Rio de Janeiro, minha cidade natal!

24 03 2017

 

 

 

GARCIA BENTO -Praça XV, O.S.T, assinado no canto inferior direito e datado de 1925, 50x60 cm.

Praça XV de novembro, 1925

Garcia Bento (Brasil, 1897-1929)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm

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Um passeio ao Pão de Açúcar, texto de Pedro Nava

23 03 2017

 

 

Felisberto Ranzini (1881 - 1976) Pão de Açúcar Aquarela 33 x 50 cm.Pão de Açúcar

Felisberto Ranzini (Brasil, 1881-1976)

Aquarela sobre papel, 33 x 50 cm

 

 

“UMA COISA FABULOSA que fiquei devendo ao noivado de minha prima foi a excursão que fizemos ao Pão de Açúcar nos bondinhos aéreos inaugurados em 1912 e 1913. Tinham quatro para cinco anos e eram uma novidade que o Joaquim Antônio queria comparar com os que vira na Europa. Combinou-se o passeio e ele próprio me incluiu no grupo dizendo que “mestre Pedro vai conosco”. Éramos ele, eu, a noiva, tia Candoca e a Mercedes Albano. Para essa coisa meio esportiva que era a ascensão que ia ser feita, vesti meu terno número um, o Joaquim Antônio colarinho duro de pontas viradas, a Maria e a Mercedes grandes chapéus e vestidos escuros, a futura sogra sedas, veludos pretos e uma toque alta de pluma póstero-lateral. Exatamente, pois possuo os retratos tirados nesse dia inesquecível. Lanchamos na Urca — chá, torradas, sanduíches, mineral e para mim, tudo isso e o céu também — gasosa! Subimos depois do por do sol e o acender das luzes da cidade nas alturas do Pão de Açúcar dos ventos uivantes. Não sei dos outros. No cocuruto eu desci um pouco no declive que dá para o maralto, sentei no granito e olhei. Jamais reencontrei coisa igual senão quando, em Capri, subi à casa de Axel Münthe e no dia em que sobrevoei Creta para descer em Heraclion. Estavam presentes todas as cores e cambiantes que vão do verde e do glauco aos confins do espetro, ao violeta, ao roxo. Azul. Marazul. Azurescências, azurinos, azuis de todos os tons e entrando por todos os sentidos. Azuis doce como o mascavo, como o vinho do Porto, secos como o lápis-lazúli, a lazulite e o vinho da Madeira, azul gustativo e saboroso como o dos frutos cianocarpos. Duro como o da ardósia e mole como os dos agáricos. Tinha-se a sensação de estar preso numa Grotta Azzurra mas gigantesca ou dentro do cheiro de flores imensas íris desmesuradas nuvens de miosótis hortênsias — só que tudo rescendendo ao cravo — flor que tem de cerúleo o perfume musical de Sonata ao Luar. Malva-rosa quando vira rosazul. Aos nossos pés junto à areia de prata das reentrâncias do Cara-de-Cão, ou do cinábrio da Praia Vermelha, o mar profundo abria as asas do azulão de Ovale e clivava chapas da safira que era ver as águas das costas da Bahia. Escuro como o anilíndigo do pano da roupa que me humilhava nos tempos do Anglo-Mineiro. Mas olhava-se para os lados de Copacabana e das orlas fronteiras além de Santa-Cruz e o meitleno marinho se adoçava azul Picasso, genciana, vinca-pervinca. As ilhas surgiam com cintilações tornassóis e viviam em azuis fosforescentes e animais como o da cauda seabrindo pavão, do rabo-do-peixe barbo, dos alerões das borboletas capitão-do-mato da Floresta da Tijuca. Olhos para longe, mais lonjainda — e horizontes agora Portinari, virando num natiê quase cinza, brando, quase branco se rebatendo  para as mais altas das alturas celestes azul celeste azur só possível devido a um sol de bebedeira derretendo os contornos as formas e virando tudo no desmaio turquesa e ouro e laranja dos mais alucinados Monets Degas Manets Sisleys Pissarros. Mas súbito veio o negro da noite acabando a tarde impressionista. As luzes se acenderam em toda a cidade mais vivas na fímbria orlando o oceano furioso. Eu nem me lembro como vim rolando Pão de Açúcar abaixo aos trancos e barrancos daquele dia vinho branco…”

 

 

Em: Chão de Ferro: memórias 3, Pedro Nava, Rio de Janeiro, José Olympio:1976, 2ª edição, pp. 129-30.





