Antônio Arena (Itália/Brasil, 1930-1987)
óleo sobre tela, 80 x 100 cm
Avenida Paulista com Rua Pamplona, 2004
Eduardo Cambuí Figueiredo Jr (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 150 x 60 cm
Odylo Costa Filho
Veste o terno mais velho, e vai-te embora.
Atravessa o quintal e pula o muro.
E entre morte do luar e a luz da aurora
parte na antemanhã, ainda no escuro.
Bebe as velhas fachadas, as cidades
que a água penetra, ameiga e acaricia;
e nelas o sinal de outras idades
gosto de vinho velho em novo dia.
Quando cessar a febre das viagens
e cansares de tudo — das paisagens,
de ignotas gentes e de virgens praias —
volta aos brejos natais. Arma tua rede
em pleno campo. E mata tua sede
de pureza nas grandes sapucaias.
Em: Boca da noite, Odylo Costa Filho, Rio de Janeiro, Salamandra: 1979, p. 58
NB: na opinião leiga da Peregrina um dos mais belos sonetos do século XX.
Victor Brecheret (Brasil, 1894-1955)
Bronze
Túmulo da Família Scuracchio
Cemitério de São Paulo
Tulio Mugnaini (Brasil, 1895-1975)
óleo sobre tela, 34 x 26 cm
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Estas rosas, como se colhidas à última hora no fundo do quintal, singelas mas aveludadas, discretas, sedutoras, misteriosas, formam um pequeno ramalhete que ofereço ao fiel leitor Eduardo, que ao fazer anos hoje, me contemplou com um pedido: “Por favor, flores discretas!“. Digo contemplou, porque me senti, muito honrada de, assim, participar desse momento importante em sua vida. Eduardo, tem sido um prazer conhecê-lo através de seus oportunos comentários. Essa data, além de seu aniversário, parece marcar mais uma de muitas e boas mudanças em sua vida nos últimos tempos. Que os anos futuros lhe tragam felicidade, paz, saúde e a realização de mais sonhos que virão. A beleza de se conseguir algo com o qual se sonhava é abrir espaço para que outros sonhos venham e se completem. Parabéns meu caro amigo e um grande abraço.
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Aldo Bonadei (Brasil, 1906-1974)
óleo sobre placa, 29 x 39 cm
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Zalina Rolim
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Longe da estrada, à beira do riacho
que molha os pés revoltos da colina,
vejo-lhe o teto enegrecido e baixo
e a cancelinha baixa e pequenina.
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Da chaminé desprende-se um penacho
de fumo branco… Levemente inclina
as verdes palmas sobre o louro cacho,
do coqueiro frondoso, a aragem fina…
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Faísca o sol. Do terreirinho à frente
galinhas, patos, debicando o milho,
batem as asas preguiçosamente.
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Nenhum rumor de pássaros palpita,
e a roceirinha, adormecendo o filho,
canta lá dentro uma canção bonita.
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Em: Criança Brasileira: quarto livro de leitura, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir:1949, pp, 73-4