–
–
Moça lendo, 2000
José van Gool (Bélgica, 1945 )
óleo sobre tela, 60 x 70 cm
–
“Um poema é um segredo dividido entre duas pessoas que nunca se encontraram”.
–
Charles Simic
–
–
Moça lendo, 2000
José van Gool (Bélgica, 1945 )
óleo sobre tela, 60 x 70 cm
–
–
Charles Simic
–
Soldadinho de chumbo, s/d
Marysia Portinari ( Brasil, 1937)
óleo sobre tela, 30 x 20 cm
–
–
Manuel Bandeira
–
Bão balalão,
Senhor capitão.
Tirai este peso
Do meu coração.
Não é de tristeza,
Não é de aflição:
É só de esperança,
Senhor capitão!
A leve esperança,
A aérea esperança…
Aérea, pois não!
Peso mais pesado
Não existe não.
Ah, livrai-me dele,
Senhor capitão!
–
–
Em: Manuel Bandeira Antologia Poética, Rio de Janeiro, Livraria José Olympio:1978, 10ª edição
–
–

–
–
José Paulo Moreira da Fonseca
–
–
Povoaste a paisagem grega
————–guardas um timbre clássico algo de conciso
ágil e jovem — quem negaria? — basta ver-te sobre os abismos
sem receio ou vertigem
—————como a vida
–
–
Em: Antologia Poética, José Paulo M. F., Rio de Janeiro, Leitura: 1968
–
–
Paisagem com lua, 1925
Max Beckmann (Alemanha,1884-1950)
óleo sobre tela
–
–
Jayme Quartin
–
–
Noturno de coruja
vagalume e grilo
–
noturno das vacas
silentes mastigantes
pensamentos brotam
do capim gordura
–
destacam-se das
sombras
os silêncios profundos
como lontras emergentes
do rio
–
pescando delineadas
lâminas em prata
que os antigos
chamavam
de peixe.
–
Noturno dos piados
esquisitos no alto
da mangueira
e o cajado
do fantasma
batendo no chão.
–
Noturno de brisas.
Noturno de
odores
multifaceiro
veloz e a
cores.
–
Nas asas misteriosas
da noite
o vôo do bacuráu!
–
–
Em: Ray-ban, de Jayme Quartin, 1995.
–
–
Mãe e filhos no jardim, 1928
René Brimstead
Para House & Garden, Julho de 1928.
–
–
–
Zalina Rolim
–
–
Venha do céu o melindroso Anjinho
— Maravilha de graça e de inocência
De nosso lar a flor e da existência
O rescendente laço de carinho.
–
Venha do céu na doce refulgência
De um sorriso de Deus ao nosso ninho…
Criatura gentil, meigo entezinho,
Do eterno Bem a misteriosa essência.
–
Venha… e com ele o resplendor da graça
Que — avezinha ideal — passa e perpassa
E acende em nosso olhar doce lampejo…
–
Venha… e com ele a vaga de ternura
Que o coração dos pais funde e mistura
Na deliciosa música do beijo.
–
–
Em: 232 Poetas Paulistas, antologia de Pedro de Alcântara Worms, Rio de Janeiro, Conquista:1968
–
–
Maria Zalina Rolim Xavier de Toledo — nasceu em Botucatu (SP), em 20 de julho de 1869.
Professora alfabetizadora transferiu-se com a família para São Paulo em 1893.
Educadora, entre 1896 e 1897, exerceu o cargo de vice-inspetora, do Jardim da Infância anexo à Escola Normal Caetano de Campos, em São Paulo.
Escreveu para diversas revistas femininas e jornais como A Mensageira, O Itapetininga, Correio Paulistano e A Província de São Paulo.
Faleceu em São Paulo, em 24 de junho de 1961.
Obras:
1893 – O coração
1897 – Livro das Crianças
1903 – Livro da saudade (organizado nesta data para publicação póstuma)
–
–
Desconheço a autoria dessa ilustração.–
–
–
Cassiano Ricardo
–
E começa a longa história
do navio que ia e vinha
pela estrada azul do Atlântico:
–
Ia, levando pau-brasil
e homens cor da manhã, filhos do mato,
cheios de sol e de inocência;
vinha trazendo delegados…
–
Ia, levando uma esperança;
vinha trazendo foragidos de outras pátrias
para a ilha da Bem-aventurança.
–
Ia levando um grito de surpresa;
————- da terra criança;
e vinha abarrotado de saudade
————–portuguesa…
–
–
Em: Martim Cererê de Cassiano Ricardo, Rio de Janeiro, José Olympio: 1974
–
–
–
Cassiano Ricardo Leite (São José dos Campos, 26 de julho de 1895 — Rio de Janeiro, 14 de janeiro de 1974) foi um jornalista, poeta e ensaísta brasileiro.