Nossas cidades: Piracicaba

20 03 2017

 

 

 

Alvaro Sega (Brasil, 1917-1991) Paisagem da rua do Porto, 1974 (Piracicaba), ost,32x40cmPaisagem, da rua do Porto, Piracicaba, 1974

Álvaro Sega, (Brasil, 1917-1991)

óleo sobre tela, 32 x 40 cm

 





Domingo, um passeio no campo!

19 03 2017

 

 

Walter Feder - Quadro á óleo sobre tela representando `Rio Piabanha`, datado de ...., medindo 65 x 41 cmPaisagem com rio Piabanha, 1948

Walter Feder (Brasil, 1909- 1957)

óleo sobre tela, 65 x 41 cm





Imagem de leitura — Aimé Barraud

18 03 2017

 

 

Aime Barraud, la famille de l'artiste,ost, 130.50 x 97.50 cm

A família da artista

Aimé Barraud (Suíça, 1902-1954)

óleo sobre tela, 130 x 97 cm





8 de março: retratos de mulheres brasileiras, por eles!

8 03 2017

MANOEL SANTIAGO (1897 - 1987) Mulher com Chapéu azul, o.s.t. - 41 x 33 cmMulher com chapéu azul

Manoel Santiago (Brasil, 1897-1987)

óleo sobre tela, 41 x 33 cm

Oscar Pereira da Silva (1867-1939), Mulher, 1907, Óleo sobre tela, 51 x 41 cmMulher, 1907

Oscar Pereira da Silva ( Brasil, 1867-1939)

óleo sobre tela, 51 x 41 cm

CHANINA (1927-2012). Dama de Vestido Azul, óleo stela, 73 X 50. Assinado e datado (1968)Mulher de vestido azul, 1968

Chanina Luwisz Szejnbejn (Polônia/Brasil 1927 – 2012)

óleo sobre tela,  73 x 50 cm

Décio_Villares_-_Retrato_de_Moça,_1891Retrato de moça, 1891

Décio Villares (Brasil, 1851 — 1931)

óleo sobre tela

GastãoWORMS,Mulher com Flor na Mão,óleo s tela ccmadeira(década de 1940)65 x 54 cmMulher com flor na mão, década de 1940

Gastão Worms (Brasil,  1905-1967)

óleo sobre tela colada em madeira, 65 x 54 cm

T.Kaminagai csua moldura própria - ost - lindos traços da figura feminina 1950 - 55x46 cmMulher com lenço, 1950

Tadashi Kaminagai (Japão/França, 1899- 1982)

óleo sobre tela, 55 x 46 cm

VIRGILIO DIAS (1956),Repouso[ filha do artista], 2006, ost, 160 x 120 cmRepouso (filha do artista), 2006

Virgílio Dias (Brasil, 1956)

óleo sobre tela,  160 x 120 cm

CARLOS CHAMBERLLAND (1884-1950) -Portrait de Jovem com Brinco, óleo sobre tela, med. 40 x 32cmRetrato de jovem com brinco

Carlos Chambelland (Brasil, 1884-1950)

óleo sobre tela, 40 x 32 cm

Douglas Okada (Brasil) africana, 2014, ÓLEO SOBRE TELA 50X70CMAfricana, 2014

Douglas Okada (Brasil, 1984)

óleo sobre tela, 50 x 70 cm

HENRIQUE BERNARDELLI - Figura feminina, O.S.T.105x95 cm.Figura feminina

Henrique Bernardelli (Chile/Brasil, 1857-1936)

óleo sobre tela, 105 x 95 cm

Humberto da costa (1948) Figura de Mulher, o.s.t. - 27 x 22. Ass. dat 87Figura de mulher, 1987

Humberto da Costa (Brasil, 1948)

óleo sobre tela, 27 x 22 cm

José Maria Ribeiro,Figura Feminina, 1978, ost, 48 x 40 cmFigura feminina, 1978

José Maria Ribairo (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 48 x 40 cm

Wladimir Krivoutz (1904-1972)MulherÓleo sobre tela55 x 46 cmMulher

Wladimir Krivoutz (Rússia/Brasil, 1904-1971)

óleo sobre tela,  55 x 46 cm

Severino Ramos (1963)Mulher com rosa vermelhaÓleo sobre tela60 x 80 cmMulher com rosa vermelha

Severino Ramos (Brasil, 1963)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

