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Cartão de Natal da Polônia, década de 1960.
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Que o bom menino Jesus
Em sua visita anual
Traga aos lares paz e luz
Pelo menos no Natal!
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(Maria Odete Souto Pereira)
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Cartão de Natal da Polônia, década de 1960.–
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Que o bom menino Jesus
Em sua visita anual
Traga aos lares paz e luz
Pelo menos no Natal!
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(Maria Odete Souto Pereira)
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Sagrada Família sob uma palmeira, 1508, tondo
Rafael Sanzio de Urbino, (Itália, 1483-1520)
tondo, óleo
The Edinburgh National Gallery, Escócia
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[Nota: Tondo é uma palavra da Renascença Italiana, que quer dizer uma obra de arte em forma circular, quer seja uma pintura ou uma escultura. Na história da arte manteve-se esse nome em quase todas as línguas com o mesmo significado: inglês, francês, alemão, etc. No Brasil, no entanto, talvez por não termos muitas obras do período renascentista, a palavra tondo é raramente usada e uma obra de arte redonda, em geral posterior, é com frequência chamada de medalhão. ]
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Walmir Ayala
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Se não nascesses
como cerraríamos tranquilamente os olhos
no lençol do tempo?
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Se não nascesses
como entender a noite com seus fantasmas e seus doces
perfumes,
como entender a insônia?
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Se não nascesses
como aceitar o aceno ardente dos mortos,
seus olhos de saudade em nossos olhos
de espanto?
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Se não nascesses
onde encontrar ainda forças para o canto?
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Novembro de 1963
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Deus na terra… Eis o Natal!
Repicam sinos… Festanças…
Feriado nacional
no coração das crianças!
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( J. G. de Araújo Jorge)
Natal na cidade, ilustração Tasha Tudor (EUA, 1915-2008).–
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Na matriz dobram os sinos,
acompanhando o coral;
na alegria dos meninos
todos cantam o Natal.
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(Antônio Seixas)
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Que o bom pescador se queixe
de sua vida bem penosa
é justo: lidar com peixe
é missão bem espinhosa.
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(Túlio de Ayala)
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De tudo um pouco faltando,
a coisa ficando preta:
são queimadas acabando
Fauna e Flora do Planeta!
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(Zé de Souza)
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Por mais que a gente recorra,
querendo permanecer,
a fama é como gangorra:
quem subir, há de descer.
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(Zalkind Piatgorsky)
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De uma forma muito astuta
a mentira nunca falha:
hoje atinge a quem a escuta,
amanhã, a quem a espalha…
(José Ouverney)
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Jardim florido, ilustração de Charles Robinson.–
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Zalina Rolim
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No campo a gente madruga;
Deixa‑se a cama cedinho,
Quando a aurora acorda o ninho
E o orvalho às plantas enxuga.
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O céu é todo rubores;
Toda a campina, um veludo…
E ondeia e espalha‑se em tudo
O aroma vivo das flores.
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Sai das verdes profunduras
Barulho d’ água, ligeiro,
Como um som de voz fagueiro,
Falando de cousas puras.
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E deleita e aviva o olfato,
O cheiro forte e sadio,
Que vem das margens do rio
E dos verdores do mato.
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Os burricos vão espertos,
Num trote, campina em fora,
Alongando o olhar, que explora
Longínquos plainos desertos
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E as vozes dos pequeninos
Ressoam festivamente,
No frescor do ar transparente,
Em vivos sons cristalinos.
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Na frente, o mais corajoso,
— Chapéu na mão, pronto e ledo,
Explora o campo, sem medo,
Todo radiante de gozo.
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E, farejando o caminho,
Pendente a língua vermelha,
O cão, no olhar, o aconselha
A dar a rédea ao burrinho.
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Das frescas moitas cheirosas,
Tintas de alegres matizes,
Erguem o vôo as perdizes,
Batendo as asas plumosas.
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E mil insetos, zumbindo
No ar puro da madrugada,
Sonorizam toda a estrada
Num concerto estranho e lindo.
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Maria Zalina Rolim Xavier de Toledo — nasceu em Botucatu (SP), em 20 de julho de 1869.
Professora alfabetizadora transferiu-se com a família para São Paulo em 1893.
Educadora, entre 1896 e 1897, exerceu o cargo de vice-inspetora, do Jardim da Infância anexo à Escola Normal Caetano de Campos, em São Paulo.
Escreveu para diversas revistas femininas e jornais como A Mensageira, O Itapetininga, Correio Paulistano e A Província de São Paulo.
Faleceu em São Paulo, em 24 de junho de 1961.
Obras:
1893 – O coração
1897 – Livro das Crianças
1903 – Livro da saudade (organizado nesta data para publicação póstuma)
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Morcegos amorosos, ilustração Maurício de Sousa.–
Amor é igual a uma seta
lançada sem direção!…
não tem alvo, não tem meta,
não escolhe coração.
(Plínio Motta)