Ilustração Elizabeth Shippen-Green.
Lá no céu, nuvens brejeiras
fofocando no horizonte,
lembram moças palradeiras,
lavando roupa na fonte!
(Zeni de Barros Lana)
Turma da Mônica, © Maurício de Sousa.
Para mantê-los me empenho,
porque penso sempre assim:
tendo os amigos que tenho,
eu nem preciso de mim.
(Izo Goldman)
Ilustração de Jessie Willcox Smith, 1928, para capa da Revista Good Housekeeping.
Quebra-cabeças é a vida,
e as letras peças de amor,
formando, após reunidas
histórias de glória ou dor!
(João Paulo Ouverney)
Madame Mim dança com um admirador. Ilustração Walt Disney.
Não pisco os olhos ao vê-la
para não correr o risco
de, por momentos, perdê-la,
a cada instante que pisco.
(Orlando Brito)
Ilustração da década de 1950.
O sorriso é flor de sebe,
perfume de resedá.
Anima a quem o recebe,
embeleza a quem o dá.
(Nair Starling)
Ilustração de Walter Crane, 1877.
Paulo Setúbal
“Vamos?” disseste… E eu disse logo: vamos!
Ia no céu, nos pássaros, nos ramos,
Uma alegria esplêndida e sonora;
E tu, abrindo ao sol como uma tenda,
Tua sombrinha de custosa renda,
Partimos ambos pela estrada afora…
Com que emoção — recordas? — com que gozo,
Eu vinha te esperar, vibrante e ansioso,
Nessas novenas de plangências cavas.
E como um cavalheiro que se preza,
Timbrava em te levar, depois da reza,
Até ao portão da chácara em que estavas.
Certa vez… Vá, não cores desse jeito!
Era de noite. Arfava-nos o peito.
Ardia em nós um lânguido desejo,
Tomei-te as mãos… Sorriste… E aí, num assomo,
As nossas bocas sem sabermos como,
Famintamente uniram-se num beijo!
Em: Alma cabocla, poesias de Paulo Setúbal, Paulo Setúbal, São Paulo, Ed. Carlos Pereira:s/d, 5ª edição [ Primeira edição foi em 1920]p. 135-136
Quatro meninas em Åsgårdstrand, 1903
Edvard Munch (Noruega, 1863-1944)
óleo sobre tela, 87 x 111 cm
Museu Munch, Oslo
Stella Leonardos
Elas eram quatro rosas
Sendo cada qual mais bela.
A vermelha, a cor de rosa.
A de corola amarela…
Mas a quarta era Rosinha,
Branca branca, bem singela.
Levou-a Deus manhãzinha.
Que era rosa de anjo, aquela.
Em: Pedaço de Madrugada, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José:1956, p.63
Senhora idosa e menino à luz de vela
Mathias Stom (Holanda(?) Bélgica (?), c. 1600 — depois de 1652)
óleo sobre madeira, 58 x 71 cm
Birmingham Museums Trust, Birmingham, Inglaterra
Jorge de Lima
Põe azeite na tua lamparina
Para que a treva eterna se retarde.
A tarde há de ensombrar a tua sina
E a Morte é indefectível como a tarde.
Observa: a sua luz não tem o alarde,
Que as combustões de súbito confina.
O fogaréu indômito ilumina,
Mas, quase sempre, em dois instantes arde.
A lamparina, entanto, muito calma,
— Luz pequenina, que parece uma alma,
Que à Grande Luz celestial se eleva –,
Espera nesse cândido transporte,
Que, extinto sendo o azeite, chegue a Morte,
Que a luz pequena para a Grande leva.
Em: Poesias Completas, Jorge de Lima, vol. I, Rio de Janeiro, Cia. José Aguilar Editora: 1974.p. 52
Céu estrelado de outono, ilustração Jennifer
Manuel Bandeira
Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.
Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.
Por que da sua distância
Para minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta, luzia?
E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.
Em: Antologia Poética, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, José Olympio: 1978, 10ª edição,pp: 110-111.
As letras… que maravilha
com elas a gente faz:
desde alegres redondilhas,
até um tratado de paz!
(Antônio Augusto de Assis)