Borboletas são? poema de Maria Helena Sleutjes

2 10 2012

Borboletas, ilustração de Brita Barlow, para capa da revista americana Better Homes & Garden, de setembro de 1933.

Borboletas são?

Maria Helena Sleutjes

Borboletas, como explicar?

São insetos…

Nem pensar!

São pedaços coloridos

Que voam.

Isto sim!

São as almas das flores

Visitando os jardins.

Isto sim!

Borboletas, como explicar?

São Lepidópteras…

Nem pensar!

São reflexos de anjos

Que flutuam.

Isto sim!

Borboletas

São pequenas bailarinas

São crianças dançarinas

Pedaços de serpentinas

No canto do meu olhar.

 –





Quantos Dias — poesia tradicional brasileira

28 09 2012

Reunião de bonecas, ilustração B. Midderigh Bokhorst, 1930.

Quantos dias

Trinta dias tem setembro,

mais abril, junho e novembro

fevereiro, vinte oito tem;

nos bissextos, mais um lhe deem,

e os outros, que sete são,

trinta e um todos terão.

Em: O mundo da criança: poemas e rimas, Rio de Janeiro, Delta:  sem data





Divertimento, poesia de Henriqueta Lisboa

17 09 2012

Ilustração Elizabeth Webbe, 1963.

Divertimento

Henriqueta Lisboa

O esperto esquilo

ganha um coco.

Tem olhos intranquilos

de louco.

Os dentes finos

mostra. E em pouco

os dentes finca

na polpa.

Assim, com perfeito estilo,

sob estridentes

dentes,

o coco, em segundos, fica

oco.

Em: Nova Lírica: poemas selecionados, Henriqueta Lisboa, Belo Horizonte, Imprensa Oficial: 1971





Quadrinha da pescaria diária

3 09 2012

Ilustração Walt Disney.

Para não faltar o peixe,

Na mesa do nosso lar,

O pescador, bem cedinho,

Sua rede atira no mar.

(Walter Nieble de Freitas)





Esse pequeno mundo, poesia de Pedro Bandeira

20 08 2012

Esse pequeno mundo

Pedro Bandeira

Sei que o mundo é mais que a casa,

Mais que a rua, mais que a escola,

Mais que a mãe e mais que o pai.

 –

Vai além do horizonte,

Que eu desenhei no caderno,

Como linha reta e preta,

Que separa azul de verde.

 –

Sei que é muito, sei que é grande,

Sei que é cheio, sei que é vasto.

 –

Me disseram que é uma bola,

Que flutua pelo espaço,

Atirada pelo espaço,

Atirada pelo chute

De um gigante poderoso;

Vai direto para um gol,

Que ninguém sabe onde é.

 –

Mas para mim o que mais conta

É este mundo que eu conheço

E que cabe direitinho

Bem debaixo do meu pé.

Em: Cavalgando o arco-íris, Pedro Bandeira, São Paulo, Moderna:1984.

 –





Bichos, poesia de Domingos Pellegrini

7 08 2012

A jaula do leão, 1883

Daniel Hernández Morillo (Peru, 1856-1932)

óleo sobre tela

Bichos

Domingos Pellegrini

No zoológico o mais esquisito

não é o bicho encolhido de medo

nem é o condor encarcerado em tédio

em vez de viajar ao infinito

Não é tigre triste e sem remédio

não é macaco com olhar aflito

não é o leão vizinho do cabrito

ou a girafa longe de arvoredo

Não é o rinoceronte sem campina

nem a onça sem caça a nos olhar

com a selvageria já mofina

Bicho mais esquisito é o que aprisiona

a bicharada para se apreciar

arrotando pipoca e Coca-Cola

Em: Gaiola aberta: 1964-2004, Domingos Pellegrini, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2005





Sem melar as mãos, poesia infantil de Francisco Azevedo

4 08 2012

Margarida toma sorvete, ilustração de Maurício Sousa.

