pra atender.

Só sabia falar: – Alô! Alô!

Qual é o seu nome?

E ficava naquele alô alô danado,

sem chamar quem foi chamado.

Um dia, foi atender,

como sempre apressadinha,

e saiu daquele alô, alô:

— Aqui é Lili. Aí, quem fala?

A fala falou grosso,

do outro lado da linha:

– Quem fala é o fantasminha!

Hahahahá, é o fantasminha!

Agora , se o telefone toca,

Lili nem se toca

ou fica meio encolhidinha.

Tem vontade de atender, mas…

e se for o fantasminha?!

 –

Em:  Caixa mágica de surpresa, José Elias, São Paulo: Paulus, 1984.