Quissak Jr, Jóvem e Rosa, acrilico sobre tela, 30 x 40.jpgJovem com rosa

Ernesto Sérgio Silva Quissak Júnior (Brasil, 1935-2001)

óleo sobre tela,  30 x 40 cm

LYDIO BANDEIRA DE MELLO - (Brasil,1929)Figura - óleo sobre tela - 92 x 65 cm - 1960 -Figura, 1960

Lydio Bandeira de Mello (Brasil, 1929)

óleo sobre tela, 92 x 45 cm

Antonio Joaquim Franco Velasco (Brasil 1780-1833) Retrato de senhora, 1817

Retrato de senhora, 1817

Antônio Joaquim Franco Velasco (Brasil, 1780-1833

Pintura a óleo

CÂNDIDO PORTINARI. Retrato feminino - o.s.t. - 61 x 50 cm - assinado e datado 58 no cid. (Registrado no Projeto).Retrato feminino, 1958

Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)

óleo sobre tela, 61 x 50 cm

CHAPMAN, Grover -Figura feminina, O.S.E,1978, 40x30 cm.Figura feminina, 1978

Grover Chapman (EUA/Brasil, 1924-2000)

óleo sobre eucatex,  40 x 30 cm

Dimitri Ismailovitch (1892-1976), Dedé, ost, 1944, 81x65Dedé, 1944

Dimitri Ismailovich (Rússia/Brasil, 1892-1976)

óleo sobre tela, 81 x 65 cm

Eliseu Visconti,A Visita de Louise,OST 81 x 65 Rio 1928 ACIEA visita de Louise, 1928

Eliseu Visconti (Itália/Brasil, 1866-1944)

óleo sobre tela, 81 x 65 cm

Emiliano DI CAVALCANTI (Brasil,1897 - 1976)Marina Montini, 1971, ost, 80 x 60 cmMarina Montini, 1971

Emiliano Di Cavalcanti  (Brasil, 1897 – 1976)

óleo sobre tela, 80 x 60 cm

Luis Claudio Morgilli (Brasil, 1955) Moça com chapéu de palha, ostMoça com chapéu de palha

Luís Cláudio Morgilli (Brasil, 1955)

óleo sobre tela

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A intrigante primeira frase…

6 03 2017

 

 

VICENTE ROMERO (Espanha, 1956) Leitura - Pastel - 60 x 81.Leitura

Vicente Romero (Espanha, 1956)

Pastel,  69 x 80 cm

 

 

“Meu irmão é adotado, mas não posso nem quero dizer que meu irmão é adotado.”

 

 

Julián Fuks em A resistência, São Paulo, Companhia das Letras:2015, página 9, primeiro capítulo, primeira página.

 

 

 





Curiosidade sobre George Bernard Shaw

4 03 2017

 

 

The Bibliophilist's Haunt (Creech's Bookshop)

O bibliófilo Haunt ou a Livraria Creech

William Fettes Douglas (Escócia, 1822-1891)

óleo

Câmara de Vereadores da Cidade de Edinburgh

 

 

Um dia, o escritor e dramaturgo irlandês George Bernard Shaw, nas suas inúmeras perambulações pela cidade, encontrou nas prateleiras de um sebo um de seus próprios livros que ele havia dedicado a uma pessoa de grande estima.  Shaw não teve dúvidas: comprou o livro e o devolveu ao dono original com a seguinte dedicatória: “Com estima renovada, George Bernard Shaw.

 

 

Em: Ex Libris: confessions of common reader, Anne Fadiman, Nova York, Farrar, Straus e Giroux: 2000.

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Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

1 03 2017

 

 

 

evilasio-lopes-brasil-1917-2013-oleo-s-tela-datado-1983-18-cm-x-27-cm

Natureza morta com cumbuca chinesa, 1983

Evilásio Lopes (Brasil, 1917-2013)

óleo sobre tela, 18 x 27 cm





Máscaras sem Carnaval: Reynaldo Fonseca

27 02 2017

 

 

 

menino-com-mascara-1973-reynaldo-fonsecaMenino com Máscara, 1973

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

óleo sobre tela, 46 x 38 cm

 

 

Nós todos temos favoritos: escritores, pintores, poetas, compositores. Sou eclética na leitura e por força da  minha profissão sou eclética sobre meus artistas plásticos favoritos.  Conhecimento, tenho certeza, leva ao entendimento e muitas vezes à preferência por um artista.

