Ilustração, 2007, Yan Nascimbene (França)
Quando há pedras nos caminhos,
não fujo rumo aos atalhos,
sou daqueles passarinhos
que não temem espantalhos.
(Ney Damasceno)
Quando há pedras nos caminhos,
não fujo rumo aos atalhos,
sou daqueles passarinhos
que não temem espantalhos.
(Ney Damasceno)
Que na Árvore de Natal
viceje a fraternidade,
e cada enfeite, afinal
seja um fruto de amizade!
(Arthur Francisco Baptista)
Que na Árvore de Natal
viceje a fraternidade,
e cada enfeite, afinal,
seja um fruto de amizade!
(Arthur Francisco Baptista)
Natal: presépio, lapinha,
Missa do Galo… Afinal,
esta saudade tão minha
é que enfeita o meu Natal!
(Isaías Ramires)
Vamos cantar o Natal,
pois é tempo de alegrias…
Porém seria ideal
Cantá-lo todos os dias!
(Joaquim Carlos)
Um sorriso em um semblante,
um quarto, uma ceia, um grito…
Arte é o que faz de um instante
um resumo… do infinito.
(Sérgio Ferreira da Silva)
Olavo Nunes (1871-1942)
Quando ela passa, risonha e pura,
De arzinho honesto, cheia de graça…
Todos murmuram: Que formosura!…
Quando ela passa…
Flores rebentam pelo caminho
Sob os pezinhos que a bota enlaça;
Beijos se escutam de ninho a ninho,
Quando ela passa…
Seguem-na olhares cheios de gula
Como os da fera fitando a caça,
Olhares meigos que amor açula,
Quando ela passa…
Boca vermelha que o riso enflora
Cintura fina que um dedo abraça,
Parece ver-se Nossa Senhora,
Quando ela passa…
À luz dos olhos dessa menina
Deserta o pranto, foge a desgraça;
Com grande afeto tudo se inclina,
Quando ela passa…
Sombrero alegre, cheio de fita,
Vestido leve de fina cassa,
Gosto de vê-la assim tão bonita,
Quando ela passa…
Trinulam aves pelas umbrosas
Ramas que o vento no alto entrelaça,
E abelhas d’oiro desfolham rosas,
Quando ela passa…
Quando ela passa, risonha e pura,
De arzinho honesto, cheia de graça…
Todos murmuram: Que formosura!…
Quando ela passa…
Em: Coelho Netto e a Mina Literária, Imprensa de Alfredo Silva, Pará: 1899, pp 34-36
Fausto Guedes Teixeira
Amar ou odiar: ou tudo ou nada!
O meio termo é que não pode ser.
A alma tem que estar sobressaltada
Para o nosso barro se sentir viver…
Não é uma cruz a que não for pesada,
Metade de um prazer não é um prazer;
E quem quiser a alma sossegada,
Fuja do mundo e deixe-se morrer!
Vive-se tanto mais quando se sente:
Todo o valor está no que sofremos.
Que nenhum homem seja indiferente!
Amemos muito como odiamos já:
A verdade está sempre nos extremos
Porque é no sentimento que ela está!
O enterro de Atala, 1808
Anne-Louis Girodet (França, 1767-1824)
óleo sobre tela, 207 x 267 cm
Louvre
Juvenal Galeno
Hoje, Dia de Finados,
Às campas os vivos vão
Aos mortos render menagem;
Mas, com certa ostentação…
E eu visito um cemitério
Dentro do meu coração.
Ai, nele, quantos sepulcros,
Quantas cruzes no seu chão:
Amores da primavera,
Amores do meu verão,
Que em meu outono revejo
Dentro do meu coração.
Quantas florinhas fanadas,
Ai, murchas ‘inda em botão;
Quanta esperança perdida,
Ai, quanta morta ilusão…
Aqui todas sepultadas
Dentro do meu coração.
E quantas cruzes de amigos,
Lembrando dedicação;
De amigos que me deixaram
Chorando na solidão,
Neste triste cemitério,
Dentro do meu coração.
Onde cultivo flores,
Eis minha consolação;
A saudade, a sempre-viva,
Perpétua recordação,
Para enfeitar suas campas,
Dentro do meu coração.
E minh’alma ajoelhada
Nesta santa região,
Entoa sentidas preces
Da mais pura devoção,
Entre ciprestes e cruzes,
Dentro do meu coração.
— Ceará, 2 de novembro de 1904 —
Meu pai julga que me tem
fechadinha na varanda.
Coitadinho de meu pai
que bem enganado anda…
(Cultura popular)