De grão em grão…

10 02 2009

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Depois que Barack Obama foi eleito presidente dos EUA fala-se de empregos verdes, de contribuição ao meio ambiente, com muito mais frequência naquele país do que durante os anos dedicados a George Bush. 

 

Soube de uma idéia interessante hoje, através do programa Morning Edition, da National Public Radio de Washignton DC, que revelou que a Virgin America, uma das companhias aéreas americanas, inaugurou uma nova maneira de fazer seu impacto positivo num mundo de equilíbrio ambiental.   Veja aqui o artigo de Ben Bergman no site da NPR.

 

Com a população mundial cada vez mais preocupada com a pegada de carbono que cada um de nós deixa no meio ambiente a linha aérea teve a boa idéia de oferecer aos passageiros, que usam seus vôos de um lado ao outro do país, a oportunidade de comprar créditos de carbono dali mesmo de seus lugares na aeronave.    A companhia aérea recebe o dinheiro e o passa para dois projetos ambientais na Califórnia.  Até agora, só 1% dos passageiros usaram esta maneira de desanuviar suas consciências.

 

Mas antes que os críticos venham dizer 1) que isso é só propaganda ou 2) que é muito pouco a ser feito quando se necessita de um esforço  muito maior, é bom lembrarmos que o programa da UNICEF —  Change for good, que se apóia num trocadilho muito bom baseado na palavra Change [ trocado e mudança],  Trocados para o bem, — é um grande sucesso.  Neste programa da UNICEF, nos vôos internacionais de certas companhias, o passageiro recebe um envelope onde, se quiser, deposita aquelas moedinhas que ficaram perdidas no bolso, nos últimos momentos de saída de um país, uma quantia em geral muito pequena para poder fazer câmbio; e um dinheiro que não poderá mais ser usado por aquele passageiro.  

 

 

 

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Este programa, que é uma parceria entre a UNICEF e a indústria aérea com vôos internacionais, foi criado em 1987.  Não tenho comigo os números totais de arrecadação, mas se virmos os números parciais, podemos ter uma idéia:

 

Cathay Pacific entrou para o programa só em 1991. Do início até 2008 esta linha aérea recolheu aproximadamente 17 milhões de Hong Kong dólares.   

 

British Airways recolheu 30 milhões de dólares em 10 anos entre 1994 e 2004;

 

Pode ainda parecer pouco dinheiro, mas vejamos o que eles consideram:

 

 

Um Trocado Que Faz Um Mundo De Diferença

 

Sobrevivência Infantil

$0.06

possibilita um sache de sais de re-hidratação oral para ajudar no combate à desidratação infantil, uma ameaça comum e mortal à vida das crianças, mas que pode ser facilmente evitada.

$6

garante um mosquiteiro de longa duração, que protege as famílias da malária, responsável pela morte de uma criança na África a cada 30 segundos.

$244

permite comprar um kit de saúde de emergência com medicação básica, suprimentos médicos e equipamentos para 1.000 pessoas por três meses.

Imunização

$2

permite imunizar 20 crianças contra a difteria, o tétano e a coqueluche

$5

é o que custa uma caixa de 100 seringas descartáveis, utilizadas durante as campanhas de imunização

Proteção Infantil em Emergências

$3

permite comprar um cobertor de lã grande para proteger a criança do frio durante uma emergência

$12

permite comprar 20 pacotes de biscoitos altamente energéticos, desenvolvidos especialmente para crianças subnutridas em situações de emergência

$101

atende a 10 famílias com kits de água básicos familiares, para uso em situações de emergências

Combate ao HIV/AIDS

$1

permite comprar um teste rápido de HIV para o diagnóstico individual para a prevenção à disseminação do vírus

$2

por dia, é o custo do atendimento a uma criança órfã devido ao HIV/AIDS com serviços essenciais, incluindo educação, saúde, comida e apoio psicológico.

$2.50

fornece cotrimoxazole para crianças expostas ao HIV por um ano, o que já se mostrou eficaz na redução da mortalidade em até 43%.

 

 

Então é para nos animarmos ao ver uma linha aérea se envolver na Troca de créditos de gás carbônico.  Pode parecer pouco, mas como nossos avós já diziam: De grão em grão a galinha enche o papo.





