O vizinho do lado, poesia infantil de Pedro Bandeira

26 04 2013

bicicleta, com cachorro na cestinhaIlustração de autoria desconhecida.

O Vizinho do lado

Pedro Bandeira

Não suporto o meu vizinho!

Imagine que o danado,

com a cara mais lavada,

passa pela minha frente

como se eu não fosse nada.

Não suporto o meu vizinho!

Roda pelo bairro todo,

Sem prestar nem atenção,

e se esquece que uma vez

lhe emprestei o meu pião.

Não suporto o meu vizinho!

É um moleque egoista,

pedalando assim a esmo,

não quer nem saber dos outros,

pois só pensa em si mesmo.


Não suporto o meu vizinho!

Se eu pudesse, agora mesmo

me mudava da cidade,

ou melhor: mudava ele

pra bem longe, na verdade.

Não suporto meu vizinho!

Ele tem cara de bobo,

de embrulho sem barbante,

de bocó e de pateta.

Ah, moleque feio e tolo!

Pensa que é muito importante

só porque tem bicicleta.

Eu só vou mudar de ideia

de uma forma bem completa,

se o danado do vizinho

me emprestar a bicicleta…

Em: Cavalgando o arco-iris, São Paulo, Moderna: 1986.





Quadrinha do rio pedregoso

23 04 2013

rio pedregoso, hergéRio pedregoso, ilustração de Hergé.

Já repararam que o rio,

quando vai a caminhar,

é nas pedras do caminho

que mais parece cantar?

(Albercyr Camargo)





Embalo, poesia infantil de Ribeiro Couto

16 04 2013

mãe e filho Jessie Willcox SmithMãe e filho, ilustração de Jessie Willcox Smith.

Embalo

Ribeiro Couto

Cantando e ninando

A mãe adormece.

Que regaço brando!

A sombra parece

Tutu marambaia

Com uma boca enorme.

Que regaço brando!

O menino esquece

Que tem medo e dorme.

Mas  o anjo da guarda,

Que à noite não dorme,

No quarto não tarda.

Anjo ou capitão?

Espada na cinta,

Ginete na mão.

Põe junto da saia

Da mãe do menino

A espada a brilhar.

Que espada medonha!

É para matar

Tutu marambaia?

O menino sonha.

Em: Antologia de poemas para a infância, vários autores, Rio de Janeiro, Ediouro:2004





Quermesse, poema de Mário Mauro Matoso

13 04 2013

Bonaventura Cariolato (Itália 1894-Brasil, 1989) -Festa na aldeia,aquarela ,1965,Bairro da Boa Vista em Franca, 33 x 40 cm.

Festa na aldeia, 1965

Bonaventura Cariolato (Itália/Brasil, 1894-1989)

[Bairro da Boa Vista, em Franca]

óleo sobre tela, 33 x 40 cm

Quermesse

Mário Mauro Matoso

Recordo uma quermesse em Santa Rita…

A praça principal, ornamentada,

A Banda no coreto, entusiasmada,

Executando a marcha favorita…

Defronte a uma barraca, a petizada

De olhos fitos na prenda mais bonita…

O Correio elegante… a senhorita

Que outrora fora minha namorada.

A barraca do Bar e do Café,

O bloco do catira, o bate-pé

Sobre um tablado, rústico e bisonho…

Assim é que relembro nossa terra,

A cidade feliz que se descerra

Na perpétua quermesse do meu sonho!

Em: 232 Poetas Paulistas:antologia,  ed. e col. Pedro de Alcântara Worms, São Paulo, Conquista: 1968, p. 473.

Mário Mauro Matoso [Mattoso] (SP, 1902- ?) . Poeta.

Obra:

Flâmulas e Flores, poesia, 1964





Quadrinha das borboletas

10 04 2013

borboletas e lagarta Christina RosettiIlustração de Christina Rossetti.

Lá estão as borboletas…
coloridas, no infinito;
nas asas levam facetas
do meu sonho mais bonito!
(Giva da Rocha)




Acalanto de John Talbot, poesia de Manuel Bandeira

7 04 2013

mãe ninando o bebe. frederick richardson, 1975

Ilustração de Frederick Richardson, 1975.
Acalanto de John Talbot

Manuel Bandeira

Dorme, meu filhinho,

Dorme sossegado.

Dorme que ao teu lado

Cantarei baixinho.

O dia não tarda…

Vai amanhecer:

Como é frio o ar!

O anjinho da guarda

Que o Senhor te deu,

Pode adormecer,

Pode descansar,

Que te guardo eu.

Em: Que aconteceu?, Primeiro Livro, Magdala Lisboa Bacha, Rio de Janeiro, Agir: 1962





Trova do pantanal

6 04 2013

Wander melo,TUIUIUS-2009,ast-120x80Tuiuius, 2009

Wander Melo (Brasil, contemporâneo)

Acrílica sobre tela, 120 x 80 cm

http://wmeloarts.blogspot.com.br

Em bando sutil, as garças,

pontilhando o lamaçal,

são quais pérolas esparsas, 

adornando o pantanal.

 –

(Dorothy Jansson Moretti)





Manhãs, poesia de Irene de Sousa Pinto

5 04 2013

Ferenc Kiss, Fazenda Torrão de Oouro, 1990, osm, 24x33

Fazenda Torrão de Ouro, 1990

Ferenc Kiss  (Hungria/Brasil,  1944)

Óleo sobre madeira, 24 x 33 cm

Manhãs

Cedo, na roça, estática, à janela,

Gozo destas manhãs a graça imensa;

E o sol, que é generoso, entra por ela

A dar topázios, sem pedir licença.

A luz se expande e a vida se revela

No cafezal e na campina extensa;

Ouço mugirem bois junto à cancela

E o gorjeio das aves que se adensa.

No fio além do telefone, em linha

Como rosários, cantam andorinhas,

Saudando o sol na fímbria do levante.

 E pelo branco laranjal em flor

Semeia o vento o pólen fecundante

Sobre corolas sôfregas de amor…

Em: 232 Poetas Paulistas:antologia,  ed. e col. Pedro de Alcântara Worms, São Paulo, Conquista: 1968, p. 143

Irene Ferreira de Sousa Pinto (Brasil, SP, 1887- RJ, 1944) Nasceu em Amparo, no estado de São Paulo em 1887.  Poetisa e escritora.

Obras:

Primeiros vôos, 1917

Rosa-maria, 1920





Gaiola, poesia de José Ildone

3 04 2013
passarinho na gaiola 5Ilustração: desconheço a autoria, 1910-20.

Gaiola

José Ildone

Entre grades

passa

o canto

-manco.

Em: A Lira da minha terra: poetas antigos e contemporâneos do Pará, ed. Clóvis Meira, Belém, Pará: 1993, p. 243

José Ildone Favacho Soeiro (PA, 1942) poeta, prosador e professor de português e de literatura luso-brasileira.





Quadrinha do tropeiro

2 04 2013

henry chamberlain, tropeiros no rj

Tropeiros no Rio de Janeiro

Henry Chamberlain (Inglaterra 1796-1844)

Gravura  em Views and costumes of the city and neighbourhood of Rio de Janeiro, 1822

O tropeiro viajante
que em nossa terra surgiu,
foi marco muito importante
no progresso do Brasil.

(Alda Lopes Rezende)