
Bandeira brasileira, s/d
Olavo Campos
Madeira reciclada
Ao vento, assim, desfraldada,
numa data alvissareira,
lembra a Pátria idolatrada
— a Bandeira Brasileira.
(Moyses Augusto Torres)

Bandeira brasileira, s/d
Olavo Campos
Madeira reciclada
Ao vento, assim, desfraldada,
numa data alvissareira,
lembra a Pátria idolatrada
— a Bandeira Brasileira.
(Moyses Augusto Torres)

Pato Donald ao telefone, ilustração de Walt Disney.
O tagarela, insistente,
jamais consegue agradar…
Mas agrada, sempre, a gente
Quem sabe ouvir e calar…
(A. F. Bastos)
Escola: pintura à óleo de Diva do Val Golfieri (Brasil, contemporânea)
Eu sei ler
Martins D’ Alvarez
Eu sei ler corretamente,
faço contas de somar,
sou batuta em dividir,
gosto de multiplicar.
Quando a professora escreve
no quadro-negro da escola,
leio até de olhos fechados:
“Paulo corre atrás da bola.”
Pra somar uma banana
com mais duas e mais três,
vou comendo e vou somando
1 mais 2 mais 3 são 6.
Pra dividir três pães
comigo e com meu irmão?
Eu sou o maior, ganho dois.
Para ele basta um pão.
Se mamãe me dá um doce
na hora de merendar,
acabo comendo três.
Como eu sei multiplicar!
Em: Vamos estudar? – cartilha — de Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1961 [Para a aprendizagem simultânea da leitura e da escrita].
José Martins D’Alvarez (CE 1904) Poeta, romancista, jornalista, diplomado em Farmacia e Odontologia, professor, membro da Academia Cearense de Letras. Nasceu na cidade de Barbalha, Estado do Ceara, em 14 de setembro de 1904. Filho de Antonio Martins de Jesus a de Antonia Leite da Cruz Martins. Fez os estudos primários na sua cidade natal, os secundários, no Liceu do Ceará. Depois de formado em Odontologia. Transferiu em 1938 sua residência para o Rio de Janeiro, onde exerceu, além de atividades na imprensa, atividades no magistério superior.
Obras:
“Choro verde: a ronda das horas verdes”, 1930 (versos).
“Quarta-feira de cinzas”, 1932 (novela).
“Vitral”, 1934 (poemas).
“Morro do moinho” 1937 (romance)
“O Norte Canta”, 1941 (poesia popular).
“No Mundo da Lua”, 1942 (poesia para crianças).
“Chama infinita, 1949 (poesias)
“O nordeste que o sul não conhece 1953 (ensaio)
“Ritmos e legendas” 1959 (poesias escolhidas)
“Roteiro sentimental: geopolítica do Brasil” 1967 (poesias escolhidas)
“Poesia do cotidiano”, 1977 (poesias)
Outros poemas de Martins d’Alvarez neste blog:
ANJO BOM ; AMIGOS ; JOÃO E MARIA ; SÚPLICA

Passarinho cantando, ilustração de Maurício de Sousa.
Mimoso passarinho
Num galho lá pousou
E bem, bem de mansinho
Ao matagal saudou.
Quadrinha de A. de Carvalho
Esta quadrinha faz parte do seguinte exercício: Passe para prosa, com suas palavras, esta quadrinha.
Em: Exercícios de Linguagem e Matemática: 2ª série primária, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1958, p. 59

Bailarina, ilustração de Yuri Dyatlov.
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Cecília Meireles
—
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
—
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.
—
Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá.
—–
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.
—-
Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
—-
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
—-
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
—-
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.
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—
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——
——
Cecília Meireles
Cecília Benevides de Carvalho Meireles (RJ 1901 – RJ 1964) poeta brasileira, professora e jornalista brasileira.
Obras:
Espectros, 1919
Criança, meu amor, 1923
Nunca mais…, 1924
Poema dos Poemas, 1923
Baladas para El-Rei, 1925
O Espírito Vitorioso, 1935
Viagem, 1939
Vaga Música, 1942
Poetas Novos de Portugal, 1944
Mar Absoluto, 1945
Rute e Alberto, 1945
Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1948
Retrato Natural, 1949
Problemas de Literatura Infantil, 1950
Amor em Leonoreta, 1952
12 Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952
Romanceiro da Inconfidência, 1953
Poemas Escritos na Índia, 1953
Batuque, 1953
Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955
Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955
Panorama Folclórico de Açores, 1955
Canções, 1956
Giroflê, Giroflá, 1956
Romance de Santa Cecília, 1957
A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957
A Rosa, 1957
Obra Poética,1958
Metal Rosicler, 1960
Antologia Poética, 1963
História de bem-te-vis, 1963
Solombra, 1963
Ou Isto ou Aquilo, 1964
Escolha o Seu Sonho, 1964
Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965
O Menino Atrasado, 1966
Poésie (versão francesa), 1967
Obra em Prosa – 6 Volumes – Rio de Janeiro, 1998
Inscrição na areia
Doze noturnos de holanda e o aeronauta 1952
Motivo
Canção
1º motivo da rosa

