Trova do caminho

6 01 2025
Ilustração, 2007,  Yan Nascimbene (França)

 

 

Quando há pedras nos caminhos,
não fujo rumo aos atalhos,
sou daqueles passarinhos
que não temem espantalhos.

(Ney Damasceno)





Trova de Natal

10 12 2024

Que na Árvore de Natal
viceje a fraternidade,
e cada enfeite, afinal
seja um fruto de amizade!

 

(Arthur Francisco Baptista)





Trova do Natal

7 12 2024
Ilustração Jimmy Liao.

 

Que na Árvore de Natal
viceje a fraternidade,
e cada enfeite, afinal,
seja um fruto de amizade!

 

(Arthur Francisco Baptista)





Trova de Natal

6 12 2024
Ilustração de Hergé

 

 

 

Natal: presépio, lapinha,
Missa do Galo… Afinal,
esta saudade tão minha
é que enfeita o meu Natal!

(Isaías Ramires)





Trova do Natal

5 12 2024
Ilustração Almar Zaadstra (Austrália, 1960)

 

Vamos cantar o Natal,
pois é tempo de alegrias…
Porém seria ideal
Cantá-lo todos os dias!

 

(Joaquim Carlos)





Trova da arte

14 11 2024
Ilustração Walt Disney

 

Um sorriso em um semblante,

um quarto, uma ceia, um grito…

Arte é o que faz de um instante

um resumo… do infinito.

 

(Sérgio Ferreira da Silva)





“Dona Santa” poesia de Olavo Nunes

11 11 2024
Ilustração de Frederick Richardson, 1975

 

 

Dona Santa

 

Olavo Nunes   (1871-1942)

 

Quando ela passa, risonha e pura,

De arzinho honesto, cheia de graça…

Todos murmuram: Que formosura!…

Quando ela passa…

 

Flores rebentam pelo caminho

Sob os pezinhos que a bota enlaça;

Beijos se escutam de ninho a ninho,

Quando ela passa…

 

Seguem-na olhares cheios de gula

Como os da fera fitando a caça,

Olhares meigos que amor açula,

Quando ela passa…

 

Boca vermelha que o riso enflora

Cintura fina que um dedo abraça,

Parece ver-se Nossa Senhora,

Quando ela passa…

 

À luz dos olhos dessa menina

Deserta o pranto, foge a desgraça;

Com grande afeto tudo se inclina,

Quando ela passa…

 

Sombrero alegre, cheio de fita,

Vestido leve de fina cassa,

Gosto de vê-la assim tão bonita,

Quando ela passa…

 

Trinulam aves pelas umbrosas

Ramas que o vento no alto entrelaça,

E abelhas d’oiro desfolham rosas,

Quando ela passa…

 

Quando ela passa, risonha e pura,

De arzinho honesto, cheia de graça…

Todos murmuram: Que formosura!…

Quando ela passa…

 

Em: Coelho Netto e a Mina Literária, Imprensa de Alfredo Silva, Pará: 1899, pp 34-36





Amar ou odiar, soneto de Fausto Guedes Teixeira

6 11 2024
Ilustração de Lane Timothy.
Amar ou odiar

 

Fausto Guedes Teixeira

 

Amar ou odiar: ou tudo ou nada!

O meio termo é que não pode ser.

A alma tem que estar sobressaltada

Para o nosso barro se sentir viver…

 

Não é uma cruz a que não for pesada,

Metade de um prazer não é um prazer;

E quem quiser a alma sossegada,

Fuja do mundo e deixe-se morrer!

 

Vive-se tanto mais quando se sente:

Todo o valor está no que sofremos.

Que nenhum homem seja indiferente!

 

Amemos muito como odiamos já:

A verdade está sempre nos extremos

Porque é no sentimento que ela está!





Dia de Finados: 2 de novembro

2 11 2024

O enterro de Atala, 1808

Anne-Louis Girodet (França, 1767-1824)

óleo sobre tela, 207 x 267 cm

Louvre

 

 

Dia de Finados

 

Juvenal Galeno

 

Hoje, Dia de Finados,

Às campas os vivos vão

Aos mortos render menagem;

Mas, com certa ostentação…

E eu visito um cemitério

Dentro do meu coração.

 

Ai, nele, quantos sepulcros,

Quantas cruzes no seu chão:

Amores da primavera,

Amores do meu verão,

Que em meu outono revejo

Dentro do meu coração.

 

Quantas florinhas fanadas,

Ai, murchas ‘inda em botão;

Quanta esperança perdida,

Ai, quanta morta ilusão…

Aqui todas sepultadas

Dentro do meu coração.

 

E quantas cruzes de amigos,

Lembrando dedicação;

De amigos que me deixaram

Chorando na solidão,

Neste triste cemitério,

Dentro do meu coração.

 

Onde cultivo flores,

Eis minha consolação;

A saudade, a sempre-viva,

Perpétua recordação,

Para enfeitar suas campas,

Dentro do meu coração.

 

E minh’alma ajoelhada

Nesta santa região,

Entoa sentidas preces

Da mais pura devoção,

Entre ciprestes e cruzes,

Dentro do meu coração.

 

 

Ceará, 2 de novembro de 1904





Trova popular, anônima

25 10 2024

Meu pai julga que me tem

fechadinha na varanda.

Coitadinho de meu pai

que bem enganado anda…

 

(Cultura popular)