Quadrinha da família

18 03 2013

jantar em família Arthur SarnoffThanksgiving

Jantar em família, ilustração de Arthur Sarnoff.

A união se faz maior
em noite fria que tenha
uma família em redor
de um velho fogão de lenha.

(Eduardo A. O. Toledo)





O sorveteiro, poesia infantil de Maria de Lourdes Figueiredo

15 03 2013

sorveteiroIlustração de Maurício de Sousa.

O sorveteiro

Maria de Lourdes Figueiredo

A luz atrai mariposas,

o melado, formiguinhas;

e, como a flor as abelhas,

sorvete atrai criancinhas.

Mal se escuta, ao longe, o grito:

— É o sorvete! Vai querer?

Aparecem sem demora,

as crianças a correr.

Quero um de creme — diz Paulo;

pede Lúcia: — Um de abacate.

— Eu, de manga! — Um de morango!

— Eu quero um de chocolate!

Saem todos bem contentes,

com seu sorvete na mão;

menos Rosinha. Que pena!

O dela caiu no chão…

Em: O mundo das crianças: poemas e rimas, vol 1,  Rio de Janeiro, Delta: 1975, p.112





Paz da consciência, poesia para a infância, de Adelmar Tavares

9 03 2013

plantar, ajudando o papai, eloise wilkinIlustração de Eloise Wilkin.

Paz da consciência

Adelmar Tavares

Paz da consciência: eis a única riqueza
Da tua vida de trabalhador.
Ela fará palácio de realeza,
A cabana onde more o teu amor.

Teu dia será sempre de beleza.
Teu pão não travará pelo amargor
De o teres arrancado à alheia mesa.
Pão de trabalho é pão que sabe a flor. . .

Nas boas horas de êxtase, de calma,
Verás teu pensamento em luz serena,
E um céu, todo de estrelas, na tua alma.

E ao fundo do teu justo coração,
Como um campo verde, ao som da avena,
Ovelhas, muito brancas, dormirão. . .


Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta.

adelmar_tavares

Adelmar Tavares (Brasil, PE, 1888-  RJ, 1963) advogado, poeta, trovador.  Formou-se como advogado pela Universidade de Pernambuco, no Recife, sua cidade natal, em 1909, quando se nudou para o Rio de Janeiro onde trabalhou como promotor público. membro da Academia Brasileira de Letras.Faleceu no Rio de Janeiro em 1963.

Obras:

Descantes – trovas, 1907

Trovas e trovadores – conferência, 1910

Luz dos meus olhos, Myriam – poesia, 1912

A poesia das violas – poesia, 1921

Noite cheia de estrelas – poesia, 1923

A linda mentira – prosa, 1926

Poesias, 1929

Trovas, 1931

O caminho enluarado – poesia,1932

A luz do altar – poesia,1934

Poesias escolhidas, 1946

Poesias completas, 1958





Quadrinha do orvalho

6 03 2013

flor, Yan NascimbeneIlustração  Yan Nascimbene.

Orvalha, e da flor molhada
brota uma lágrima, e corre.
– Silêncio!, que a madrugada
pranteia a noite que morre…

(Elton Carvalho)





Canção da Garoa, poesia infantil de Mário Quintana

4 03 2013

chuva, ilustração  Walter CraneIlustração Walter Crane.

Canção da Garoa

Mário Quintana

Em cima do telhado

Pirulin lulin lulin,

Um anjo, todo molhado,

Soluça no seu flautim.

 –

O relógio vai bater:

As molas rangem sem fim.

O retrato na parede

Fica olhando para mim.

 –

E chove sem saber porquê

E tudo foi sempre assim!

Parece que vou sofrer:

Pirulin lulin lulin…

 





Identidade, poema infantil de Carlos Queiroz Telles

1 03 2013

praia, Wesley Snyder

Praia, ilustração de Wesley Snyder.

Identidade

Carlos Queiroz Telles

Cabelos molhados,
sol encharcado,
pele salgada,
vento nos olhos,
areia nos pés.

O corpo sem peso
é nuvem à-toa.
O tempo inexiste.
a vida é uma boa!

Mergulho na água
azul deste céu.
Sou peixe de ar.
Sou ave de mar.

Mergulho em mim mesmo,
silêncio profundo.
Sou eu e sou Deus
de passagen no mundo,
nadando sem rumo
entre conchas e paz.

Em: Sonhos, grilos e paixões, Carlos Queiroz Telles, São Paulo, Moderna: 1990

 





Quadrinha do vento

27 02 2013

vento, andré edoaurd marty, 1919

Vento, cartão postal, ilustração de André Edouard Marty, 1919.

O vento, com seus gemidos,

que só a dor sabe tê-los,

gelado como a saudade,

vem me beijar os cabelos.

(Manuel Lins Caldas) [pseud. Daslak]





Quadrinha do caminho da vida

26 02 2013

primeira flor do jardim, ilustração martyPrimeira flor do jardim, ilustração de A. E. Marty.

Do berço à tumba há um caminho,

que todos têm de transpor:

de passo a passo – um espinho,

de légua em légua – uma flor.

(Belmiro Braga )





O corvo e a raposa, poema e fábula, Bocage

24 02 2013

1289703457Ilustração de John Rae.

O corvo e a raposa

Bocage

——————-(tradução de La Fontaine)

 –

É fama que estava o corvo

Sobre uma árvore pousado

E que no sôfrego bico

Tinha um queijo atravessado.

Pelo faro, àquele sítio

Veio a raposa matreira,

A qual, pouco mais ou menos,

Lhe falou desta maneira:

– Bons dias, meu lindo corvo;

És glória desta espessura;

És outra fênix, se acaso

Tens a voz como a figura.

A tais palavras, o corvo,

Com louca, estranha afouteza,

Por mostrar que é bom solista

Abre o bico e solta a presa.

Lança-lhe a mestra o gadanho

E diz: – Meu amigo, aprende

Como vive o lisonjeiro

À custa de quem o atende.

Esta lição vale um queijo;

Tem destas para teu uso.

Rosna então consigo o corvo

Envergonhado e confuso:

– Velhaca, deixou-me em branco;

Fui tolo em fiar-me dela;

Mas este logro me livra

De cair noutra esparrela.





Quadrinha do bom pintor

22 02 2013

artista pintor mickeyMickey quer ser pintor, ilustração de Walt Disney.

O bom pintor, quando pinta
para dar vida à aquarela,
põe mais amor do que tinta
no sentimento da tela.


(José Lucas de Barros)