Bolinha, Luluzinha e Aninha, da revista infantil Luluzinha.
Cada um tem sua sorte
pelo destino traçado,
mas não há ninguém tão forte
que nunca tenha chorado.
(Rômulo Cavalcante Mota)
Mulata Sentada, s/d
Fernando P. ( Brasil 1917)
Óleo sobre tela 20 x 24 cm
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Preconceito
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Luiz Peixoto
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A crioula saiu de baiana,
com um xale bonito.
Parecia
um São Benedito
que tem na Bahia,
que sai num andor.
Quis entrar numa buate da Lapa
pra dançar um samba
que tem na Bahia,
mas botaram a negra na rua,
que aquilo não era pra gente de cor.
Ela, humilde, baixou a cabeça
chorando, chorando que nem a mãe preta
no dia em que veio lá de Luanda
num barco veleiro
pra São Salvador.
Em: Poesia de Luiz Peixoto, Rio de Janeiro, Editora Brasil-América:1964, p.11
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Luiz Carlos Peixoto de Castro, ( Niterói, RJ 2/2/1889 – RJ, RJ 14/11/ 1973). Foi poeta, letrista, cenógrafo, teatrólogo, diretor de teatro, pintor, caricaturista e escultor.
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Fernando Clóvis Pereira nasceu a 5 de outubro de 1917 em São Luís, MA – Estudou na Escola de Aprendizes Artífices, mais tarde escola técnica. Por volta de 1939 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi aluno e ajudante de Santa Rosa (1909-1956). Nos anos de 1953-54 estudou em Paris graças ao prêmio de viagem ao exterior recebido no Salão Nacional de Arte Moderna. Na França, estudou na Academia André Lhote, fez o curso livre de gravura na Academia Julien e completou seus estudos com o estudo de mosaico na Academia Gino Severino.

As rosas é que são belas,
Os espinhos é que picam;
Mas são as rosas que caem
São os espinhos que ficam.
(Poesia popular)
Esta quadrinha faz parte do seguinte exercício: Passe para prosa, com suas palavras, esta quadrinha.
Em: Exercícios de Linguagem e Matemática: 2ª série primária, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1958, p. 26

Mãe e filho, gravura de revista publicada 1885, Dinamarca.
Mãe é palavra que encerra
a força do verbo amar,
que nenhum poder da Terra
já conseguiu suplantar.
(Lucina Long)

Ama de leite, ilustração de Ivan Wasth Rodrigues (Brasil 1927-2008), para Casa Grande e Senzala em quadrinhos.
Ricordanza della mia gioventú
Augusto dos Anjos
A minha ama-de-leite Guilhermina
Furtava as moedas que o Doutor me dava.
Sinhá-Mocinha, minha mãe, ralhava…
Via naquilo a minha própria ruína!
Minha ama, então, hipócrita, afetava
Susceptibilidades de menina:
” — Não, não fora ela –” E maldizia a sina,
Que ela absolutamente não furtava.
Vejo, entretanto, agora, em minha cama,
Que a mim somente cabe o furto feito…
Tu só furtaste a moeda, o oiro que brilha…
Furtaste a moeda só, mas eu, minha ama,
Eu furtei mais, porque furtei o peito
Que dava leite para tua filha!
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (PB, 1884 — MG, 1914) foi um advogado e poeta brasileiro, identificado muitas vezes como simbolista ou parnasiano. Mas muitos críticos, como o poeta Ferreira Gullar, concordam em situá-lo como pré-moderno. É conhecido como um dos poetas mais críticos do seu tempo, e até hoje sua obra é admirada tanto por leigos como por críticos literários.