Obras:
Dentro da noite, poesia, 1915
A flauta de Pã, poesia, 1917
Jardim das Hespérides, poesia, 1920
Atalanta, poesia, 1923
A mentirosa de olhos verdes, poesia, 1924
Borrões de verde e amarelo, poesia, 1925
Vamos caçar papagaios, 1926
Martim Cererê, poesia, 1928
Canções da minha ternura, poesia, 1930
Deixa estar, jacaré, poesia, 1931
O Brasil no original, crítica, teoria e história literárias, 1937
O Negro na Bandeira, crítica, teoria e história literárias, 1938
Pedro Luís: visto pelos modernos, crítica, teoria e história literárias, 1939
Academia e a poesia moderna, crítica, teoria e história literárias, 1939
Marcha para Oeste, crítica, teoria e história literárias, 1942
O sangue das horas, poesia, 1943
Paulo Setúbal, o poeta, crítica, teoria e história literárias, 1943
A academia e a língua brasileira, crítica, teoria e história literárias, 1943
Um dia depois do outro (1944-1946), poesia 1947
Poemas murais, 1947-1948, poesia, 1950
A face perdida, poesia, 1950
Vinte e cinco sonetos, poesia, 1952
Poesia na técnica do romance, crítica, teoria e história literárias, 1953
O Tratado de Petrópolis, crítica, teoria e história literárias, 1954
Meu caminho até ontem, poesia, 1955
O arranha-céu de vidro, poesia, 1956
João Torto e a fábula : 1951-1953, poesia 1956
Pequeno Ensaio de Bandeirologia, crítica, teoria e história literárias, 1956
Poesias completas, poesias, 1957
Poesia, poesia, 1959
Martins Fontes, 1959
Homem Cordial, crítica, teoria e história literárias, 1959
Montanha russa, poesia, 1960
A difícil manhã, poesia, 1960
O Indianismo de Gonçalves Dias, 1964
A floresta e a agricultura, crítica, teoria e história literárias, 1964
Algumas Reflexôes Sobre Poética de Vanguarda, 1964
Poesia praxis e 22, crítica, teoria e história literárias, 1966
Jeremias sem-chorar (1964)
Viagem no tempo e no espaço (Memórias) poesia, 1970
Serenata sintética, poesia XX
Sobreviventes, mais um poema Circunstancial , poesia, 1971
Seleta em Prosa e Verso, miscelânea, 1972
Sabiá e sintaxe, crítica, teoria e história literárias, 1974
Invenção de Orfeu (e outros pequenos estudos sobre poesia), poesia, 1974
–
–
–
–
Ribeiro Couto
–
–
Sabor de antigamente, sabor de família.
Café que foi torrado em casa,
Que foi feito no fogão de casa, com lenha do mato de casa.
–
Café para as visitas de cerimônia,
Café para as visitas de intimidade,
Café para os desconhecidos, para os que pedem pousada,
para toda gente.
–
Café para de manhã, para de tardinha, para de noite,
Café para todas as horas do riso ou da pena,
Café para as mãos leais e os corações abertos,
Café da franqueza inefável,
Riqueza de todos os lares pobres,
Na luz hospitaleira do Brasil.
–
–
Em: Antologia Poética para a infância e a juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro:1961.
–
Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto (Santos, 12 de março de 1898 — Paris, 30 de maio de 1963), mais conhecido simplesmente como Ribeiro Couto, foi um jornalista, magistrado, diplomata, poeta, contista e romancista brasileiro. Foi membro da Academia Brasileira de Letras desde 28 de março de 1934 (ocupando a vaga de Constâncio Alves na cadeira 26), até sua morte.
Obra
Poesia
O jardim das confidências (1921)
Poemetos de ternura e de melancolia (1924)
Um homem na multidão (1926)
Canções de amor (1930)
Noroeste e alguns poemas do Brasil (1932)
Noroeste e outros poemas do Brasil (1933)
Correspondência de família (1933)
Província (1934)
Cancioneiro de Dom Afonso (1939)
Cancioneiro do ausente (1943)
Dia longo (1944)
Arc en ciel (1949)
Mal du pays (1949)
Rive etrangère (1951)
Entre mar e rio (1952)
Jeux de L’apprenti Animalier. Dessins de L’auteur. (1955)
Le jour est long, choix de poèmes traduits par l’auter (1958)
Poesias reunidas (1960)
Longe (1961)
Prosa
A casa do gato cinzento, contos (1922)
O crime do estudante Batista, contos (1922)
A cidade do vício e da graça, crônicas (1924)
Baianinha e outras mulheres, contos (1927)
Cabocla, romance (1931);
Espírito de São Paulo, crônicas (1932)
Clube das esposas enganadas, contos (1933)
Presença de Santa Teresinha, ensaio (1934)
Chão de França, viagem (1935)
Conversa inocente, crônicas (1935)
Prima Belinha, romance (1940)
Largo da matriz e outras histórias, contos (1940)
Isaura (1944)
Uma noite de chuva e outros contos (1944)
Barro do município, crônicas (1956)
Dois retratos de Manuel Bandeira (1960)
Sentimento lusitano, ensaio (1961)
–
–
Natureza Morta com livros
Judith Gibson ( Reino Unido, comtemporânea)
–
–
–
Gualter Cruz
–
–
–
Quando eu morrer te deixarei, irmão,
Os livros todos que eu em vida amei,
Livros que ao lê-los eu sorri, chorei,
Sentindo-me pulsar o coração!
