Ninho de andorinhas.
Nosso ninho, bem tecido,
com fios de lealdade,
sempre estará protegido
contra chuva e tempestade.
(José Lucas de Barros)
Primavera no jardim, Joseph B. Platt, capa da revista House and Garden, março 1926.
Mesmo pisando em espinhos
por travessias penosas,
em todos os meus caminhos
farei plantio de rosas!
(Dodora Galinari)
Retrato da menina Maria Catarina Douat, 1957
Win van Dijk ( Holanda/Brasil, 1915-1990)
óleo sobre tela, 95 x 60 cm
Stella Leonardos
(Para Leilá)
É uma sílfide dançando.
É uma infanta adolescendo.
Cabelo de ouro brilhando.
Alvor de lírio crescendo.
Coração de cristal puro,
Alma de rosa nevada,
Sonha trepada no muro.
E não sabe que é uma fada.
Em: Pedaço de Madrugada, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José: 1956, p.51
Ilustração de Margret Boriss
Parece o teu coração
com plataforma de trem,
qua mal despede os que vão
para abrigar os que vêm.
(Roberto Medeiros)
Teia de aranha, 1684
Gao Qipei (China, 1660-1734)
Pintura a dedo, sobre o papel
Olegário Mariano
Dizem que traz felicidade a teia
De aranha. Surge um dia, malha a malha.
E a aranha infatigável que trabalha,
Mata os insetos quanto mais se alteia.
Sobe ao beiral. É um berço e balanceia
Ao vento que os filetes de oiro espalha.
E ao sol iluminado, que a amortalha,
A trama iluminada se incendeia.
Voa a primeira borboleta ebriada.
Vem louca, primavera de ansiedade,
Mas de repente, a asa despedaçada,
Rola… É o fim… A tortura da grilheta…
Maldita seja essa felicidade
Que vem da morte de uma borboleta!
Em: Toda uma vida de poesia — poesias completas, Olegário Mariano, Rio de Janeiro, José Olympio: 1957, volume 1 (1911-1931), p. 117.

Mulher com máscara, 2005
Lucia Helena Redig de Campos (Brasil, 1945)
óleo sobre tela
Ladyce West
Máscara?
Que máscara?
Somos todos mascarados.
Cada qual com seu disfarce
Na passarela, no palco,
Na escola, na corte,
No hospital, no bar da esquina,
Na reunião em família,
Na lágrima sem dor.
No Bom Dia! Na Boa Noite!
No “foi bom para você”?
No obrigado ingrato.
Até os super-herois precisam de suas máscaras.
Não me venha com essa de tirar a minha máscara.
Você me reconheceria?
E ao espelho de manhã?
Fazendo a barba.
Tem certeza de que sabe quem está do outro lado?
Decoração de garrafa de bebida alcoólica, em cerâmica. Autor desconhecido.
Roleta da vida, espelho
dos enganos que cometo;
ponho as fichas no vermelho
e o destino grita: “Preto” !!!
(Izo Goldman)

Marinha com veleiros
Carol Kossak (Polônia 1845 – Brasil 1968 )
óleo sobre tela, 60 x 45,5 cm
Alberto Caeiro
Nunca sei como é
que se pode achar
um poente triste.
Só se é por um poente
não ter uma madrugada.
Mas se ele é um poente,
como é que ele
havia de ser uma
madrugada?
Em:Poemas completos de ALberto Caeiro, Mensagem, Fernando Pessoa, Lima, Peru, Los Libros Mas Pequeños del Mundo: 2011, página, 243
Cigana lendo a palma da mão, ilustração de Stevan Dohanos, 1950.