Seis graus e as soluções alternativas

24 11 2008

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A primavera no Rio de Janeiro anda fria, enquanto o inverno, de inverno só teve mesmo o nome.  Mas, novembro está bem mais frio do que o normal.  Em Curitiba o tempo também anda estranho.  Por todo Brasil parece que as estações decidiram mudar de estilo e até de temperatura e região.  Hoje na última semana de novembro nevou na Austrália.  Nevou muito.  E a Austrália assim como o Brasil está a um mês de o que deveria ser um quente verão. 

 

Todas estas notícias me lembraram Mark Lynas, autor do livro Seis graus, [Jorge Zahar: 2008] que se você ainda não leu, deve fazê-lo o quanto antes.  À medida que o efeito de estufa aumenta ano após ano, os cientistas alertam: a temperatura global pode aumentar 6 ° Celsius ao longo do próximo século.  Isso causaria mudanças radicais no nosso planeta.   Seis graus é um livro alarmante, que modificará a maneira como você vê e faz as coisas no seu dia a dia.  Lyman tenta responder a perguntas que ocorrem a todos nós que pensamos sobre o meio ambiente, mas que não levamos os nossos estudos ao ponto que o autor leva:  o que irá acontecer, à medida que o mundo for aquecendo?  O que sucederá às nossas costas, às nossas cidades, às nossas florestas, aos nossos rios, aos nossos campos de cultivo e às nossas montanhas?

 

Mesmo que a emissão de gases que provocam o efeito de estufa parasse imediatamente, as concentrações que já estão na atmosfera provocariam uma subida global de 0,5 ou mesmo 1º C.

 

Mas e se a temperatura global aumentasse mais 1ºC?    Tudo indica que essas mudanças não seriam graduais. Os glaciares da Groenlândia e muitas das pequenas ilhas mais a sul desapareceriam.

 

Se a temperatura subisse 3º C, o Ártico deixaria de ter gelo no verão.  A floresta tropical da Amazônia secaria e condições atmosféricas extremas seriam uma norma.

 

Com uma subida de 4ºC, o nível dos oceanos aumentaria drasticamente. Seguido de mudanças climáticas desastrosas se a temperatura global subisse mais um grau: regiões que conhecemos som clima temperado seriam inabitáveis.

 

O sexto grau traz um cenário de juízo final, com oceanos devastados e  desertos  crescendo em área.

 

Lynas é um autor britânico, jornalista e ativista ambiental que se interessa pelas mudanças climáticas. É licenciado em História e Política pela Universidade de Edimburgo. Nasceu em 1973 e mora em Oxford, na Inglaterra. Ele foi o vencedor do principal prêmio para livros de ciência, da Royal Society de Londres.  sugere seis estratégias para conter o aquecimento global.

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Em julho deste ano a revista Época publicou uma entrevista com o autor, sob o título Deixe de voar de avião, que reproduzo em parte aqui onde sugere seis estratégias para conter o aquecimento global, que você, eu, qualquer um pode começar a fazer hoje.

 

 

 

O que acontecerá no Brasil se a temperatura subir em média 10° centígrados?

 

Lynas:  Uma coisa que já ocorreu foi o surgimento de ciclones extratropicais. O primeiro foi o furacão Catarina, que atingiu o sul do Brasil em 2004. Mas a principal questão para vocês é o futuro da Amazônia.  Se a temperatura subir 20°c, é provável que a floresta desapareça, destruindo o maior reservatório de biodiversidade do planeta.  Projeções sugerem que o centro do Brasil se tornará uma savana seca ou até um deserto, com temperaturas muito altas e pouca chuva. As conseqüências serão globais. A Amazônia funciona como uma bomba d’água gigante e influencia o clima de todo o planeta. Na eventualidade de um aquecimento extremo, o que é hoje o centro da bacia amazônica será engolido pelas águas do atlântico, assim como uma língua de terra que vai do sul do Brasil até o pantanal.

 

O que, qualquer pessoa deve fazer para combater as mudanças climáticas?

 

 Lynas: A primeira é deixar de voar nas férias, por causa da enorme contribuição da aviação civil aos gases do efeito estufa. Eu já deixei de fazer isso há dez anos. [Lymas investigou e constatou que nos últimos 13 anos os aviões dobraram a emissão de gases com efeito de estufa.]

A segunda medida é, em viagens de negócios, sempre que possível ir de trem ou de ônibus.

A terceira medida é abandonar o carro e andar ou usar o transporte público.

