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Galo, ilustração de Mary Ann Cary.
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Bem cedinho o galo canta,
molhado ainda de orvalho.
A roça, ouvindo-o, levanta
e entoa um hino ao trabalho.
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(A. A. de Assis)
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Galo, ilustração de Mary Ann Cary.–
Bem cedinho o galo canta,
molhado ainda de orvalho.
A roça, ouvindo-o, levanta
e entoa um hino ao trabalho.
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(A. A. de Assis)
Ilustração Ruth Eastman, capa da revista Judge (EUA), dezembro de 1929.
Deu-lhe o sogro uma gravata…
— E sua emoção foi tanta
que casou antes da data,
sentindo um nó na garganta!…
(Manuel de Oliveira Costa)
Arthur Timótheo da Costa (Brasil, 1882-1923)
óleo sobre tela, 65 x 54 cm
Manuel Bandeira
Belo belo minha bela
Tenho tudo que não quero
Não tenho nada que quero
Não quero óculos nem tosse
Nem obrigação de voto
Quero quero
Quero a solidão dos píncaros
A água da fonte escondida
A rosa que floresceu
Sobre a escarpa inaccessível
A luz da primeira estrela
Piscando no lusco-fusco
Quero quero
Quero dar volta ao mundo
Só num navio de vela
Quero rever Pernambuco
Quero ver Bagdá e Cusco
Quero quero
Quero o moreno da Estela
Quero a brancura da Elisa
Quero a saliva da Bela
Quero as sardas da Adalgisa
Quero quero tanta coisa
Belo belo
Mas basta de lero-lero
Vida noves fora zero.
Em: Antologia Poética, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, José Olympio: 1978, 10ª edição,pp: 135-136.
Cartão postal, 1ª metade do século XX.
Felicidade é um recado
sem data, sem remetente,
chegando sempre atrasado
na caixa postal da gente!
(Aurora Pierre Artese)
Conquista é jogo de azar
e, no amor, jogo pesado;
querendo te conquistar,
eu é que fui conquistado!…
(Heloísa Zanconato Pinto)
Avião, ilustração de Hergé.
Entre nuvens no infinito,
sofro a prisão mais prisão…
Sinto-me pássaro aflito
na gaiola de um avião.
(Gilka Machado)
Desconheço a autoria da ilustração.
Ciumenta, a pata chorava,
procurando pelas matas,
sabendo que o pato estava
andando com duas patas!
(Aurora Pierre Artese)
Camundongos e caixa de biscoitos Huntleigh & Palmers
A. L. Holding (Inglaterra, séc. XIX-XX)
aquarela, 19 x 23 cm
Alzira Chagas Carpigiani
Rato roedor,
não roas as
roupas do
imperador.
Elas são grossas
e têm cheiro
de bolor.
Rato roedor,
rói sim
as roupas
da imperatriz.
Elas são
feitas de
seda macia
e têm gosto de anis.
Ilustração A. E. Marty.
Vou-me embora pela estrada
carregando os sonhos meus…
Vem atrás a passarada,
cantando, dizer-me adeus!
(Elza Capanema Leitão)
Ilustração Maurício de Sousa.
Pela calçada ela passa…
e a rua, nos passos dela,
tocada de luz e graça,
transforma-se em passarela.
(Jacy Pacheco)