Trova da Quarta de Cinzas

14 02 2024

Cada festa tem seu fim, 1855

Título alternativo: Jantar na Maison D’Or

Thomas Couture (França, 1815-1879 )

óleo sobre tela, 180 x 220 cm

National Gallery of Canadá, Ottawa

 

 

 

A quarta-feira de cinzas

é dia de jejuar.

É o momento dos ranzinzas

pararem de reclamar.

 


(Ana Paula Almeida)





As máscaras, poema de Menotti del Picchia

13 02 2024
Pierrô, Colombina e Arlequim, 1928, George Barbier.

 

 

As Máscaras

 

Menotti del Picchia



O teu beijo é tão doce, Arlequim…
O teu sonho é tão manso, Pierrô…

Pudesse eu repartir-me
encontrar minha calma
dando a Arlequim meu corpo…
e a Pierrô, minha alma!

Quando tenho Arlequim,
quero Pierrô tristonho,
pois um dá-me prazer,
o outro dá-me o sonho!

Nessa duplicidade o amor todo se encerra:
Um me fala do céu…outro fala da terra!

Eu amo, porque amar é variar
e, em verdade, toda razão do amor
está na variedade…

Penso que morreria o desejo da gente
se Arlequim e Pierrô fossem um ser somente.

Porque a história do amor
só pode se escrever assim:
Um sonho de Pierrô
E um beijo de Arlequim!

 




Trova do Carnaval

12 02 2024
Ilustração francesa, assinada por iniciais J.B.W.

 

 

O meu riso é mascarado,

eu não sou alegre assim…

Há um palhaço amargurado

Que chora dentro de mim.

 

(Clóvis Maia)





Soneto principalmente do Carnaval, Carlos Pena Filho

10 02 2024

Mascarados

Raimundo de Madrazo y Garreta (Espanha, 1841-1920)

óleo sobre tela

 

 

Soneto principalmente do Carnaval

 

Carlos Pena Filho

 

Do fogo à cinza fui por três escadas

e chegando aos limites dos desertos,

entre furnas e leões marquei incertos

encontros com mulheres mascaradas.

 

De pirata da Espanha disfarçado

adormeci panteras e medusas.

Mas, quando me lembrei das andaluzas,

pulei do azul, sentei-me no encarnado.

 

Respirei as ciganas inconstantes

e as profundas ausências do passado,

porém, retido fui pelos infantes

 

que me trouxeram vidros do estrangeiro

e me deixaram só, dependurado

nos cabelos azuis de fevereiro.





Trova do Carnaval

9 02 2024
Capa da Revista Fonfon, ilustração de J. Carlos.

 

 

Se o Carnaval é de louco,

como quer o puritano,

três dias é muito pouco

para as loucuras de um ano.

 

(Manuel Pinheiro de Sousa)





Trova do Carnaval

6 02 2024
Ilustração: O baile de máscaras, Georges Jules Victor Clairin (França, 1843-1919)

 

 

 

 

Para que um carnaval

com três dias de folia,

pois se a vida é afinal,

grande baile à fantasia?

 

(Renato Vieira da Silva)





Canção do Dia de Sempre, Mário Quintana

1 02 2024

Moça lendo

Georges D’Espagnat ( França,1870-1950)

óleo sobre tela, 53 x 43 cm

 

 

 

Canção do dia de sempre

 

Mario Quintana

 

 

Tão bom viver dia a dia…

A vida assim, jamais cansa…

 

Viver tão só de momentos

Como estas nuvens no céu…

 

E só ganhar, toda a vida,

Inexperiência… esperança…

 

E a rosa louca dos ventos

Presa à copa do chapéu.

 

Nunca dês um nome a um rio:

Sempre é outro rio a passar.

 

Nada jamais continua,

Tudo vai recomeçar!

 

E sem nenhuma lembrança

Das outras vezes perdidas,

Atiro a rosa do sonho

Nas tuas mãos distraídas…





Trova de Carnaval

28 01 2024
Ilustração de Wilson William.

 

 

 

Carnaval. Reina a folia.

Quantos, nessa confusão,

se escondem na fantasia

para mostrar o que são!

 

 

(Paulo Emílio Pinto)





A solidão e sua porta, soneto de Carlos Pena Filho

25 01 2024

Leitora, 1897

Alexandre Louis Marie Charpentier (França, 1856-1909)

Desenho

Museu de Belas Artes de São Francisco

 

 

A Solidão e Sua Porta

 


Carlos Pena Filho


                                                                                             (A Francisco Brennand)

 

 

Quando mais nada resistir que valha

a pena de viver e a dor de amar

E quando nada mais interessar

(nem o torpor do sono que se espalha)

 

Quando pelo desuso da navalha

A barba livremente caminhar

e até Deus em silêncio se afastar

deixando-te sozinho na batalha

 

Arquitetar na sombra a despedida

Deste mundo que te foi contraditório

Lembra-te que afinal te resta a vida

 

Com tudo que é insolvente e provisório

e de que ainda tens uma saída

Entrar no acaso e amar o transitório.





Trova de Carnaval

22 01 2024
Ilustração italiana, Pierrô e Colombina

 

 

 

Triste vida a do Pierrô:

sofrer pela Colombina,

que, nos braços de Arlequim,

ri de sua triste sina!

 

(Paluma Filho)