 

 

reynaldo-fonseca-1925-menino-mascarado-2008-ost-70-x-50-cm

Menino mascarado, 2008

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

óleo sobre tela, 70 x 50 cm

 

O pernambucano Reynaldo Fonseca está entre os meus pintores favoritos.  Há calma em suas telas. Há mistério.  Mesmo quando pinta personagens sem máscara. Suas imagens são explicitas, claras, não deixam dúvidas sobre o que é retratado.  Mesmo assim há mistério.  Seus quadros nos convidam a resolver uma charada cujos paradigmas não conhecemos. Ou será que estamos frente a uma parábola? Quem frequenta este blog já conheceu muitas obras de Reynaldo Fonseca.  Hoje, por estarmos no meio do Carnaval, concentrei-me naquelas em que a máscara aumenta o enigma.

 

 

reynaldo-fonseca-brasil-1925-mascardas-com-gato2003-ost60-x-80-cm

Mascaradas com gato, 2003

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

 

Reynaldo Fonseca foi aos onze/doze anos aluno ouvinte na  Escola de Belas Artes de Pernambuco, em 1936. Depois, por um breve período, foi aluno de Portinari, tendo estudado anteriormente com Lula Cardoso Ayres. Eventualmente, aos vinte e três anos, em 1948, vai à Europa.

 

 

reynaldo-fonseca-1925-mulher-de-vestido-vermelho-com-mascaraoleo-s-tela-38-x-46-ass-sup-direito-1973

Mulher de vestido vermelho com máscara, 1973

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

óleo sobre tela 46 x 38 cm

 

Seu conhecimento da arte ocidental pode ser sentido.  Há um nítido aceno à arte da Renascença Italiana, sobretudo aos pintores do século XV, tais como Antonello da Messina, Giovanni Bellini, Boltraffio, Domenico Ghirlandaio, Filippino Lippi entre outros retratistas, florentinos em sua maioria, trabalhando antes de 1500.  Outro detalhe aproxima essas telas da pintura renascentista é a maneira como Reynaldo Fonseca assina seus trabalhos: muitas vezes com monograma com suas iniciais, ou com o nome escrito em grandes maiúsculas como Dürer fazia, bem no centro da tela, ou ainda, numa etiquetas pintada na tela, num rótulo.  Desde cedo ele tem a intenção de deixar a sua marca.

 

 

mascarado-2007reynaldo-fonsecaoleo-sobre-tela-60-x-80-cm

Mascarado, 2007

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

óleo sobre tela,  60 x 80 cm

 

Mas o conhecimento dos mestres que o precederam não fica por aí. Seus quadros têm a força dos ícones bizantinos, com segundos planos simples, muitas vezes divididos em duas cores como na tela acima, espremendo visualmente as figuras entre o plano visual do espectador e a parede perceptível  mais atrás que não deixa o olhar fugir para outro plano mais distante.  As figuras, o que é representado, então, toma característica de importância e nos obriga a dialogar com o que vemos.

 

 

reynaldo-sem-titulo

Mulheres de máscaras e leque, 2006

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

óleo sobre tela, 80 x 60 cm

 

Mesmo quando há uma janela ou uma porta no segundo plano como na tela acima, ela ou é fechada por uma parede mais além ou é em grande parte ocupada por um personagem  olhando para dentro, ou retorna o nosso olhar, olho no olho. Além do pequeno campo de visão atingido através dessa maneira icônica de pintar, a palheta reduzida a tons de terra, e dourados, com o uso de branco, vermelho ou negro, em cores sólidas, para contraste, auxiliam na lembrança dos ícones bizantinos.

 

 

reynaldo-familia

Família, 2000

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

óleo sobre tela

 

Poucas são as telas com muitos personagens como acima.  Elas aparecem com maior frequência nas últimas décadas dessa longa carreira do artista e em geral representam uma família ou membros de uma família. Mesmo nesse caso continuamos a sentir sua impenetrabilidade. As pessoas parecem não se comunicar, ou fazê-lo de maneira comedida, silenciosa, circunspecta, como se participassem de um ritual sacramentário que nos elude.

 

 

reynaldo-fonseca-reinaldo-fonseca-1970-oleo-sobre-tela-73-x-50-cm

Flautista mascarado, 1970

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

óleo sobre tela, 73 x 50 cm

 

 

Mesmo os muitos personagem retratados sós, como o flautista mascarado acima, nos parecem impenetráveis ainda que façam algo que conheçamos, como tocar um instrumento musical, brincar com um pássaro; ou uma criança brincar com um velocípede, correr pela rua com um aro, fazer o dever de casa, caderno na mesa e lápis em punho.  Essas cenas que poderiam facilmente serem chamadas de pintura de gênero, ganham peso e importância, pela solenidade com que são apresentadas. E pela solidez, massa mesmo, de seus personagens.