A quarta, nos países frios, é reduzir o aquecimento das casas.

A quinta atitude: só usar eletricidade produzida por fontes renováveis, como a hidrelétrica, a solar e a dos ventos.

A sexta e última medida é convencer os membros de sua comunidade a fazer o mesmo e eleger políticos que defendam essas políticas. É a medida mais importante de todas.

 

 

Seis graus é um relato de um possível futuro da nossa civilização se o atual ritmo do aquecimento global persistir.   Não é uma obra de ficção científica nem sensacionalista. Os seis graus do título referem-se à possibilidade assustadora de as temperaturas médias subirem cerca de seis graus nos próximos cem anos. Os contrastes ambientais serão desmedidos: haverá, por um lado, rios dez vezes maiores que o Amazonas, mas, por outro, mais de metade da população mundial sofrerá os efeitos da seca.

 

No entanto, apesar de uma visão quase apocalíptica, Lynas termina com a apresentação de diversas estratégias que permitem contornar o problema do aquecimento global. Com: 1) um pouco de antevisão 2) alguma estratégia e 3) sorte poderemos pelos menos deter o rumo catastrófico pelo qual nos temos deixado levar. Mas esta é a hora de agir.

 

Para um resumo em inglês:  THE GUARDIAN

 





10 coisas que você precisa saber sobre o aquecimento global.

11 10 2008

 

10 coisas que você precisa saber sobre o aquecimento global.

 

1 —  O planeta está aquecendo devido ao excesso  de emissões humanas de gases do efeito estufa.

 

2 – A organização da agricultura mundial irá mudar com o aquecimento, o Brasil poderá perder algumas de suas maiores fontes de exportação agrícola.  

 

3 – Com o aumento da temperatura, a maioria dos alimentos terá seu cultivo prejudicado.

 

4 – A qualidade de vida sofrerá alterações por causa do aumento das catástrofes naturais.  O padrão das doenças mudará a qualidade de vida sofrerá alterações por causa do aumento das catástrofes naturais.  O padrão das doenças mudará e a disponibilidade mundial de água será alterada.

 

5 – Boa parte da biodiversidade do planeta será extinta com o aquecimento, acarretando prejuízos imensuráveis.  

 

6 – Seria necessário 1% do PIB mundial para diminuir as causas do aquecimento, enquanto que 20% do PIB é o gasto estimado para cobrir os prejuízos das conseqüências dele;

 

7 – Em 2008, os países desenvolvidos comprometidos com o Protocolo de Kyoto devem iniciar  o processo de diminuição de suas emissões de gases em 5,2%.

 

8 — O MDL [Mecanismo de Desenvolvimento Limpo]  é um mecanismo para países subdesenvolvidos implantarem projetos de redução de emissão de carbono e negociarem créditos de carbono com nações desenvolvidas.

 

9 – Existem muitas regras para a implantação de projetos de MDL, e o excesso de burocracia e custos leva algumas empresas a fazerem atividades sem os critérios da ONU.

 

10 – Projetos de aterros sanitários costumam viabilizar os investimentos.

 

 

 

Da revista Galileu Vestibular 2009, Ciências, Meio Ambiente.





Plante uma árvore! Faça o seu bairro, um bairro verde!

21 09 2008

 

 

 

 

A Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro conscientiza sobre importância de plantar árvores nas ruas:

 

A Fundação Parques e Jardins vai lançar uma campanha para conscientizar a população sobre a importância da arborização urbana. O objetivo é oferecer informações sobre os benefícios produzidos pelas árvores para a qualidade de vida, como embelezamento paisagístico, diminuição da temperatura em áreas mais quentes e redução da poluição ambiental.

 

A iniciativa surgiu após a constatação do alto índice de rejeição ao plantio de árvores nas ruas, principalmente nas regiões Norte e Oeste. Por isso, o início da campanha será pelo bairro de Piedade, onde 15 agentes ambientais capacitados darão informações sobre as vantagens de ter as ruas arborizadas e vão incentivar os moradores a adotar a muda plantada na sua rua, se comprometendo a cuidar do seu desenvolvimento.

 

Está na hora de tomarmos todas estas iniciativas sob nossa próprias rédeas.  Afinal, somos nós, cidadãos, que nos beneficiamos com o plantio de árvores em todos os bairros.  A hora é agora!  Mova-se!

TORNE A SUA CIDADE MAIS VERDE!