Cláudio Faccioli (Brasil, 1955)
acrílica sobre tela, 120 x 136 cm
[Cabeça e ombros de mulher]
Leonardo da Vinci (Itália, 1452-1519)
óleo sobre madeira (pinho) , 27 x 21 cm
Galleria Nazionale di Parma, Itália
O Metropolitan Museum Breuer, mais nova filial do Museu Metropolitano de Nova York, que ocupa o edifício do antigo Whitney Museum depois deste ter encontrado outra localização, tem no momento uma interessante exposição chamada Unfinished: Thoughts Left Visible, em que trabalhos que não foram acabados estão expostos ao público.
Sempre achei fascinantes as obras de arte inacabadas porque dão a nós, meros espectadores, a ideia de onde ou para onde o pintor ou o escultor iria. São trabalhos que iniciam um diálogo com o observador. Completamos os traços deixados para trás. Concordamos ou não com que o que foi feito. Temos uma aula de pintura, de desenho, de como esculpir um peça de mármore simplesmente pela observação detalhada de um obra. Conversamos com os artistas através dos séculos.
A obra de Leonardo acima faz parte dessa exposição. Abaixo coloco alguns do meus trabalhos “inacabados”, aqueles de minha preferência. Coloco aspas na palavra inacabado, porque há momentos, como na tela de Leonardo da Vinci que é difícil declarar se o artista deixou a tela inacabada, ou se simplesmente deixou propositadamente a tela “aberta” para que completássemos aquilo que não estava sendo retratado.
Dante: Divina Comédia, década de 1480
Sandro Botticelli (Itália, 1445-1510)
Iluminura em manuscrito [Ms Hamilton, 210]
Staatliche Museen, Berlim
Retrato do General Bonaparte, 1797
Jacques-Louis David (França, 1748-1825)
óleo sobre tela, 81 x 65 cm
Musée du Louvre, Paris
Jan van Eyck (Bélgica, 1395-1441)
Grisaille sobre madeira, 31 x 18 cm
Koninklijk Museum voor Schone Kunsten, Antuérpia
As filhas do pintor com um gato, 1761
Thomas Gainsborough (Grã-Bretanha, 1727-1788)
óleo sobre tela, 75 x 62 cm
National Gallery, Londres
François Gérard (França, 1770-1837)
óleo e carvão sobre tela, 86 x 96 cm
Coleção Particular
Mulher em traje de montaria, 1882
Édouard Manet (França, 1832-1883)
óleo sobre tela, 74 x 53 cm
Museo Thyssen-Bornemisza, Madri
Karl Pavlovich Bryollov (Rússia, 1799-1852)
óleo sobre tela, 173 x 126 cm
State Tretyakov Gallery, Moscou
Virgem Maria, Menino Jesus e S. João Batista, 1508
Rafael Sanzio (Itália, 1483-1520)
têmpera e óleo sobre madeira, 29 x 22 cm
Szépművészeti Múzeum, Budapeste
Procissão religiosa em Saragossa, c. 1332-1350
Chroniques de France ou de St. Denis, Paris
Royal 16 G VI, f. 32v
British Library
Notas do Diário de Viagem de Albrecht Dürer, em 1520.
“No domingo depois da procissão de Nossa Sra. da Assunção vi uma grande procissão da Igreja de Nossa Senhora na Antuérpia, quando a cidade inteira de todas as classes e ofícios se aglomerou, cada qual vestido de acordo com sua posição na sociedade. E todas as classes e guildas traziam as bandeiras, pelas quais podiam ser reconhecidos. Em intervalos grandes e caras velas-postes eram carregadas e os longos trombones francos de prata. Ainda na tradição germânica havia muitas flautas e tambores. Todos instrumentos vivamente tocados.
Vi a procissão passar pela rua, as pessoas enfileiradas, cada homem mantendo uma certa distância de seu vizinho, mas as filas eram próximas umas das outras. Havia ourives, pintores, pedreiros, bordadores, escultores, marceneiros, carpinteiros, marinheiros, pescadores, açougueiros, curtidores, tecelões, padeiros, alfaiates, sapateiros — de fato trabalhadores de todos os naipes, e muitos artesãos e negociantes que trabalham para sua sobrevivência. Da mesma forma, lojistas e comerciantes, e seus assistentes de todo tipo estavam lá. Depois deles vinham os atiradores com suas armas, arcos e flechas, os cavaleiros e os soldados a pé também. Seguia então um grande grupo de senhores magistrados. Logo vinha um grupo todo em vermelho, vestido em nobre e esplêndida maneira. Antes deles, no entanto, vieram todas as ordens religiosas e membros de algumas fundações muito devotos, todos em suas diferentes vestimentas.”
Travel Diary, Dürer, em W.M. Conway, Literary Remains of Albrecht Dürer (Cambridge; University Press, 1889): text slightly revised by J.B.R.
Encontrado em The Portable Renaissance Reader, editado por James Bruce Ross e Mary Martin McLaughlin, New York, The Viking Press: 1958, p. 232-233.
[Tradução é minha]
Iluminura
Bíblia moralisada (Codex Vindobonensis 2554), 344 x 260 mm
Österreichische Nationalbibliothek, Viena
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Às vezes é complicado explicar como cheguei a certos textos, nem vale a pena. Há uma palavra em inglês que é o meu motto: Serendipity. A tradução é inexata: ao acaso, por sorte, gosto de pensar que é por um flanar através de tópicos e ideias que chego ao que me importa. Taí, uma boa descrição. Aqui estão alguns dados interessantes sobre a evolução da astronomia.
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“Os astrônomos da Europa ocidental antes do final do século X estavam bastante incapacitados em seu trabalho por falta de instrumentos apropriados à observação dos astros. Até então seus principais instrumentos eram a esfera armilar e o relógio de sol. Para calcular as datas da Páscoa e de outras festas móveis e o tamanho dos anos, meses e dias eles dependiam dos ciclos orientais ou tabulas, que eram baseados em outros, feitos anteriormente pelos alexandrinos. Ainda que por bastante tempo antes do século X eles soubessem que seus cálculos não estavam corretos, eles eram incapazes de melhorar sua medições porque ainda não tinham recebido dos árabes melhores instrumentos e teorias astronômicas.
Só ao final do século X o conhecimento do astrolábio árabe começou a penetrar no ocidente latino.”
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[tradução minha]
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Em: Early Medieval Society, ed. Sylvia L. Thrupp, New York:1967, artigo, Lotharingia as a Center of Arabic and Scientific Influence in the 11th century, de Mary Catherine Welborn, p.237