Decidindo sobre os cartões postais de obras de arte

7 11 2011

Longos feriados em geral me levam a grandes projetos.  Não gosto de sair em mini-férias nas semanas com feriados.  Tudo fica muito cheio, o trânsito horrível, acabo cansada e irritada.  Esta semana com o feriado na quarta-feira fiquei sem saber se emendava para do domingo anterior ou para o domingo seguinte.  Acabou que não fiz nem uma coisa nem outra.  Só tirei “férias” das minhas atividades corriqueiras.  E comecei  — PERIGO!  — a organizar aquelas coisas que a gente sempre tem a intenção de arrumar e não consegue.  Fui checando diversos itens que estavam para serem revistos, portanto não se surpreendam se eu voltar a esse assunto nas semanas que seguem, principalmente porque já estou me preparando para continuar – e quem sabe conseguir terminar o que comecei — no dia 15, feriado nacional.

Desde que me mudei – passaram-se 14 meses! – estou para dar ordem a algumas das centenas e centenas de cartões postais que tenho.  Antes de me mudar para um local com menos espaço, selecionei todos os postais brasileiros de minha coleção, que haviam sido impressos na primeira metade do século vinte e mandei para leilão.  Mas guardei comigo outros tantos, quase todos de obras de arte. Por razões emocionais.

Na época em que precisei fazer provas orais de reconhecimento de obras de arte e estilos – parte do processo normal da finalização do curso de mestrado em história da arte, a maneira de estudar era através de cartões postais, que eu e meus colegas na universidade, mostrávamos uns aos outros testando os conhecimentos:  “ Isto é, Fantin-Latour, Natureza Morta.” “Ingres, Retrato de Mlle Rivière, 1805”; “Sátiro com bacantes, Clodion”; “Venus Consolando o Amor, Boucher”; e assim por diante.  As provas orais do mestrado eram divididas em 3 partes:  duas delas incluíam conhecimento geral, da Idade da Pedra ao momento presente com o reconhecimento darte projetada na tela.  E havia também a defesa da tese de mestrado.  Era a prova oral de reconhecimento das obras de arte, esta a que me referi ainda agora, em que os slides eram projetados por 30 segundos, mais ou menos, quando tínhamos que reconhecer e identificar o que estava sendo projetado, que era a parte que mais nos dava medo.  Mesmo a segunda fase desse torneio de reconhecimento de obras de arte, aquela em que  o aluno tinha que dar uma pequena aula de cinco minutos  sobre o que estava na tela, não apavorava tanto, parecia  mais fácil, porque dava tempo de pensarmos: cinco minutos para cada projeção, além é claro da possibilidade de uma boa dose de “embromol” [que diga-se de passagem, ao contrário do que muitos pensam, não é uma invenção brasileira].  Mas a parte de identificação era muito traumática, a meu ver, porque tínhamos que fazê-lo na hora, de imediato, “na lata”, qualquer obra da Idade da Pedra ao presente.

As provas orais para o doutoramento também se dividiam em duas partes, duas provas orais: a defesa da tese de doutoramento e a parte que incluía identificação [ao acaso] e até de obras sem autor conhecido para você atribuir e dizer porque atribui.  Essas eram em dias separados.  Mas sempre me pareceram mais fáceis porque eram obras [pintura, escultura e arquitetura] dentro da sua área de especialização, e é claro, tínhamos a obrigação de saber.  Passáramos anos a fio estudando exclusivamente um determinado período da história para isso mesmo, para sermos especialistas.

De modo que os muitos cartões postais de obras de arte que tenho comigo têm um simbolismo grande.  Alguns já estão amarelando.  Se levar em consideração as fotografias modernas muito mais precisas do que as do passado, devo me desfazer deles. Mesmo assim não tive coragem de jogá-los fora, pelo menos alguns deles.  Vou dizer a razão.