–
Queira guardar, irmão, este tesouro
Porque era tudo que na vida eu tinha,
O bem e o mal querer da minha vida,
A minha arca a transbordar de ouro!
–
São folhas gastas, lidas e relidas,
Que sempre me falaram bem à alma
E me trouxeram, pouco a pouco, a calma,
Páginas belas, ricas, coloridas!
–
Em cada autor eu tive um grande amigo,
Emoções belas, sentimentos novos.
Senti bater o coração dos povos
Como a este coração que está comigo!
–
Quando eu morrer, irmão, tu nunca os venda,
Embora não os queira como eu quero,
Pois são no mundo aquilo que eu venero,
A mais formosa, a mais ditosa prenda!
–
Tem pois, por eles, paternal cuidado,
E de uma mãe puríssima afeição;
Cuida bem deles, meu querido irmão,
Pois eles são o meu tesouro amado!
–
Em cada livro ficará meu ser,
Com um suspiro eterno de saudade,
Que cortará sentido a eternidade
Quando eu deixar na terra de sofrer!
–
E cada folha que rasgada for,
Qual um punhal o peito me ferindo,
Para minh’alma sofrimento infindo,
Reavivará no espaço a minha dor!
–
Tem mui cuidado! Ó, não os rasgues, irmão!
E nem sequer os vendas , por favor!
Seria por demais a minha dor
Vê-los correr ao léu, de mão em mão!
–
Quando leres, um dia, com carinho,
As mesmas linhas que eu em vida lia,
Grande no espaço, então, minha alegria,
E bem mais claro, pois, o meu caminho!
–
Quero levar daqui mil esperanças!
Quero deixar nos livros que te dei,
Nas páginas que em vida tanto amei,
A mais rica, talvez, dentre as heranças!
–
–
Em: Poesias completas, Gualter Cruz, Petrópolis, Editora do autor: 1983.
–
Gualter Germano Chaves da Cruz (Petrópolis, RJ, 1921, Rio de Janeiro, RJ 1978)
–
–
–
–
Henrique Simas
–
–
O vento soprou depois de alguma espera
E foram expulsos de dentro todos os fantasmas
Os restos de sombra o sol desfez.
A chuva terminou de apagar as últimas letras,
Arrancando da terra as raízes inúteis.
E nada mais sobrou além do espaço
Pronto a ser ocupado pelos novos donos,
Obstinados cultivadores de esperança.
–
–
Em: Horizonte Vertical: poemas, Henrique Simas,prefácio de Alceu Amoroso Lima, Rio de Janeiro, Olímpica: 1967, p. 78.
–
–
Mosquito, ilustração Maurício de Sousa.–
–
–
Cecília Meireles
–
–
O mosquito pernilongo
trança as pernas, faz um M,
depois treme, treme, treme,
faz um O bastante oblongo,
faz um S.
–
O mosquito sobe e desce.
Com artes que ninguém vê,
faz um Q,
faz um U, e faz um I.
–
Este mosquito esquisito
cruza as patas, faz um T.
E aí,
se arredonda e faz outro O,
mais bonito.
–
Oh!
Já não é analfabeto,
esse inseto,
pois sabe escrever seu nome.
–
Mas depois vai procurar
alguém que possa picar,
pois escrever cansa,
não é, criança?
–
E ele está com muita fome.
–
–
Em: Ou isto ou aquilo, Cecília Meireles, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 2002.
–
–
Cecília Benevides de Carvalho Meireles (RJ 1901 – RJ 1964) poeta brasileira, professora e jornalista brasileira.
Obras:
Espectros, 1919
Criança, meu amor, 1923
Nunca mais…, 1924
Poema dos Poemas, 1923
Baladas para El-Rei, 1925
O Espírito Vitorioso, 1935
Viagem, 1939
Vaga Música, 1942
Poetas Novos de Portugal, 1944
Mar Absoluto, 1945
Rute e Alberto, 1945
Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1948
Retrato Natural, 1949
Problemas de Literatura Infantil, 1950
Amor em Leonoreta, 1952
12 Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952
Romanceiro da Inconfidência, 1953
Poemas Escritos na Índia, 1953
Batuque, 1953
Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955
Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955
Panorama Folclórico de Açores, 1955
Canções, 1956
Giroflê, Giroflá, 1956
Romance de Santa Cecília, 1957
A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957
A Rosa, 1957
Obra Poética,1958
Metal Rosicler, 1960
Antologia Poética, 1963
História de bem-te-vis, 1963
Solombra, 1963
Ou Isto ou Aquilo, 1964
Escolha o Seu Sonho, 1964
Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965
O Menino Atrasado, 1966
Poésie (versão francesa), 1967
Obra em Prosa – 6 Volumes – Rio de Janeiro, 1998
Inscrição na areia
Doze noturnos de holanda e o aeronauta 1952
Motivo
Canção
1º motivo da rosa