 

 

 

reynaldo-fonseca-1925-flautista-com-mascara-chapa-industrializada-ass-e-datado-1996-cie-e-verso-55-x-33-cmMenina flautista, 1996

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

óleo sobre placa de madeira industrializada,  55 x 33 cm

 

A forma dos corpos retratados por Reynaldo Fonseca parece baseada em alguma equação matemática, em princípios geométricos que nos escapam. Essa técnica lembra a dedicação que Piero della Francesca tinha  à geometria, lá nos idos do século XV.  Enquanto que a solidez das formas cilíndricas, dos círculos e  meios círculos, tem precedência na arte brasileira de outro pernambucano, Vicente do Rego Monteiro, o grande pintor cubista brasileiro.

 

 

reynaldo-fonsecamenino-com-mascaraoleo-sobre-tela73-x-50-cm

Menino com máscara, 1971

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

óleo sobre tela, 73 x 50 cm

 

A tendência de reduzir formas naturais a geométricas convive bem com outros tipos de abstração na arte contemporânea.  Temos pintores como Inos Corradin que levaram essa maneira a um extremo, passando antes por Aldemir Martins entre outros.  Fora do Brasil, também contemporâneo há o pintor colombiano Botero.

 

 

reynaldo-fonseca-o-pequeno-mascarado-1976-osd-22-x-16-cm

O pequeno mascarado, 1976

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

óleo sobre placa,  22 x 16 cm

 

O retrato de seus personagens-esfinge vem desde o final dos anos 60 em suas obras, mas nessas primeiras décadas, ainda havia um jardim ao fundo, vegetação e céus azuis como nos primeiros retratos renascentistas, como no retrato do menino mascarado acima de 1976, ou no que abriu esta postagem, do menino de 1973.  A perda de espaço visual entre a superfície da tela e o fundo, tornando cada tela num verdadeiro ícone,  foi sendo estabelecida aos poucos ´durante a década de 1970.

 

 

reynaldo-fonseca-brasil-1925-caminhantes-1969-ostCaminhantes, 1969

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

óleo sobre tela

Coleção Gilberto Chateaubriand

 

A obra de Reynaldo Fonseca merece um estudo detalhado.  Ele é um dos nossos grandes pintores do século XX.  Não se deixou influenciar por modismos.  Traçou seu caminho e não se desviou.  Criou uma linguagem própria e seu próprio espaço.  Tem muitos discípulos que aos poucos trabalham seus próprios caminhos.  Sua influência é clara e tenho certeza que será marcante no futuro. Obras como as dele não morrem.  Estão sempre refletindo nossos próprios segredos, elas nos lembram daquilo que não conseguimos entender mas sabemos existir. Reynaldo Fonseca nos presenteia com um misto de metafísica e surrealismo, numa linguagem autêntica, própria a ele  mesmo e nos toca porque sabemos que ele também perscruta o universo à procura das respostas do mundo que lhe fogem.

 

 

figura-com-mascara-reynaldo-fonseca-1970-ost-100-x-73-cm

Figura com máscara e cachorrinho, 1970

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

.óleo sobre tela, 100 x 73 cm

 

reynaldo-fonseca-mulher-de-mascara-e-leque-80-x-60-cm-ost2009Mulher com máscara e leque, 2009

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

óleo sobre tela, 80 x 60 cm

 

 

reynaldo-fonseca-1925-figura-feminina-com-mascara-pastel-s-papel-70-x-50-cm

Figura feminina com máscara, 2002

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

pastel sobre papel, 70 x 50 cm

 

 

reynaldo-fonseca-brasil-1925-mulher-com-mascara-oleo-sobre-papel-70-x-50-cm

Mulher com máscara

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

óleo sobre papel, 70 x 50 cm

 

 

reynaldo-fonseca-brasil-1925-homem-mascarado-1972-oleo-sobre-placa-de-madeira-indutrializada-16-x-22-cm

Homem mascarado, 1972

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

óleo sobre placa de madeira industrializada, 16 x 22 cm

 

 

reynaldo-fonsecamae-e-filha-com-mascara-e-espelho1997oleo-sobre-tela101-x-82-cm

Mãe e filha mascarada com espelho, 1997

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

óleo sobre tela, 101 x 82 cm

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