Trova do sonho de Natal

22 12 2019

 

 

 

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Natal da minha velhice…

não sinto qualquer revolta:

– Papai Noel… ah! quem disse

que, em nós, o sonho não volta?

 

(Pompílio O. Vieira)





Soneto de Natal, Alphonsus de Guimaraens Filho

19 12 2019

 

 

 

3 REIS, baseado em xilogravura

 

 

Soneto de Natal

 

Alphonsus de Guimaraens Filho

 

 

É Natal. Foram tantos os Natais…

Pois que é Natal mais uma vez, apreende

esse cântico longo que se estende

por terras, mares, não termina mais.

 

Natal mais uma vez. Uma vez mais,

o menino que só a estrela entende,

os pais que a treva inquieta, ela, a quem rende

a certeza das coisas abissais.

 

Pois que é Natal, pensemos no menino,

apenas no menino. E o contemplemos

no berço onde ora está, tão pequenino.

 

Já quanto aos pais, a meditar deixemos.

Sabem os pais qual a hora do destino.

Fingindo não saber, sonhando olhemos.

 

Em: Todos os sonetos, Alphonsus de Guimaraens Filho, Rio de Janeiro, Editora Galo Branco: 1996





Trova do Natal

1 12 2019

 

 

 

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Que saudades dos folguedos

dos meus Natais mais risonhos…

em que singelos brinquedos

amanheciam meus sonhos!

 

(João Freire Filho)





Quadrinha da floresta

21 11 2019

 

 

???????????????????????????????Chico Bento preparando a terra, ilustração de Maurício de Sousa.

 

O lavrador consciente

Que sabe reflorestar,

Quando tomba uma floresta,

Planta outra em seu lugar.

 

 

Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965





Trova de Natal

18 11 2019

 

 

Margaret W TarrantIlustração Margaret Tarrant.

 

 

No meu Natal é rotina

deixar tudo no “capricho”:

no peito faço faxina e

jogo as mágoas no lixo!

 

(Élbea Priscila de S e Silva)

 





Trova da separação

7 11 2019

 

 

 

adeus, da janela, Alice HaversIlustração de Alice Havers.

 

 

“Volta!”, eu peço, em voz bem alta!

Antes que a minha ansiedade

faça com que o “sentir falta”

passe a chamar- se… “saudade”…

(Izo Goldman)





“A foca” poesia infantil de Vinícius de Moraes

4 11 2019

 

StacyCurtis19_7aslf4Ilustração Stacy Curtis.

 

 

A foca

 

Vinícius de Moraes

 

Quer ver a foca

Ficar feliz?

É por uma bola

No seu nariz.

 

Quer ver a foca

Bater palminha?

É dar a ela

Uma sardinha.

 

Quer ver a foca

Fazer uma briga?

É espetar ela

Bem na barriga!

 

 

Em: A arca de Noé, Vinícius de Moraes, Livraria José Olympio Editora: 1984; Rio de Janeiro; 14ª edição, página 67-69.





Motivo, poema de Cecília Meireles

17 10 2019

 

 

 

Aaron Shikler (EUA, 1922–2015)Mulher lendo (esposa do pintor), 1962, pastel sobre papelão, 50 x 44 cmMulher lendo (esposa do pintor), 1962

Aaron Shikler (EUA, 1922–2015)

pastel sobre papelão, 50 x 44 cm

 

Motivo

 

Cecília Meireles

 

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste

sou poeta.

 

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.

 

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

– não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

 

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

– mais nada.

 

 

Em: Antologia Poética, Cecília Meireles,  Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira: 2001





Tempestades, poesia de Luís Pimentel

3 10 2019

 

 

Miranda - The tempest, by John William Waterhouse

Miranda, de  A Tempestade, 1916

John William Waterhouse (GB, 1849 – 1917)

óleo sobre tela, 100 x 137 cm

Coleção Particular

 

 

Tempestades

 

Luís Pimentel

 

P/ Ferreira Gullar

 

Nada restará depois das águas.

 

São assim as tempestades

que vêm quando menos se espera

ou quando mais se procura.

 

Nada sobrará desses barulhos

de raios, fogo e trovões aflitos,

corações aos gritos, a treva lá fora.

 

Nada restará deste silêncio,

além do pingo choroso na torneira.

 

Pouco a se fazer depois dos tombos:

desentupir os ralos, enterrar os mortos,

secar os panos e fechar as janelas.

 

Por fim seguir aos trancos e trancos,

até a queda do próximo barranco

— sem contornos, sem encostas.

 

Em: As miudezas da velha (e outros poemas miúdos), Luís Pimentel, Rio de Janeiro, Myrrha: 2003, 2ª edição, página 48.   [Prêmio Jorge de Lima de Poesia, da União Brasileira de Escritores]

 





Trova do violão

29 09 2019

 

Artist Song Postcard Kutzer, Ernst, Frau und Mann, Gitarre, Deutscher Schulverein, 1913Cartão postal da Alemanha, de Ernst Kuzer, 1913.

 

Para de amor cantar mágoas,

foi que se fez o violão,

que a gente aperta no peito,

e encosta no coração…

 

(Adelmar Tavares)