É Natal… que a luz que brilha
seja eterna em meus caminhos,
que brilhe também na trilha
dos que caminham sozinhos.
(Wilma de Carvalho Penna)
É Natal… que a luz que brilha
seja eterna em meus caminhos,
que brilhe também na trilha
dos que caminham sozinhos.
(Wilma de Carvalho Penna)
Manhã de Natal, cartão postal.
Que saudades dos folguedos
dos meus Natais mais risonhos…
em que singelos brinquedos
amanheciam meus sonhos!
(João Freire Filho)
No meu Natal é rotina
deixar tudo no “capricho”:
no peito faço faxina e
jogo as mágoas no lixo!
(Élbea Priscila de S. e Silva)
Natal: volte a ser criança,
colocando – em profusão –
sapatinhos de esperança…
na janela da ilusão!
(Regina Célia de Andrade)
Sótão, ilustração de Amos Sewell (1901-1983)
Brinquedos velhos, em trapos,
sem importância, parecem…
mas guardam nos seus farrapos
lembranças que não se esquecem,…
(Marina Bruna)
José Paulo Moreira da Fonseca (Brasil, 1922- 2004)
óleo sobre placa, 55 x 47 cm
As sombras que fazes
nas portas que pintas,
a tábuas azuis
o verdes gradis,
aquele amarelo
— é tudo verdade? —
Será que existem?
Quem faz tuas portas,
um sonho esconde.
Que tens atrás delas?
Ali estão vivos fantasmas reais?
Em: Mãos Dadas, Marialzira Perestrello, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1989, p. 41
Luar, ilustração de Christine Barnes.
A lua, pelo céu, passeia airosa,
A copa do arvoredo prateando,
E passando entre as folhas, sobre o lago,
Um poema de rendas vai bordando.
(Maria Thereza de Andrade Cunha)
Ilustração na Revista Collier’s de 1951.
Embora dela me esquive,
a saudade, tão ladina,
tem manhas de detetive,
e me espreita … em cada esquina…
(Élbea Priscila de Sousa e Silva)
Ilustração de Maud Tousey Fangel.
Paulo Setúbal
Um bebê… Ai que ventura
Do nosso peito extravasa!
Há um mês que é a nossa loucura,
Que é a joia da nossa casa.
Mimo não há, sem enleio,
Que mais alinde as vivendas,
Do que um bercinho bem cheio
De laçarotes e rendas.
E nesse ninho de luxo,
— Com dois berloques e um guiso,
Ver um petiz, bem gorducho,
Que nos envia um sorriso.
Ah! Nada eu sei de mais preço,
Nem nada mais inocente,
Do que um sorriso travesso
Numa boquinha sem dente!
E ao ver-te, entre o fofo arranjo
Do teu bercinho tão doce,
Eu sinto bem que és um anjo
Que Deus ao mundo nos trouxe…
E assim, bebê cor de leite,
Com olhos da cor do mar,
Tu és o único enfeite
Do nosso lar!
Em: Alma cabocla, poesias de Paulo Setúbal, Paulo Setúbal, São Paulo, Ed. Carlos Pereira:s/d, 5ª edição [ Primeira edição foi em 1920]p. 179-180.
O navio cheio de bananas
Lêdo Ivo
Paisagem; maresia
azul e bananais!
No porão do navio,
o ouro dos litorais.
Fruto de um paraíso
de mormaço, num alvo
formigueiro de sal
entre negros trapiches.
O horizonte derrama
cal entre as bananeiras.
São roupas de operários,
Cantos de lavadeiras.
Como as bananas verdes
à luz do carbureto
logo ficam maduras
quaradas pelo sol
de uma falsa estação,
assim este cargueiro
esplende, no terral,
seu cacheado tesouro.
E o panorama é de ouro.
E o dia sabe a sal.