Neste mundo que nos cansa
tanta maldade se vê,
que a gente tem esperança
mas já nem sabe de quê…
(José Maria Machado de Araújo)
Neste mundo que nos cansa
tanta maldade se vê,
que a gente tem esperança
mas já nem sabe de quê…
(José Maria Machado de Araújo)
Procurei a felicidade
por este mundo sem fim,
sem saber que na verdade
estava dentro de mim.
(José Carlos Dutra do Carmo)
Após fitar várias flores,
eu pergunto com surpresa:
– Como cabem tantas cores
no pincel da Natureza?
(Hildemar de Araújo Costa)
Menina do Rio Negro
Elon Brasil (Brasil, 1957)
óleo sobre lona e saco de café, 100 x100 cm
Michel Klejnberg
entre os cachos
sobre a orelha
vermelha
contra a pele
chocolate,
escarlate
dois sorrisos
lado a lado,
encarnado
uma rosa lhe brotou no gramado do cabelo
ou foi a flor que deu uma menina no caule?
Em: Confissuras, Michel Klenjnberg, Rio de Janeiro, Sete Letras: 2010. p. 40
Foste embora e por maldade
deixaste a troco de nada,
rastros da tua saudade
em cada curva da estrada!…
(Marilúcia Resende)
Moça sentada na rede
Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)
óleo sobre tela, 70 x 54 cm
Casimiro de Abreu (1839-1860)
Não sabes, Clara, que pena
Eu teria se – morena
Tu fosses em vez de clara!
Talvez… Quem sabe?… não digo…
Mas refletindo comigo
Talvez nem tanto te amara!
A tua cor é mimosa,
Brilha mais da face a rosa,
Tem mais graça a boca breve.
O teu sorriso é delírio…
És alva da cor do lírio,
És clara da cor da neve!
A morena é predileta,
mas a clara é do poeta:
Assim se pintam arcanjos.
Qualquer, encantos encerra,
Mas a morena é da terra
Enquanto a clara é dos anjos!
Mulher morena é ardente:
Prende o amante demente
Nos fios do seu cabelo;
– A clara é sempre mais fria,
Mas dá-me licença um dia
Que eu vou arder no teu gelo!
A cor morena é bonita,
Mas nada, nada te imita
Nem mesmo sequer de leve.
– O teu sorriso é delírio…
És alva da cor do lírio,
És clara da cor da neve!
Ricardo Kubrusly
há uma lua em são paulo outra no rio
duas iguais, mesma substância
uma no mar, outra entre rios
refletida na lama das marginais
uma se espreita nos arcos, se alonga
devora o passeio, se atira
nas águas. duas iguais criaturas
escalam o horizonte, eu: voo entreluas
Em: Acordanoite, Ricardo Kubrusly, Rio de Janeiro, Editora Seis: 1993, p.48
Quando criança, eu ficava
olhando o céu a cismar:
– quem, tão alto, a luz ligava
para acender o luar!
(Lisete Johnson)
Delicioso livro de ensaios, crônicas, uma ou outra poesia, páginas que como um leque se abrem aos nossos olhos e encantam. Não há assunto que não possa ser abordado e a variedade é grande. Vamos abrindo esse leque de considerações sobre a adolescência, por exemplo, engatilhada pela visão da ativista Greta Thunberg em Nova York; vamos do prazer de um bom banho ao quadro As Banhistas de Paul Cézanne e aos de Monet. De ciganos e uma breve estadia no hospital por um fêmur quebrado, somos guiados a considerações sobre enfermagem, Ana Néri ou ao livro Morro dos Ventos Uivantes de Emily Brontë, não sem antes, ela nos levar à ópera Carmen de Bizet. Cada uma de suas divagações e considerações enriquece o leitor. Verdadeiro presente, flanar com Raquel Naveira pelos labirintos da cultura; um passeio que liga o que somos ao mundo exterior e ao imaginário.
Até ler este livro, só conhecia Raquel Naveira por suas poesias. Casa e Castelo foi o primeiro de seus livros que li, e me encantou, depois veio Casa de Tecla e mais tarde Abadia. Raquel tem voz própria na poesia e um encantamento adicional para mim: é amante das artes plásticas. Muitos de seus poemas e outros escritos mencionam obras de arte que a impactaram. Sua escrita é acessível e rica. Seus temas variados seduzem o leitor. Recomendo a leitura sem restrições.
Figura feminina, 1971
Augusto Rodrigues (Brasil, 1903-1993)
técnica mista sobre papel, 29 x 25 cm
P/ Teresinha
A menina dos meus sonhos
é assim, como um poema:
às vezes leveza clara,
às vezes pureza gema.
Está presente em meus sonhos,
sem saber nada de mim.
às vezes fura meu peito
com esporas de cetim.
A menina dos meus sonhos
me acorda nas madrugadas,
para acender seus caprichos
mantendo a luz apagada.
Mas quando o dia amanhece
a luz invade a retina,
o despertador faz preces
afugentando a menina.
Em: As miudezas da velha, Luís Pimentel, 2ª edição, Rio de Janeiro, Myrrha, 2003, p. 57