
Natal da minha velhice…
não sinto qualquer revolta:
– Papai Noel… ah! quem disse
que, em nós, o sonho não volta?
(Pompílio O. Vieira)

Natal da minha velhice…
não sinto qualquer revolta:
– Papai Noel… ah! quem disse
que, em nós, o sonho não volta?
(Pompílio O. Vieira)

Alphonsus de Guimaraens Filho
É Natal. Foram tantos os Natais…
Pois que é Natal mais uma vez, apreende
esse cântico longo que se estende
por terras, mares, não termina mais.
Natal mais uma vez. Uma vez mais,
o menino que só a estrela entende,
os pais que a treva inquieta, ela, a quem rende
a certeza das coisas abissais.
Pois que é Natal, pensemos no menino,
apenas no menino. E o contemplemos
no berço onde ora está, tão pequenino.
Já quanto aos pais, a meditar deixemos.
Sabem os pais qual a hora do destino.
Fingindo não saber, sonhando olhemos.
Em: Todos os sonetos, Alphonsus de Guimaraens Filho, Rio de Janeiro, Editora Galo Branco: 1996

Que saudades dos folguedos
dos meus Natais mais risonhos…
em que singelos brinquedos
amanheciam meus sonhos!
(João Freire Filho)
Chico Bento preparando a terra, ilustração de Maurício de Sousa.
O lavrador consciente
Que sabe reflorestar,
Quando tomba uma floresta,
Planta outra em seu lugar.
Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965
Ilustração Margaret Tarrant.
No meu Natal é rotina
deixar tudo no “capricho”:
no peito faço faxina e
jogo as mágoas no lixo!
(Élbea Priscila de S e Silva)
Ilustração de Alice Havers.
“Volta!”, eu peço, em voz bem alta!
Antes que a minha ansiedade
faça com que o “sentir falta”
passe a chamar- se… “saudade”…
(Izo Goldman)
Ilustração Stacy Curtis.
Vinícius de Moraes
Quer ver a foca
Ficar feliz?
É por uma bola
No seu nariz.
Quer ver a foca
Bater palminha?
É dar a ela
Uma sardinha.
Quer ver a foca
Fazer uma briga?
É espetar ela
Bem na barriga!
Em: A arca de Noé, Vinícius de Moraes, Livraria José Olympio Editora: 1984; Rio de Janeiro; 14ª edição, página 67-69.
Mulher lendo (esposa do pintor), 1962
Aaron Shikler (EUA, 1922–2015)
pastel sobre papelão, 50 x 44 cm
Cecília Meireles
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
– não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
– mais nada.
Em: Antologia Poética, Cecília Meireles, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira: 2001

Miranda, de A Tempestade, 1916
John William Waterhouse (GB, 1849 – 1917)
óleo sobre tela, 100 x 137 cm
Coleção Particular
Luís Pimentel
Nada restará depois das águas.
São assim as tempestades
que vêm quando menos se espera
ou quando mais se procura.
Nada sobrará desses barulhos
de raios, fogo e trovões aflitos,
corações aos gritos, a treva lá fora.
Nada restará deste silêncio,
além do pingo choroso na torneira.
Pouco a se fazer depois dos tombos:
desentupir os ralos, enterrar os mortos,
secar os panos e fechar as janelas.
Por fim seguir aos trancos e trancos,
até a queda do próximo barranco
— sem contornos, sem encostas.
Em: As miudezas da velha (e outros poemas miúdos), Luís Pimentel, Rio de Janeiro, Myrrha: 2003, 2ª edição, página 48. [Prêmio Jorge de Lima de Poesia, da União Brasileira de Escritores]
Cartão postal da Alemanha, de Ernst Kuzer, 1913.
Para de amor cantar mágoas,
foi que se fez o violão,
que a gente aperta no peito,
e encosta no coração…
(Adelmar Tavares)