A pergunta que me preocupou nesses dias: devo me desfazer deles ou não?  É difícil. E é difícil responder de maneira satisfatória.  Mantê-los é  de um luxo, que viver no Rio de Janeiro talvez não me permita desfrutar: o espaço para guardá-los é preciosíssimo.   Por outro lado, já não olho mais para esses postais.  Na maioria das vezes quando penso em algum quadro corro para a internet e o acho.  Mantive os postais por acreditar, que tinha obras reproduzidas em postais que eu considerava de artistas muito pouco conhecidos.  Eles vinham das minhas viagens [não há historiador da arte que se preze que não viaje, porque não há como ver um quadro a não ser em pessoa] ou de amigos e familiares que visitaram lugares distantes, digamos a Eslovênia, ou a Ucrânia, ou até mesmo lugares mais corriqueiros, mas em datas onde já havia outras edições de postais.  Essas pessoas gentilmente traziam imagens das obras de arte encontradas em museus locais.  Meu pai chegou ao extremo de num tour da Europa me trazer uma maleta repleta de cartões postais de obras de arte, pesadíssima, que ele, um cardíaco, não deveria ter-se aventurado a  carregar, todos postais únicos, não repetidos entre si, só para me ajudar na difícil tarefa de sucesso nas provas orais.

A surpresa é que hoje já encontro muitas, a maioria dessas obras de arte, na rede.  E estou grata por isso.  Artistas cujos trabalhos pareciam tão fora do meu alcance ou dos olhos de qualquer um de nós, agora estão simplesmente a alguns cliques dos meus olhos. E essa é uma das maiores vantagens da rede.  O acesso ao conhecimento, mesmo que esse conhecimento se resuma a uma familiarização visual, está muito próximo.  Democraticamente próximo.  Exceto que temos que ter o conhecimento prévio do que queremos para poder achar.  É preciso saber procurar, e é aí que vem o conhecimento não só dos artistas, mas de línguas também, não só do inglês e do francês.  Um historiador da arte precisa pelo menos ler em alemão, não importa a sua área de especialização.  Diz o ditado que quem procura acha.  Mas quem procura precisa saber daquilo que quer achar…

No meu campo, nas artes visuais, por causa dessa educação mais abrangente que engloba muito mais do que o mínimo necessário, há países que se destacam com a riqueza das imagens que encontramos na rede.  Os Estados Unidos, Inglaterra  e  Canadá são hors-concours, realmente tenho a impressão de que tudo deles está na rede, ainda que seja só impressão.  E muito do que está na rede é para ser usado, para ser divulgado, os museus não fazem pequenos truques para evitar a reprodução na rede de suas obras de arte como encontramos por aqui.  Está tudo aberto, aberto ao público, a todos.  Devo lembrar que a Rússia não fica atrás.  Há portais russos oficiais e de amantes das artes que batem de longe muitos dos portais que encontro por cá, com reproduções em grande resolução,  com  clareza de informações.  Muito bons também são os portais quer oficiais, quer de amantes das artes dos Países Baixos (incluo entre eles a Holanda e a Bélgica).  A França tem um maravilhoso leque de imagens das obras em seus museus, mas, típico daquele país,  a maioria delas postada pelos próprios museus e consequentemente pelo governo.  O público em geral é mais retraído.  A Itália é muito pobre nesse âmbito, pouquíssima informação extra-oficial.  A impressão que tenho da Itália, pelos portais nas artes visuais é que o italiano ainda está numa outra era da vida na rede.  No Brasil a vida na rede está em grande parte nas mãos de adolescentes ou jovens adultos com pouca escolaridade.

