Férias?

12 07 2023





Trova do inverno

10 07 2023
Ilustração Laura Sylvia Gosse

Inverno… as horas vazias…

As árvores tristes…nuas…

E as minhas mãos estão frias

sentindo falta das tuas…

(Luiz Otávio)





Os influenciadores: Stella Leonardos

5 07 2023

Depois que publiquei meu primeiro livro de poesias, todo mundo quer saber que poetas eu li, de quem eu gosto.  A lista é grande. Mas aos poucos vou contando….   Obrigada pelo interesse.





21 06 2023

Campo de trigo com corvos, 1890

Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)

óleo sobre tela, 101 x 50 cm

Van Gogh Museum, Amsterdã

 

 

 

Van Gogh III

 

Marialzira Perestrello

 

« Van Gogh le plus peintre de tous les peintres »

A. Artaud

 

 

Vincent-Antonin

Artaud-Van Gogh

Gênios, loucos?

Loucos geniais?

 

Eles queriam sua  verdade

verdades vitais

mortais verdades

além de Tudo

aquém do  Nada.

 

Não queriam a Morte

lutaram pela Vida

(Insanamente?)

 

Oh! Deus

como eram negros

aqueles corvos!

 

1990

 

Em: A música persiste, Marialzira Perestrello, Rio de Janeiro, Imago: 1995, p. 34

 





Morrer, poema de Ivan Junqueira

9 06 2023

Mensageiro do amor, 1885

Marie Spartali Stillman (Inglaterra, 1844 -1923)

aquarela, têmpera, folha ouro sobre papel colado em  madeira, 81 x 66 cm

Museu de Arte de Delaware

 

 

 

Morrer

 

Ivan Junqueira (1934-2014)

 

Pois morrer é apenas isto:

cerrar os olhos vazios

e esquecer o que foi visto;

 

é não supor-se infinito,

mas antes fáustico e ambíguo

jogral entre a história e o mito;

 

é despedir-se em surdina,

sem epitáfio melífluo

ou testamento sovina;

 

é talvez como despir

o que em vida não vestia

e agora é inútil vestir;

 

é nada deixar aqui:

memória, pecúlio, estirpe,

sequer um traço de si;

 

é findar-se como um círio

em cuja luz tudo expira

sem êxtase nem martírio.

 

 

Em: O tempo além do tempo: antologia, Ivan Junqueira, organização e prefácio, Arnaldo Saraiva, Vila Nova de Famalicão, editora Quasi:2007, p.71





Trova de um recado

6 06 2023

62 Ray Prohaska ideas | ray, mother's day in america ...

Ilustração Ray Prohaska.

 

 

Saudade é um sutil recado

que a vida gosta de ler

nos bilhetes que o passado

não se cansa de escrever!…

 

(Mara Mellini)





Encontro carioca

1 06 2023
Encontro com a amiga e também escritora Lenah Oswaldo Cruz, em um café no Leblon, RJ.
 
Caso vocês não saibam, Lenah é autora de A voz do tempo, um livro absorvente. São memórias de suas angústias e incompreensão ainda menina, depois adolescente, e finalmente jovem mulher, para entender a paixão de Dora e Luiz, seus pais, paixão que se autodestruiu mas que gerou frutos fecundos.
 
Lenah tem sido também uma das maiores incentivadoras da minha escrita, tanto na poesia como sobre arte. Foi uma prazer imenso passar umas horinhas em sua companhia.




Surpresa natalina, poesia de Ira Etz

25 05 2023

Metrô, 1919

Walter Pach ( EUA, 1883-1958)

óleo sobre tela

Saint Louis Art Museum

 

 

Surpresa natalina

 

Ira Etz

 

Eles se encontravam,

Ocasionalmente

Anônimos.

Pegavam o mesmo ônibus.

No começo,

se olhavam timidamente.

Aos poucos, os olhares

Tornaram-se

Mais expressivos, desejosos.

Não dava para adiar.

Marcaram encontro.

Passaram o Natal juntos.

Se deram de presente

Um ao outro.

Se amaram.

Ele perguntou,

Quer passar sua vida

Sempre assim?

Não!

 

Em: Ainda, Ira Etz, Editora Sete Letras, Rio de Janeiro:2022, p. 46

 





O pampa, poesia de Jorge de Lima

9 05 2023

Gaúcho da serra

José Lutzenberger (Alemanha-Brasil, 1882- 1951)

aquarela, 19 x 26 cm

Museu de Arte do Rio Grande do Sul

 
O pampa

 

Jorge de Lima

 

Nem chinas cantando,

nem violas gemendo,

nem ranchos,

nem fachos,

nem fandangos,

nem balaios,

nem violões,

nem habaneras de cordeonas.

 

— O pampeiro

e as almas penadas das taperas —

e as primeiras estrelas

que vieram assistir a noite escura

despencar de repente

lá do céu

sobre o pampa: pam! pa!

 

Em: Poesias Completas, Jorge de Lima, vol. IV, Rio de Janeiro, Cia. José Aguilar Editora: 1974. p. 30





A estrela pequenina, soneto de Olegário Mariano

27 04 2023
Ilustração de Jimmy Liao.

 

 

A estrela pequenina

 

Olegário  Mariano

 

Quando à noite olho o céu desta larga janela,

Vejo através da talagarça da neblina,

Uma estrela infantil, inquieta e pequenina,

Que, por ser infantil, me parece mais bela.

 

Ora se esconde, ora ressurge, ora se inclina,

Aumentando o esplendor da sua cidadela.

Devo a Deus que me pôs em contato com ela,

O espírito do céu nessa graça divina.

 

E pergunto a mim mesmo, extasiado de vê-la:

Quem viverá no corpo ideal daquela estrela?

Quem nela se encarnou? Que destino era o seu?

 

Será o Amor que aquele ponto de ouro encerra?

Ou a Saudade que põe os olhos sobre a terra,

Por não  poder voltar à terra onde nasceu?

 

 

Em: Toda uma vida de poesia — poesias completas, Olegário Mariano, Rio de Janeiro, José Olympio: 1957, volume 2 (1932-1955), p. 450.