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Jantar em família, ilustração de Arthur Sarnoff.
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A união se faz maior
em noite fria que tenha
uma família em redor
de um velho fogão de lenha.
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(Eduardo A. O. Toledo)
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A união se faz maior
em noite fria que tenha
uma família em redor
de um velho fogão de lenha.
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(Eduardo A. O. Toledo)
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Ilustração de Maurício de Sousa.–
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Maria de Lourdes Figueiredo
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A luz atrai mariposas,
o melado, formiguinhas;
e, como a flor as abelhas,
sorvete atrai criancinhas.
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Mal se escuta, ao longe, o grito:
— É o sorvete! Vai querer?
Aparecem sem demora,
as crianças a correr.
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Quero um de creme — diz Paulo;
pede Lúcia: — Um de abacate.
— Eu, de manga! — Um de morango!
— Eu quero um de chocolate!
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Saem todos bem contentes,
com seu sorvete na mão;
menos Rosinha. Que pena!
O dela caiu no chão…
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Em: O mundo das crianças: poemas e rimas, vol 1, Rio de Janeiro, Delta: 1975, p.112
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Ilustração de Eloise Wilkin.–
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Adelmar Tavares
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Paz da consciência: eis a única riqueza
Da tua vida de trabalhador.
Ela fará palácio de realeza,
A cabana onde more o teu amor.
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Teu dia será sempre de beleza.
Teu pão não travará pelo amargor
De o teres arrancado à alheia mesa.
Pão de trabalho é pão que sabe a flor. . .
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Nas boas horas de êxtase, de calma,
Verás teu pensamento em luz serena,
E um céu, todo de estrelas, na tua alma.
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E ao fundo do teu justo coração,
Como um campo verde, ao som da avena,
Ovelhas, muito brancas, dormirão. . .
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Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta.
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Adelmar Tavares (Brasil, PE, 1888- RJ, 1963) advogado, poeta, trovador. Formou-se como advogado pela Universidade de Pernambuco, no Recife, sua cidade natal, em 1909, quando se nudou para o Rio de Janeiro onde trabalhou como promotor público. membro da Academia Brasileira de Letras.Faleceu no Rio de Janeiro em 1963.
Obras:
Descantes – trovas, 1907
Trovas e trovadores – conferência, 1910
Luz dos meus olhos, Myriam – poesia, 1912
A poesia das violas – poesia, 1921
Noite cheia de estrelas – poesia, 1923
A linda mentira – prosa, 1926
Poesias, 1929
Trovas, 1931
O caminho enluarado – poesia,1932
A luz do altar – poesia,1934
Poesias escolhidas, 1946
Poesias completas, 1958
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Ilustração Yan Nascimbene.–
Orvalha, e da flor molhada
brota uma lágrima, e corre.
– Silêncio!, que a madrugada
pranteia a noite que morre…
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(Elton Carvalho)
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Ilustração Walter Crane.–
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Mário Quintana
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Em cima do telhado
Pirulin lulin lulin,
Um anjo, todo molhado,
Soluça no seu flautim.
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O relógio vai bater:
As molas rangem sem fim.
O retrato na parede
Fica olhando para mim.
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E chove sem saber porquê
E tudo foi sempre assim!
Parece que vou sofrer:
Pirulin lulin lulin…
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Carlos Queiroz Telles
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Cabelos molhados,
sol encharcado,
pele salgada,
vento nos olhos,
areia nos pés.
O corpo sem peso
é nuvem à-toa.
O tempo inexiste.
a vida é uma boa!
Mergulho na água
azul deste céu.
Sou peixe de ar.
Sou ave de mar.
Mergulho em mim mesmo,
silêncio profundo.
Sou eu e sou Deus
de passagen no mundo,
nadando sem rumo
entre conchas e paz.
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Em: Sonhos, grilos e paixões, Carlos Queiroz Telles, São Paulo, Moderna: 1990
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O vento, com seus gemidos,
que só a dor sabe tê-los,
gelado como a saudade,
vem me beijar os cabelos.
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(Manuel Lins Caldas) [pseud. Daslak]
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Primeira flor do jardim, ilustração de A. E. Marty.–
Do berço à tumba há um caminho,
que todos têm de transpor:
de passo a passo – um espinho,
de légua em légua – uma flor.
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(Belmiro Braga )
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Ilustração de John Rae.–
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Bocage
——————-(tradução de La Fontaine)
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É fama que estava o corvo
Sobre uma árvore pousado
E que no sôfrego bico
Tinha um queijo atravessado.
Pelo faro, àquele sítio
Veio a raposa matreira,
A qual, pouco mais ou menos,
Lhe falou desta maneira:
– Bons dias, meu lindo corvo;
És glória desta espessura;
És outra fênix, se acaso
Tens a voz como a figura.
A tais palavras, o corvo,
Com louca, estranha afouteza,
Por mostrar que é bom solista
Abre o bico e solta a presa.
Lança-lhe a mestra o gadanho
E diz: – Meu amigo, aprende
Como vive o lisonjeiro
À custa de quem o atende.
Esta lição vale um queijo;
Tem destas para teu uso.
Rosna então consigo o corvo
Envergonhado e confuso:
– Velhaca, deixou-me em branco;
Fui tolo em fiar-me dela;
Mas este logro me livra
De cair noutra esparrela.
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Mickey quer ser pintor, ilustração de Walt Disney.–
O bom pintor, quando pinta
para dar vida à aquarela,
põe mais amor do que tinta
no sentimento da tela.
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(José Lucas de Barros)