Ilustração, Maud Tousey Fangel.
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Mãe – não há outro nome
Mais doce, meigo e gentil;
No entanto posso escrevê-lo
Só com três letras e um til.
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Mãe – não há outro nome
Mais doce, meigo e gentil;
No entanto posso escrevê-lo
Só com três letras e um til.
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Quem vai ao mar deitar rede,
que tome cuidado, tome!
O mar nunca teve sede,
mas nunca vi tanta fome!
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(Eno Teodoro Wanke)
Fantasia tropical — Foto: Ladyce West, Jardim Botânico, Rio de Janeiro.
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Ladyce West
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Este lago sereno exerce uma atração,
Uma obsessão misteriosa,
Alucinante em mim.
Um desejo de mergulhar na sua profundeza,
De me perder em seu mistério,
De desaparecer na paisagem tranqüila,
Pintada em suas águas sombrias,
Sossegadas, calmas e imóveis.
Seu silêncio me hipnotiza e seduz.
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Este lago manso me mesmeriza
No tratar invertido da natureza:
A dupla imagem, a ambigüidade.
Céu e água. Água e céu.
O reflexo do vôo de um pássaro no ar…
Um peixe fugidio a nadar?
Verso e reverso. Corpo e alma.
Inferno e paraíso.
Meu mundo unido num só horizonte.
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© Ladyce West, 2006, Rio de Janeiro — Em: À meia voz.
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Se um dia necessitares
Uma árvore derrubar,
Tu deves, no mesmo instante,
Plantar outra em seu lugar
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(Walter Nieble de Freitas)
Ilustração Maurício de Sousa.—
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Maria Eugênia Celso
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Brancas, verdes, rajadinhas,
Amarelas,
As bolinhas
Vão rolando,
Vão dançando
Seja liso ou seja rude
O chão onde vão rolando
Lá vão elas, lá vão elas…
As bolinhas de gude.
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Brincam os meninos com elas,
Estão jogando
No jardim ou nas calçadas,
As bolinhas vão correndo
Azuis pardas, amarelas,
Rajadinhas,
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E tão vivas, tão ligeira, tão alegres e estouvadas
Que até fica parecendo
Que são elas
As bolinhas
Que com eles estão brincando.
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Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968.
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Maria Eugênia Celso
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Maria Eugênia Celso Carneiro de Mendonça (São João Del Rey, Minas Gerais, 1886 – 1963), usou também o pseudônimo Baby-flirt. Jornalista, escritora, poeta, teatróloga e sufragista. Funcionária de carreira do Ministério da Educação e Cultura. Veio de Minas Gerais para Petrópolis, ainda criança, onde cursou o Colégio Sion. Em 1920 começou sua carreira jornalística no Jornal do Brasil. Participou ativamente do “Movimento Feminista”, em favor da emancipação política e social da mulher, dedicou-se ao assistencialismo junto às “Damas da Cruz Verde”, aparecendo como uma das lideranças que criaram a maternidade “Pro-Matre” do Rio de Janeiro. Batalhou pelo direito das mulheres ao voto. Faleceu em 1963.
Obra:
Em Pleno Sonho, poesia, 1920
Vicentinho, 1925
Fantasias e Matutadas, poesia, 1925
Desdobramento, poesia, 1926
Alma Vária, poesia
Jeunesse, poesia
O Solar Perdido, poesia, 1945
Poemas Completos, 1955
Diário de Ana Lúcia, prosa,
De Relance, crônicas
Ruflos de Asas, teatro
Síntese Biográfica da Princesa Isabel, biografia
Ilustração, Mark Arian—
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Zalina Rolim
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RAUL não sabe ler;
É um traquinas, que vive toda a hora
Pela campina em fora
A correr, a correr…
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Desde pela manhã,
Salta do leito em fraldas de camisa,
E por tudo desliza
Numa alegria sã.
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Nada de livros, não;
Para ele a campina, os passarinhos,
Os assaltos aos ninhos,
A pesca ao ribeirão
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E as corridas em pós
Dos bezerros e cabras e novilhas,…
Rasgando ásperas trilhas,
Veloz, veloz, veloz!
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Mas, um dia, ele viu
A irmãzita no livro debruçada,
E o som de uma risada
O ouvido lhe feriu.
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Que teria, meu Deus!
Aquele grande livro tão pesado,
Ali dentro guardado,
Longe dos olhos seus?
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E aproximou-se mais.
Ceci, toda entretida na leitura,
Mostrava, rindo, a alvura
Dos dentinhos iguais.
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E o pequenito a olhar,
Mas debalde; no livro, aberto em frente,
Letras, letras, somente…
Raul pôs-se a chorar.
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—
Pois não estava ali
Um livro injusto e mau, que até escondia
A causa da alegria
Da risonha Ceci?
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Mas a irmã, tal e qual
Uma bondosa mãe ao filho amado,
Fê-lo assentar-se ao lado
E explicou-lhe o seu mal.
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E com tanta razão
Que, abrindo atento o livro misterioso,
Raul pediu, ansioso,
A primeira lição.
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Maria Zalina Rolim Xavier de Toledo — nasceu em Botucatu (SP), em 20 de julho de 1869.
Professora alfabetizadora transferiu-se com a família para São Paulo em 1893.
Educadora, entre 1896 e 1897, exerceu o cargo de vice-inspetora, do Jardim da Infância anexo à Escola Normal Caetano de Campos, em São Paulo.
Escreveu para diversas revistas femininas e jornais como A Mensageira, O Itapetininga, Correio Paulistano e A Província de São Paulo.
Faleceu em São Paulo, em 24 de junho de 1961.
Obras:
1893 – O coração
1897 – Livro das Crianças
1903 – Livro da saudade (organizado nesta data para publicação póstuma)
Do sucesso na subida
nunca te orgulhes demais
muito difícil na vida
é conservar o cartaz.
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(Gilka Machado)
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Teus olhos, duas continhas,
douradas, suavemente;
duas pérolas, miudinhas,
neste rostinho luzente.
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(Antônio Bispo dos Santos)
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Ora é canto, ora é lamento,
canção de amor em surdina,
esse sussurro de vento
nas ramas da casuarina.
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( José Lucas Filho)
Ilustração, Walt Disney.
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Se tens à frente uma estrada,
não passes por um atalho,
que a vida só é gozada
à custa de muito trabalho.
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(Luiz Evandro Innocêncio)