Para matar meus desejos,
quando em saudades me incenso,
beijo o carmim dos teus beijos,
com que bordaste o meu lenço…
(Onildo Campo)
Para matar meus desejos,
quando em saudades me incenso,
beijo o carmim dos teus beijos,
com que bordaste o meu lenço…
(Onildo Campo)
A leitura
Antônio Rocco (Itália-Brasil,1880 -1944)
óleo sobre tela, 77 x 70 cm
Cecília Meireles
De que são feitos os dias?
– De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças.
Entre mágoas sombrias,
momentâneos lampejos:
vagas felicidades,
inatuais esperanças.
De loucuras, de crimes,
de pecados, de glórias
– do medo que encadeia
todas essas mudanças.
Dentro deles vivemos,
dentro deles choramos,
em duros desenlaces
e em sinistras alianças…
Por sobre as ondas serenas,
a gaivota, em seu compasso,
é uma tesoura de penas,
cortando o pano do espaço.
(Onildo Campos)
João Dantas de Sousa
(N’um Álbum.)
Vem cá, feiticeira, vem junto a meu lado,
Pois quero ao ouvido dizer-te um segredo…
Esquiva tu foges?… não fujas, louquinha;
Não vejo o que possa causar-te assim medo.
Tu dizes qu’eu fale? – já tu, por ventura,
Ouviste dizer-se segredos assim!
Há coisas que ao mundo ser devem ocultas;
Vem, pois, queridinha, não fujas de mim.
Sorris-te! Não brinques…- Se assim continuas
Então meu segredo não quero contar-te.
Escuta se queres; — são poucas palavras;
E julgo com elas não hei de enfadar-te…
Ao fim te chegaste…. Bem hajas! — Agora,
Escuta o segredo de teu trovador:
Eu te amo….» Que vejo? … tu foges corando!
Pois foge, que ao menos ouviste o melhor.
(1859)
Em: Poesias, João Dantas de Souza, Editora de Almeida, 1859.
Ao ler, na fábrica, o aviso
dizendo “vagas não á”,
comenta alguém num sorriso:
– nem para o emprego do “H”…
(Waldir Neves)
Muitas vezes, embebido
em cismas tenho sonhado
que a vida é um sonho comprido
que a gente sonha acordado!
(Ferreira Gullar)
Quando há pedras nos caminhos,
não fujo rumo aos atalhos,
sou daqueles passarinhos
que não temem espantalhos.
(Ney Damasceno)
Leitura matutina, 2010
Roberto Ploeg (Holanda,Brasil, 1955)
óleo sobre tela
Cecília Meireles
Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.
Em: Cânticos, Cecília Meireles, São Paulo, Moderna: 1981
O canal do YouTube Leitura com Chocolate, elegeu À meia voz como o melhor livro de poesias lido em 2024. Muitíssimo obrigada!
Que na Árvore de Natal
viceje a fraternidade,
e cada enfeite, afinal,
seja um fruto de amizade!
(Arthur Francisco Baptista)