
Vinho branco ou vinho tinto
depende do que acompanha;
em bodas sempre é distinto
o espumante ou champanha.
(Paulo Pereira Lima)

Vinho branco ou vinho tinto
depende do que acompanha;
em bodas sempre é distinto
o espumante ou champanha.
(Paulo Pereira Lima)
Menina com libélula
Nato Gomes (Brasil, contemporâneo)
acrílica, 20 x 28 cm
Gustavo Teixeira (1881-1927)
Entre os juncos das bordas da lagoa
Onde bebem a fera e a pomba mansa,
Voa a leve libélula, revoa,
E sutilmente sobre as águas dança.
Sem rumo, sobe e desce, gira à toa,
Fixa-se no ar e – alada flecha – avança.
Só quando a terra de astros se coroa,
A dançarina alígera descansa.
Num flexível caniço que a aura entorta
E oscila ao choque de uma folha morta,
Dorme, a sonhar com o lago, que se estrela.
Assim que a noite o lábaro desfralda,
O pirilampo acende em torno dela
Pequeninas auroras de esmeralda…
EM: Poesias completas, Gustavo Teixeira, Eme: 2018
O aplauso é a mais justa loa
que a um artista se concebe:
tão pouco, para quem doa;
tão bom, para quem recebe!
(José Ouverney)
Como riqueza do lar,
o bebê, que a mãe segura,
lembra a pérola do mar,
numa concha de ternura!
(Hegel Pontes)
Um filósofo de peso
é desta sentença o autor:
o beijo é fósforo aceso
na palha seca do amor.
(Bastos Tigre, 1882-1957)
Na rotunda
Francine van Hove (França, 1942)
óleo sobre tela, 50 x 65 cm
XXVII
Tite de Lemos
Nem tomes por virtude o que é defeito,
floreios de poetas amestrados,
nem tenhas por humano o que é perfeito,
coisa de heróis e deuses aplicados.
Deve ser que não levo muito jeito
ou quando pense certo faça errado
e ande torto julgando andar direito,
sujeito cego atrás do objeto amado.
Persigo a brevidade de um instante
que toda eternidade contivesse:
nisso me acho e nisso estou perdido
com desvelo tão quieto e tão constante
que vivê-lo, mais nada, me envaidece
e até nem cuido ser correspondido.
Em: Caderno de sonetos, Tite de Lemos, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1988. p. 63
Cidade geométrica, 1985
Cláudio Tozzi (Brasil, 1944)
acrílica sobre tela colada em madeira, 90 x 200 cm
A minha roça eu troquei
pelas luzes da cidade.
Nesse dia eu comecei
meu plantio de saudade!
(Arlindo Tadeu Hagen)
Leitora de livraria
David Hatfield (EUA, 1940)
Raul Bopp
Na praça. De tarde. Há batuque; Tambores.
Domingo de festa de São Benedito,
O sol se mistura com um sorriso na alegria de Caratatena,
Toda engravatada de bandeirolinhas.
E os negros chegam na “chegança”. O carimbó toca apressado
É domingo de festa de São Benedito.
Na boca do mato, de pouco em pouco, espouca um foguete.
Vem chegando a procissão, com o santo no andor, enfeitado de fita
E, num passo grave desfilam as velhas de olhos lúgubres, conversando com Deus:
“não deixem cair em tentação. Amém”.
As contas do meu rosário
São balas de artilheria
Se Deus não viesse ao mundo, meu Jesus,
Tristes de nós, que seria!
Na velha capela da praça bate o sino:
“Quem dá, dá; quem não dá, não tem nada que dá.”
Em: Poemas para a Infância: antologia escolar, editado por Henriqueta Lisboa, s/d, São Paulo: Edições de Ouro, p. 40-41.
Somente agora é que vejo
que tens razão, meu amor…
Quem paga beijo com beijo
tem sempre saldo a favor.
(Narciso Nery)