Assisto à copa e me zango
vendo a cena inusitada:
Uma só nota do tango
vence as onze da lambada!
(Pedro Ornellas)
Assisto à copa e me zango
vendo a cena inusitada:
Uma só nota do tango
vence as onze da lambada!
(Pedro Ornellas)
Albércio Vieira Machado
Pela cauda preso ao galho,
ele faz o seu trabalho:
com as mãos faz o “diabo!”
Porém, nós, que não o fazemos,
com inveja, então dizemos:
— Quanta falta faz um rabo!
Em: Poetas do Brasil, organização Aparício Fernandes, 4º volume, Rio de Janeiro, Folha Carioca: 1979, p. 31
As perucas diferentes,
que a vaidade lhe requer,
dão-me adultérios frequentes
com minha própria mulher!
(Antonio Carlos Teixeira Pinto)
Na infância, festa de cores,
tudo era encanto e magia
e eu via muito mais flores
além das tantas que havia.
(Pedro Ornellas)
Soldados
John Singer Sargent (EUA, 1856-1925)
aquarela
Se a guerra foi declarada
e é poderoso o oponente,
faze da astúcia aliada,
que astúcia é força da mente!
(Élbea Priscila de Souza e Silva)
Armando Braga
Numa gaiola, toda azul e ouro,
De raro estilo e singular beleza,
Tinha um canário, a pálida Princesa:
— Seu bem-amado e seu maior tesouro…
Às vezes presa de infundado agouro,
Vivia instantes de mortal tristeza;
E então ficava, debruçada à mesa,
a ouvir cantar o seu Caruso louro…
Mas certo dia de um destino vário,
Chora a Princesa a morte do canário
Que fora a vida de seus sonhos ledos!
Como eu te invejo, ó Príncipe Encantado,
Que mais pudesse com cantar teu fado,
Do que eu com a lira a me gemer nos dedos!
Em: Poetas nas Bandas do Mar: uma antologia, ed. João do Prado Maia e outros marinheiros poetas, ed. José Nazar, Rio de Janeiro, Companhia de Freud: 2007, pp: 75-6.
Armando Braga (1883-1969), engenheiro, geógrafo, poeta, músico, escultor, pianista e compositor, teve suas obras (poesia e prosa) publicadas nas revistas Careta, O Malho, entre outras.
Jacqueline lendo
Albert André (França, 1869-1954)
óleo sobre tela
Olavo Bilac, Poema V, Via Láctea.
Faria Neto
Minha enxadinha
trabalha bem;
corta matinhos
num vai-e-vem.
Minha enxadinha
vai descansar
para amanhã
recomeçar.
Adeus, rocinha!
Adeus, trabalho!
A vós, plantinhas
o doce orvalho.
O amor e o sonho, querida,
são graças que Deus nos deu…
Quem não ama não tem vida,
quem não sonha já morreu.
(José Lucas de Barros)
Nelson Tangerini
Quando Ela passa, de sombrinha clara,
essa da Moda, esplendorosa Estrela,
para o automóvel, para o bonde, para
o mundo inteiro: todos querem vê-la..
E todo mundo, estático, escancara
os olhos grandes, que se aumentam pela
vontade de envolver-lhe a forma rara
num desejo malvado de comê-la…
E a deusa passa… E passa – indiferente,
sem medo de que o mundo se desabe…
bailando as curvas, desmanchando a gente…
E a gente fica a interrogar-se, à-toa,
como, em dois dedos de vestido, cabe
uma porção de tanta coisa boa!…