Sem melar as mãos

Francisco Azevedo

Nesta vida

a gente vai tomando sorvete

como pode.

O pescoço torto

lambe em volta

pra não cair respingo.

De repente, suspense:

a língua salva

em segundos

o excesso que escorre.

Os olhos não enxergam

um palmo adiante do nariz:

riscos e cuidados

sujeira por um triz.

Ao final

(Mesmo de colher)

só os raros chegam

sem melar as mãos.

— Me alcança um guardanapo, vai.

(New York, 1982)

Em: A casa dos arcos, Francisco Azevedo, Paz e Terra: 1984, Rio de Janeiro

Francisco José Alonso Vellozo Azevedo, (Rio de Janeiro, RJ , 23/2/1951) –  formado em direito, diplomata, escritor, roteirista, cinematógrafo e poeta.

Obras:

Contra os moinhos de vento, poesia e prosa, 1979

A casa dos arcos, poesia, 1984

O arroz de palma, romance, 2008

Doce Gabito, romance, 2012

Unha e carne, teatro

A casa de Anaïs Nin, teatro





Tupi, poesia infantil de Ladyce West

8 07 2012

Ilustração Ray C. Strang, capa da revista americana The Country Gentleman, de junho de 1930.

TUPI

Ladyce West

Hoje acordei bem cedo.
Vou pra casa da vovó!
Vou feliz e vou sem medo,
Vou levando o meu totó.

Tupi é meu melhor amigo.
Um vira-lata legal!
Quando o peguei no abrigo,
Chamava-se Tiquinho de tal.

Este nome não lhe cabia,
Já que era bem grandão!
Musculoso, ele se fazia
Respeitar na multidão.

Tupi, um nome guerreiro.
De índio, bem brasileiro!
Foi assim que o batizei,
No dia em que o adotei.

Com Tupi vou a todo lado,
De minha casa para escola,
Da pracinha pro gramado
Onde sempre jogo bola.

Vovó gosta das visitas
Que eu e Tupi lhe fazemos.
Prepara uma mesa bonita,
Com quitutes que comemos.

Tupi gosta do passeio.
Grunhe e corre, late e pula.
Nem um pingo de receio,
Vovó lhe incentiva a gula.

Truques e truques ele faz:
Para e senta, deita e rola.
Quer bolachas da sacola
Que vovó sempre lhe traz.

Da série: Pequetita, poesias infantis, Rio de Janeiro: 2008

© Ladyce West, 2008, Rio de Janeiro





Cantiga do lobo amável, poesia infantil de Stella Leonardos

27 06 2012

Ilustração de Loubli Bengali.
Cantiga do lobo amável

Stella Leonardos

— Chapéuzinho, chapéuzinho

Vermelho cor de framboesa!

— Que queres, lobo daninho?

— Acompanhar-te, beleza.

— Chapéuzinho, chapéuzinho

Vermelho cor de coral!

— Que queres, lobo daninho?

— Proteger-te de algum mal.

— Chapéuzinho, chapéuzinho

Vermelho cor da alegria!

— Que queres, lobo daninho?

— Gozar tua companhia.

— Chapéuzinho, chapéuzinho

Vermelho cor de carmim!

— Que queres, lobo daninho?

— Guardar-te sempre pra mim.

Em: Fantoches, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José: 1956.





Irmão menor — poesia infantil de Pedro Bandeira

24 06 2012

Meninos brigando, 1911, ilustração de Leyendecker para a revista americana Saturday Evening Post.

Irmão menor


Pedro Bandeira


Irmão menor
É pior
que catapora
irmãozinho
é pior do que carniça,
É pior do que injeção.


Mexe no que é meu,
rabisca meu caderno,
perde meu carrinho,
e eu fico de castigo
se lhe dou um safanão.

É praga, é prega,
é sarampo, é varicela!

E não venha
achar estranho,
só porque dei uma surra
no danado do moleque
que xingou o meu irmão.


Eu posso xingar,
Os outros não.