Cartão postal, 1ª metade do século XX.
Felicidade é um recado
sem data, sem remetente,
chegando sempre atrasado
na caixa postal da gente!
(Aurora Pierre Artese)
Cartão postal, 1ª metade do século XX.
Felicidade é um recado
sem data, sem remetente,
chegando sempre atrasado
na caixa postal da gente!
(Aurora Pierre Artese)
Conquista é jogo de azar
e, no amor, jogo pesado;
querendo te conquistar,
eu é que fui conquistado!…
(Heloísa Zanconato Pinto)
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Pierrot cantando ao luar, ilustração de John A. Ardema.–
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Murilo Araújo
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Cantemos rindo
canções douradas!
O luar é lindo
pelas estradas…
Rodem as rondas
com as mãos dadas!
Rodem nas rondas
os camaradas!
–
Há na floresta
que a luz debrua
alguma festa
que continua…
Rodem as rondas
pela floresta…
Dance na festa
Senhora Lua!
–
Não passam pagens
na redondeza
com carruagens
para a princesa?!
Rodem as rondas
com ligeireza!
Dance com os pagens,
Dona Princesa!
–
Não andam fadas
voando no ar
pelas estradas
cor de luar?
Rodem as rondas
descabeladas!
Senhoras fadas,
vamos dançar!
–
Pelas estradas
iluminadas…
Vamos dançar, dançar…
dançar!…
–
–
Em: Poemas completos de Murilo Araújo, Rio de Janeiro, Irmãos Pongetti:1960
Avião, ilustração de Hergé.
Entre nuvens no infinito,
sofro a prisão mais prisão…
Sinto-me pássaro aflito
na gaiola de um avião.
(Gilka Machado)
Desconheço a autoria da ilustração.
Ciumenta, a pata chorava,
procurando pelas matas,
sabendo que o pato estava
andando com duas patas!
(Aurora Pierre Artese)
Camundongos e caixa de biscoitos Huntleigh & Palmers
A. L. Holding (Inglaterra, séc. XIX-XX)
aquarela, 19 x 23 cm
Alzira Chagas Carpigiani
Rato roedor,
não roas as
roupas do
imperador.
Elas são grossas
e têm cheiro
de bolor.
Rato roedor,
rói sim
as roupas
da imperatriz.
Elas são
feitas de
seda macia
e têm gosto de anis.
Ilustração A. E. Marty.
Vou-me embora pela estrada
carregando os sonhos meus…
Vem atrás a passarada,
cantando, dizer-me adeus!
(Elza Capanema Leitão)
Ilustração Maurício de Sousa.
Pela calçada ela passa…
e a rua, nos passos dela,
tocada de luz e graça,
transforma-se em passarela.
(Jacy Pacheco)
Olavo Nunes
Brincam alegres, faceiros,
Pelos jardins, descuidosos,
Os dois priminhos formosos,
Trocando ditos brejeiros.
Depois estacam ligeiros
A contemplar desejosos
Os belos frutos cheirosos
Dos pendentes cajueiros.
Diz ele maliciosamente,
Por entre um riso de gozo:
Trepa, priminha… e os colhe…
– E ela, ingênua, as faces ternas,
Prende o vestido entre as pernas
E diz, subindo: – Não olhe…
Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Clóvis Meira, Belém: 1993, p. 315
Francisco Olavo Guimarães Nunes, pseudônimos: José-Boêmio, José do Egito, Carlos Heitor, Carlos Augusto. Promotor público e poeta. Nasceu no Pará em 1871, faleceu em 1942.
Obras:
Musa Vadia, poesia, 1929
Sua obra ainda se encontra esparsa pelas muitas publicações para as quais foi contribuinte.