Arca de Noé, 1978
Adelson do Prado (Brasil, 1944)
óleo sobre tela, 29 x 33 cm
Defendei, meu São Francisco,
os cachorrinhos e os gatos.
Protegei-os contra o risco
do abandono e dos maus-tratos.
(A. A. de Assis)
Arca de Noé, 1978
Adelson do Prado (Brasil, 1944)
óleo sobre tela, 29 x 33 cm
Defendei, meu São Francisco,
os cachorrinhos e os gatos.
Protegei-os contra o risco
do abandono e dos maus-tratos.
(A. A. de Assis)
Luiz Infante
Era uma vez um grilo
que morava numa gaiola
em grande estilo.
De cri-cri em cri-cri
Foi vivendo tranquilo
A comer alface ao quilo,
Quase tão voraz
Como qualquer esquilo.
Respondendo ao protesto
Sobre o ruído que fazia,
Disse com ironia
“Se era silêncio que queria
Era só pedi-lo,
Que um grilo não é
Uma telefonia”
Em: Poemas Pequeninos para Meninas e Meninos, Luiz Infante, V. N. de Gaia: Gailivro: 2003, p 40
Vou brincar com pirilampos
e beijar as flores nuas
pra ver se encontro nos campos
a paz que fugiu das ruas!
(José Lucas de Barros)
Menina do Rio Negro
Elon Brasil (Brasil, 1957)
óleo sobre lona e saco de café, 100 x100 cm
Michel Klejnberg
entre os cachos
sobre a orelha
vermelha
contra a pele
chocolate,
escarlate
dois sorrisos
lado a lado,
encarnado
uma rosa lhe brotou no gramado do cabelo
ou foi a flor que deu uma menina no caule?
Em: Confissuras, Michel Klenjnberg, Rio de Janeiro, Sete Letras: 2010. p. 40
Foste embora e por maldade
deixaste a troco de nada,
rastros da tua saudade
em cada curva da estrada!…
(Marilúcia Resende)
Ricardo Kubrusly
há uma lua em são paulo outra no rio
duas iguais, mesma substância
uma no mar, outra entre rios
refletida na lama das marginais
uma se espreita nos arcos, se alonga
devora o passeio, se atira
nas águas. duas iguais criaturas
escalam o horizonte, eu: voo entreluas
Em: Acordanoite, Ricardo Kubrusly, Rio de Janeiro, Editora Seis: 1993, p.48
Quando criança, eu ficava
olhando o céu a cismar:
– quem, tão alto, a luz ligava
para acender o luar!
(Lisete Johnson)
Inverno… as horas vazias…
As árvores tristes…nuas…
E as minhas mãos estão frias
sentindo falta das tuas…
(Luiz Otávio)
Mensageiro do amor, 1885
Marie Spartali Stillman (Inglaterra, 1844 -1923)
aquarela, têmpera, folha ouro sobre papel colado em madeira, 81 x 66 cm
Museu de Arte de Delaware
Ivan Junqueira (1934-2014)
Pois morrer é apenas isto:
cerrar os olhos vazios
e esquecer o que foi visto;
é não supor-se infinito,
mas antes fáustico e ambíguo
jogral entre a história e o mito;
é despedir-se em surdina,
sem epitáfio melífluo
ou testamento sovina;
é talvez como despir
o que em vida não vestia
e agora é inútil vestir;
é nada deixar aqui:
memória, pecúlio, estirpe,
sequer um traço de si;
é findar-se como um círio
em cuja luz tudo expira
sem êxtase nem martírio.
Em: O tempo além do tempo: antologia, Ivan Junqueira, organização e prefácio, Arnaldo Saraiva, Vila Nova de Famalicão, editora Quasi:2007, p.71

Saudade é um sutil recado
que a vida gosta de ler
nos bilhetes que o passado
não se cansa de escrever!…
(Mara Mellini)







