Quadrinha de atravessar a rua

12 04 2019

 

 

atravessar a rua. perigo, indo para a escola,Cartão postal francês.

 

 

No instante que precisares

Uma rua atravessar,

Olha bem para os dois lados

Para depois avançar.

 

 

Em: 1001 Quadrinhas Escolares, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1965





Estela e Nize, soneto de Alvarenga Peixoto

11 04 2019

 

 

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)SSem título,  2014

[No camarote]

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

óleo sobre tela

 

 

Estela e Nize

 

Alvarenga Peixoto

 

Eu vi a linda Estela, e namorado

Fiz logo eterno voto de querê-la;

Mas vi depois a Nize, e é tão bela,

Que merece igualmente o meu cuidado.

 

A qual escolherei, se neste estado

Não posso distinguir Nize d’Estela?

Se Nize vir aqui, morro por ela;

Se Estela agora vir, fico abrasado.

 

Mas, ah! que aquela me despreza amante,

Pois sabe que estou preso em outros braços,

E esta não me quer por inconstante.

 

Vem, Cupido, soltar-me destes laços,

Ou faz de dois semblantes um semblante,

Ou divide o meu peito em dois pedaços!

 

Em: Alvarenga Peixoto, Obras Poéticas.  Edição da Prefeitura do Município de São Paulo, [Coleção Documentos – Clube da Poesia], 1956, p.29.

 

Alvarenga Peixoto (Brasil, 1742-1793) advogado e poeta do círculo da Inconfidência Mineira.  Foi preso e degredado para a África.





A abelha, poesia infantil de Rosa Clement

6 04 2019

 

 

 

abelhaAbelha feliz, ilustração anônima, acredito ser brasileira.

 

 

A Abelha

 

Rosa Clement

 

A abelha voou, voou.

Queria molhar o pé

e pousou na minha xícara

cheia de leite e café.

 

A abelha voou, voou.

desenhando um coração.

Queria provar um pouco

da geléia no meu pão.

 

A abelha voou, voou

Queria voar no céu

e eu que queria provar

um pouquinho de seu mel.

 

A abelha voltou, voou.

Queria me deixar feliz.

Achou que eu era um doce

e pousou no meu nariz.

 

(2010)





Trova do amigo

2 04 2019

 

 

 

0fed4a463c53c41ed00bd5ab351a1a20No campo de golfe, ilustração autor desconhecido.

 

 

Quando te chamo de amigo,

Declaro-te pleno apoio:

Não só no que tens de trigo;

Também no que tens de joio.

 

(Antônio Augusto de Assis)

 





Vou agora sonhar… poesia de Da Costa e Silva

25 03 2019

 

 

 

dreaming_large__0Sonhando grande

Aditya Phadke (Índia, contemporâneo)

Óleo sobre tela,  76 x 91 cm

 

 

Vou agora sonhar…

 

A minha vida, sempre inquieta como o mar,

É de renúncia, sacrifício e desencanto:

Enquanto vão e vêm as ondas do meu pranto,

Estende-se o horizonte, além do meu olhar…

 

Na imensidade azul, fico a cismar, enquanto,

A refletir o céu, vai-se acalmando o mar…

Acalma-se também minha dor, por encanto:

— Já cansei de sofrer! Vou agora sonhar…

 

 

Em: Da Costa e Silva, Poesias Completas, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985 [edição do centenário] p.295





Trova do outono

21 03 2019

 

 

 

 

f2d8d97ee0d76cb800459768ac09a7a7Desconheço a autoria dessa bela ilustração, capa da revista House Beautiful, de Outubro de 1929.

 

 

Querendo colher no outono,

semeei na primavera…

Tu deixaste no abandono

um jardim à tua espera…

 

(Marília Fairbanks Maciel)

 

 





Que insônia, poesia de Corina [Coryna] Ferreira Rebuá

16 03 2019

 

 

 

faa0ec6253aa1d9268dbccd55d5af63cLuz da manhã

James H. Crank (EUA, ?)

óleo sobre tela, 91 x 66 cm

 

 

Que insônia

 

Coryna Ferreira Rebuá

 

Como faz frio neste quarto agora!

A chuva bate em cheio na vidraça

E o relógio da igreja, de hora em hora,

Soa. Há passos na rua… E a ronda passa…

 

Não consigo dormir. Como demora

Essa vigília que me torna lassa!

Se abro um livro, não leio. E lá fora

Chove.  Há passos na rua… E a ronda passa…

 

Dormes? Não creio. Eu sei que estás velando,

Porque eu pressinto que, de quando em quando,

Vem o teu corpo fluídico e me enlaça.

 

O relógio da igreja está batendo.

São quatro horas. Que insônia! Está chovendo.

Ouço passos na rua… E a ronda passa.

 

 

Em: Poetas cariocas em 400 anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965, p. 318

 

 

Bibliografia:

Felicidade, 1930

Alma Sedenta, 1932

Vida, 1940

Meu Romance de Amor, 1942

 

 

 





Trova da cigana

13 03 2019

 

 

 

71C2QzjDwUL (2)Ilustração de Mucha.

 

 

Em amor eu sou cigana,

não divido com ninguém…

E sendo, dele, tirana,

sou dele escrava também…

 
(Aída Rodrigues Frango)

 

 

 

 





Trova dos ladrões

28 02 2019

 

 

lendo a patadaIrmão Metralha lê jornal, ©Walt Disney.

 

 

 

Os honestos são tão poucos

e os desonestos são tantos,

que aqueles parecem loucos

e os ladrões se julgam santos.

 

(Othon Costa)





Indiferença, poesia de Guilherme de Almeida

21 02 2019

 

 

 

95ebef1a8428ae23f80bdbcb6b241453Ilustração de Coby Whitmore

 

 

Indiferença

 

Guilherme de Almeida

 

Hoje, voltas-me o rosto, se ao teu lado
passo. E eu, baixo os meus olhos se te avisto.
E assim fazemos, como se com isto,
pudéssemos varrer nosso passado.

Passo esquecido de te olhar, coitado!
Vais, coitada, esquecida de que existo.
Como se nunca me tivesses visto,
como se eu sempre não te houvesse amado

Mas, se às vezes, sem querer nos entrevemos,
se quando passo, teu olhar me alcança
se meus olhos te alcançam quando vais.

Ah! Só Deus sabe! Só nós dois sabemos.
Volta-nos sempre a pálida lembrança.
Daqueles tempos que não voltam mais!