—
Não creio ser necessário
explicar meu ideal…
— Por que é que canta o canário?
— Por que é que voa o pardal?
—
( Moysés Augusto Torres)
—
Não creio ser necessário
explicar meu ideal…
— Por que é que canta o canário?
— Por que é que voa o pardal?
—
( Moysés Augusto Torres)
Ilustração, Maurício de Sousa.
—
Por que será que, na vida,
por que será, meu senhor,
não foi criada a medida
capaz de medir o amor?
—
—
(Luiz Evandro Innocêncio)
Ilustração, Maurício de Sousa.
—
Cada um tem sua sorte
pelo destino traçado,
mas não há ninguém tão forte
que nunca tenha chorado.
—
(Rômulo Cavalcante Mota)
—
Olhos negros, cismadores…
Olhos de intenso brilhar.
Olhos que falam de amores
e vivem sempre a sonhar.
—
(Therezinha Radetic)
Feliz Natal, cartão de Natal, França, 1910-1915.
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(J. G. de Araújo Jorge)
Adoração dos Reis Magos.
Cartão Postal da Polônia, sem data.
—
(Antônio Vogel Spanemberg)
Anjinhos semeam estrelas, cartão de Natal, Inglaterra, sem data.Natal… e a gente acredita
num mundo menos atroz
porque a esperança bendita
renasce dentro de nós.
(Newton Vieira)
Presépio, autor desconhecido.
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Vinicius de Moraes
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De repente o sol raiou
E o galo cocoricou:
—–
— Cristo nasceu!
—-
O boi, no campo perdido
Soltou um longo mugido:
— Aonde? Aonde?
—-
Com seu balido tremido
Ligeiro diz o cordeiro:
—-
— Em Belém! Em Belém!
—-
Eis senão quando, num zurro
Se ouve a risada do burro:
—-
— Foi sim que eu estava lá!
—–
E o papagaio que é gira
Pôs-se a falar: — É mentira!
—–
Os bichos de pena, em bando
Reclamaram protestando.
—–
O pombal todo arrulhava:
— Cruz credo! Cruz credo!
—-
Brava
A arara a gritar começa:
—–
— Mentira! Arara. Ora essa!
—-
— Cristo nasceu! canta o galo.
— Aonde? pergunta o boi.
—-
— Num estábulo! — o cavalo
Contente rincha onde foi.
—
Bale o cordeiro também:
—-
— Em Belém! Mé! Em Belém!
—-
E os bichos todos pegaram
O papagaio caturra
E de raiva lhe aplicaram
Uma grandíssima surra.
—-
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Marcus VINÍCIUS da Cruz DE Melo e MORAES (RJ 1913-RJ 1980), diplomata, jornalista, poeta e compositor brasileiro.
Livros:
O caminho para a distância (1933)
Forma e exegese (1935)
Ariana, a mulher (1936)
Novos Poemas (1938 )
Cinco elegias (1943)
Poemas, sonetos e baladas (1946)
Pátria minha (1949)
Antologia Poética (1954)
Livro de Sonetos (1957)
Novos Poemas (II) (1959)
Para viver um grande amor (crônicas e poemas) (1962)
A arca de Noé; poemas infantis (1970)
Poesia Completa e Prosa (1998 )
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Papai Noel com brinquedos e árvore.
Cartão Postal Alemão, década de 1890.
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(Delcy Rodrigues Canales)
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Diógenes Pereira de Araújo
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Vou armar uma árvore, escondida
no coração, recôndito de mim.
Será planta odorífera: alecrim,
por faces de pessoas preenchida
—–
Tais faces vou colhê-las no jardim
dos amigos de sempre cuja vida
fazem a minha vida colorida
e perfumada: há rosas e jasmins
—–
Amigos do passado eu ponho ao centro
amigos do presente mais à mão
para incluir a todos na oração:
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“Senhor, – que trago aqui também por dentro –,
meu coração, com carga especial
transplanta para o teu neste Natal.”
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Diógenes Pereira de Araújo ( SP, 1935). Advogdo, escritor e poeta. Blog: http://diogenespereiradearaujo.blogspot.com
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