Após fitar várias flores,
eu pergunto com surpresa:
– Como cabem tantas cores
no pincel da Natureza?
(Hildemar de Araújo Costa)
Após fitar várias flores,
eu pergunto com surpresa:
– Como cabem tantas cores
no pincel da Natureza?
(Hildemar de Araújo Costa)
Menina do Rio Negro
Elon Brasil (Brasil, 1957)
óleo sobre lona e saco de café, 100 x100 cm
Michel Klejnberg
entre os cachos
sobre a orelha
vermelha
contra a pele
chocolate,
escarlate
dois sorrisos
lado a lado,
encarnado
uma rosa lhe brotou no gramado do cabelo
ou foi a flor que deu uma menina no caule?
Em: Confissuras, Michel Klenjnberg, Rio de Janeiro, Sete Letras: 2010. p. 40
Foste embora e por maldade
deixaste a troco de nada,
rastros da tua saudade
em cada curva da estrada!…
(Marilúcia Resende)
Ricardo Kubrusly
há uma lua em são paulo outra no rio
duas iguais, mesma substância
uma no mar, outra entre rios
refletida na lama das marginais
uma se espreita nos arcos, se alonga
devora o passeio, se atira
nas águas. duas iguais criaturas
escalam o horizonte, eu: voo entreluas
Em: Acordanoite, Ricardo Kubrusly, Rio de Janeiro, Editora Seis: 1993, p.48
Quando criança, eu ficava
olhando o céu a cismar:
– quem, tão alto, a luz ligava
para acender o luar!
(Lisete Johnson)
Inverno… as horas vazias…
As árvores tristes…nuas…
E as minhas mãos estão frias
sentindo falta das tuas…
(Luiz Otávio)
Mensageiro do amor, 1885
Marie Spartali Stillman (Inglaterra, 1844 -1923)
aquarela, têmpera, folha ouro sobre papel colado em madeira, 81 x 66 cm
Museu de Arte de Delaware
Ivan Junqueira (1934-2014)
Pois morrer é apenas isto:
cerrar os olhos vazios
e esquecer o que foi visto;
é não supor-se infinito,
mas antes fáustico e ambíguo
jogral entre a história e o mito;
é despedir-se em surdina,
sem epitáfio melífluo
ou testamento sovina;
é talvez como despir
o que em vida não vestia
e agora é inútil vestir;
é nada deixar aqui:
memória, pecúlio, estirpe,
sequer um traço de si;
é findar-se como um círio
em cuja luz tudo expira
sem êxtase nem martírio.
Em: O tempo além do tempo: antologia, Ivan Junqueira, organização e prefácio, Arnaldo Saraiva, Vila Nova de Famalicão, editora Quasi:2007, p.71

Saudade é um sutil recado
que a vida gosta de ler
nos bilhetes que o passado
não se cansa de escrever!…
(Mara Mellini)
Queda das folhas de outono, 1888
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela, 73 x 92 cm
Museu Kröller-Müller, Otterlo
As folhas, antes viçosas,
da natureza o pulmão,
inda mostram-se graciosas
mesmo pisadas no chão!
(Francisco José Pessoa)
A galinha está… chocada…
e o galo velho, uma bala,
porque existe na ninhada
um pinto verde… que fala!!!
(Izo Goldman)