Pato Donald faz amigos, ilustração Walt Disney.
Para mantê-los me empenho,
porque penso sempre assim:
tendo os amigos que tenho,
eu nem preciso de mim!
(Izo Goldman)
Para mantê-los me empenho,
porque penso sempre assim:
tendo os amigos que tenho,
eu nem preciso de mim!
(Izo Goldman)
Casal comendo próximo à janela,1655
Frans van Mieris, o Velho (Holanda, 1635-1681)
óleo sobre madeira, 36 x 31 cm
UFFIZI, Florença
Ladyce West
Contrariando a física
o tempo parou,
sugado por falha geológica
no descontínuo rolar das horas.
Lacuna espelhada na rua deserta
no som suspenso dos carros parados
no intervalo forçado de planos, projetos
breque em desejos, ambições e caprichos.
O inimigo invisível por todo lado.
Sombra ou sol, chuva ou névoa,
no ar respirado na cidade, ele impera.
Parou o mundo. Em casa
à janela, abraçados, teimamos
na extravagância do viver.
(Junho, 2020)
A brisa afasta a cortina,
e uma nesga de luar,
fugindo à fria neblina,
vem aos meus pés se abrigar.
(Dorothy Jansson Moretti)
Adherbal de Carvalho
(1869-1915)
(A uma moça que me põe uma pulseira no braço)
Tenho beijado esta pulseira olente,
Cheia de amor e cheia de magia!
Aperto-a ao coração constantemente,
Como um sinal da tua simpatia!
Os elos, que se prendem nos meus braços,
Creio que têm um pouco de tua alma;
Alma subtil, voando nos espaços,
Alma de amor, que o meu delírio acalma!
Constantemente, eu a tateio a medo
E com caricia levo-a ao meu ouvido,
Afim de ver se encerra algum segredo
Que o teu amor acaso haja escondido!
E, no entanto, é tão fria, tão pacata,
Como o metal argênteo de que é feita!
Não há nada tão frio como a prata,
Ou como este aro que o meu braço enfeita.
Apesar d’isso, sei-a amar, querida,
E quero-a tanto como a ti desejo;
Pois vejo n’ela a minha e a tua vida,
O nosso amor entrelaçando um beijo!
Em: Efêmeras, Adherbal de Carvalho, 1894.
Célia de Cássia
“Escrevo-te pra dizer-te”, meu amor,
que minhas já não são as tuas cartas.
De folheá-las — velhas, já sem cor —
as minhas mãos nunca ficaram fartas!
As tuas cartas! Doces e amargas…
Luar iluminando com fulgor
a minha escura estrada! Portas largas,
abrindo pra jardins plenos de flor!
Vão publicá-las. Dei-as de presente
(perdoa, amado, essas ideias loucas
que a meu viver já deram mil escolhos…)
Quero, dando-as a ler a toda gente,
que o amor que morreu em nossas bocas
possa ressuscitar em outros olhos…
Célia de Cássia (MG, 1909-?)
Nesse exemplo se resume
um prêmio às almas bondosas:
fica sempre algum perfume
nas mãos que oferecem rosas!
(Aparício Fernandes)
Francisca Júlia
Passo lento, olhar profundo,
Valente, brioso e grave,
O galo é a mais linda ave
Dentre todas que há no mundo.
Um pé adiante, outro atrás,
Bico aberto, o galo canta;
Tem a glória na garganta
E nas esporas que traz.
O galo é sempre o primeiro
A anunciar a s auroras.
Repara bem: tem esporas
E é por isso cavaleiro.
Coroa tem e de lei,
Coroa em forma de crista
Que ganhou numa conquista:
Por isso julga-se rei.
Pendentes até o peito,
Vermelhas, grandes e belas,
Tem barbas que são barbelas
Que lhe dão muito respeito.
Com que delicado amor
Ele defende e acarinha
Ora o pinto, ora a alinha
Com seu gesto protetor!
De cabeça levantada,
Altivo sobre o poleiro,
Ele é o rei do galinheiro
E o cantor da madrugada.
Vivem todos sob a lei
E ordens que o galo decreta:
Soldado, músico e poeta,
Pastor, cavaleiro e rei!
Francisca Júlia. Alma Infantil (Rio de Janeiro: s.e., 1912), pp. 81-83
Quer ser feliz? Então siga
a minha vida bizarra,
que tem muito de formiga
e ainda mais de cigarra…
(Luiz Otávio)
Amigo está sempre a fim
de amparar, se a gente cai;
eu tive um amigo assim:
– esse amigo era meu pai!
(Albertina Moreira Pedro)