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Rio pedregoso, ilustração de Hergé.
–
Já repararam que o rio,
quando vai a caminhar,
é nas pedras do caminho
que mais parece cantar?
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(Albercyr Camargo)
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Rio pedregoso, ilustração de Hergé.–
Já repararam que o rio,
quando vai a caminhar,
é nas pedras do caminho
que mais parece cantar?
–
(Albercyr Camargo)
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Mãe e filho, ilustração de Jessie Willcox Smith.–
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Ribeiro Couto
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Cantando e ninando
A mãe adormece.
Que regaço brando!
–
A sombra parece
Tutu marambaia
Com uma boca enorme.
–
Que regaço brando!
O menino esquece
Que tem medo e dorme.
–
Mas o anjo da guarda,
Que à noite não dorme,
No quarto não tarda.
–
Anjo ou capitão?
Espada na cinta,
Ginete na mão.
–
Põe junto da saia
Da mãe do menino
A espada a brilhar.
–
Que espada medonha!
É para matar
Tutu marambaia?
–
O menino sonha.
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Em: Antologia de poemas para a infância, vários autores, Rio de Janeiro, Ediouro:2004
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Festa na aldeia, 1965
Bonaventura Cariolato (Itália/Brasil, 1894-1989)
[Bairro da Boa Vista, em Franca]
óleo sobre tela, 33 x 40 cm
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Mário Mauro Matoso
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Recordo uma quermesse em Santa Rita…
A praça principal, ornamentada,
A Banda no coreto, entusiasmada,
Executando a marcha favorita…
–
Defronte a uma barraca, a petizada
De olhos fitos na prenda mais bonita…
O Correio elegante… a senhorita
Que outrora fora minha namorada.
–
A barraca do Bar e do Café,
O bloco do catira, o bate-pé
Sobre um tablado, rústico e bisonho…
–
Assim é que relembro nossa terra,
A cidade feliz que se descerra
Na perpétua quermesse do meu sonho!
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Em: 232 Poetas Paulistas:antologia, ed. e col. Pedro de Alcântara Worms, São Paulo, Conquista: 1968, p. 473.
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Mário Mauro Matoso [Mattoso] (SP, 1902- ?) . Poeta.
Obra:
Flâmulas e Flores, poesia, 1964
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Ilustração de Christina Rossetti.–
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Manuel Bandeira
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Dorme, meu filhinho,
Dorme sossegado.
Dorme que ao teu lado
Cantarei baixinho.
O dia não tarda…
Vai amanhecer:
Como é frio o ar!
O anjinho da guarda
Que o Senhor te deu,
Pode adormecer,
Pode descansar,
Que te guardo eu.
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Em: Que aconteceu?, Primeiro Livro, Magdala Lisboa Bacha, Rio de Janeiro, Agir: 1962
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Wander Melo (Brasil, contemporâneo)
Acrílica sobre tela, 120 x 80 cm
http://wmeloarts.blogspot.com.br
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Em bando sutil, as garças,
pontilhando o lamaçal,
são quais pérolas esparsas,
adornando o pantanal.
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(Dorothy Jansson Moretti)
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Fazenda Torrão de Ouro, 1990
Ferenc Kiss (Hungria/Brasil, 1944)
Óleo sobre madeira, 24 x 33 cm
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Cedo, na roça, estática, à janela,
Gozo destas manhãs a graça imensa;
E o sol, que é generoso, entra por ela
A dar topázios, sem pedir licença.
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A luz se expande e a vida se revela
No cafezal e na campina extensa;
Ouço mugirem bois junto à cancela
E o gorjeio das aves que se adensa.
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No fio além do telefone, em linha
Como rosários, cantam andorinhas,
Saudando o sol na fímbria do levante.
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E pelo branco laranjal em flor
Semeia o vento o pólen fecundante
Sobre corolas sôfregas de amor…
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Em: 232 Poetas Paulistas:antologia, ed. e col. Pedro de Alcântara Worms, São Paulo, Conquista: 1968, p. 143
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Irene Ferreira de Sousa Pinto (Brasil, SP, 1887- RJ, 1944) Nasceu em Amparo, no estado de São Paulo em 1887. Poetisa e escritora.
Obras:
Primeiros vôos, 1917
Rosa-maria, 1920
Ilustração: desconheço a autoria, 1910-20.–
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José Ildone
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Entre grades
passa
o canto
-manco.
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Em: A Lira da minha terra: poetas antigos e contemporâneos do Pará, ed. Clóvis Meira, Belém, Pará: 1993, p. 243
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José Ildone Favacho Soeiro (PA, 1942) poeta, prosador e professor de português e de literatura luso-brasileira.
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Tropeiros no Rio de Janeiro
Henry Chamberlain (Inglaterra 1796-1844)
Gravura em Views and costumes of the city and neighbourhood of Rio de Janeiro, 1822
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O tropeiro viajante
que em nossa terra surgiu,
foi marco muito importante
no progresso do Brasil.
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(Alda Lopes Rezende)
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Joelhos de menina, s/d
Emily Patrick (Inglaterra, contemporânea)
gravura de pintura da artista
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Carlos Pena Filho
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Ei-la ao sol, como um claro desafio
ao tenuíssimo azul predominante.
Debruçada na areia e assim, diante
do mar, é um animal rude e bravio.
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Bem perto, há um comentário sobre estio,
mormaço e sonolência. Lá, distante,
muito vagos indícios de um navio
que ela talvez contemple nesse instante.
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Mas o importante mesmo é o sol, que esse desliza
por seu corpo salgado, enxuto e belo,
como se nuvem fosse, ou quase brisa.
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E desce por seus braços, e rodeia
seu brevíssimo e branco tornozelo,
onde se aquece e cresce, e se incendeia.
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Em: Melhores Poemas de Carlos Pena Filho, seleção de Edilberto Coutinho, São Paulo, Editora Global:1983, p.80
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Carlos Pena Filho ( PE 1929-PE 1960) poeta brasileiro.
Obras:
O tempo da busca, 1952
Memórias do boi Serapião, 1956
A vertigem lúcida, 1958
Livro geral, 1959