O que me fascina  nas artes visuais na rede são as pessoas que “dividem” os seus conhecimentos, as suas obsessões com as artes e estas estão justamente nos países em que a instrução é levada a sério.  No caso brasileiro, encontro muito pouco da produção nacional de obras de arte ao alcance do público.  Temos falta da participação das organizações oficiais, tais como museus de arte, museus históricos.  Não temos um cadastro das obras encontradas em cada museu brasileiro – como há ao alcance de todos na rede francesa — e há acima de tudo a falta do “amador” no Brasil,  daquela pessoa que é digamos, engenheiro, técnico de fertilização in vitro, técnico na agricultura, o bancário,  taxista, pessoas que amam a arte, ou amam alguma coisa, maior do que si mesmos, que se disponham a dividir com o mundo, com outros brasileiros,  aquilo de que gostam, aquilo que ocupa sua imaginação.  Falta aquela pessoa que queira dividir com o público, ou com outros aficionados o que tem, o que conhece, o que o deslumbra, sem a intenção de lucro.  Aqui todo mundo quer dinheiro pela informação.  Há um consenso cultural de que informação é coisa preciosa e que se você quiser saber terá de pagar por isso.  É uma das muitas conseqüências do viés da inequalidade brasileira.  Falam muito do capitalismo americano, mas nos portais americanos, canadenses, ingleses, encontramos o apaixonado, o colecionador, a pessoa que gostaria de dividir com o mundo aquilo de que gosta, aquilo que sabe.  É nesses países, as estrelas do capitalismo, que encontramos o maior conhecimento ao menor preço. Vejam os blogs de cidadãos desses países, eles não se limitam a diários da minha aventura amorosa da noite passada.    Na rede, no Brasil, o que encontramos nas arte visuais, a maioria deve ser paga, ou precisa de conhecimentos especiais…  O acervo dos nossos museus na rede é ridículo,  e além disso, quando encontrado depende de fotografia de baixa resolução, são portais em geral  mal elaborados.  Esse é o reflexo, em grande escala, da falta de instrução, da falta de um conhecimento um pouco acima do mínimo requerido para a sobrevivência do corpo.  Dizem que estamos com uma deficiência de quesitos morais, que perdemos a noção dos valores.  Mas valores são adquiridos quando passamos do limite da instrução mínima necessária.  A vida interior não pode, nem deve, ser domínio único da religião.  Há outros caminhos para uma vida interior rica, generosa, excitante e capaz.  São esses caminhos os que nos ajudam na criatividade, na liderança, no pulo do gato da ciência.  As artes são um deles.  As ciências também.  O conhecimento é a grande alavanca da criatividade e de valores morais.

Ah, sim, a decisão: vou manter os cartões postais de arte brasileira.  A maioria ainda não está na rede.

©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2011





Imagem de leitura — Ivana Kobilca

5 11 2011

Parisiense lendo carta, 1892-93

Ivana Kobilca (Eslovênia, 1861-1926)

Óleo sobre tela, 81 x 60

Galeria Nacional da Eslovênia, Lubliana

Ivana Kobilca nasceu em 1861 na Eslovênia.   Estudou pintura em diversos países europeus e tornou-se a mais importante pintora mulher daquele país.  Começou sua profissão com característico estilo realista, retratando bem o espírito da época.  Aos poucos foi adicionando outras técnicas ao seu portfolio tais como palheta e pinceladas impressionistas.  Morou em Viena, Sarajevo, Berlim, Paris e Munique.  Faleceu em 1926 na Eslovênia.





A melancolia das ruas, poema de Olegário Mariano

4 11 2011

Minha rua antes da chuva, 2007

Luiz  Paulo de  Morais (Brasil, conteporâneo)

Flickr

A melancolia das ruas

Olegário Mariano

Choveu o dia todo… Era chuva de vento.

O dínamo da Vida amiudando os instantes,

Acelerava em continuado movimento,

Os automóveis, as carroças, os viandantes.

As casas de comércio, portas largas,

Fechadas, sonolentas e pesadas…

Os caminhões deitando cargas

Sobre a chapa polida das calçadas…

Tudo a rua sentiu embriagada e felina.

De quando em quando, no alto, lá bem no alto,

Um pássaro sonoro esgarçava a neblina

E o rumor do motor vinha morrer no asfalto…

Depois a rua adormeceu… Veio descendo

A noite…  Foram desaparecendo

As vozes todas…  Para que retê-las?

Agora as poças d’água estão sorrindo,

Monótonas, humildes, refletindo

O céu…   Tão longe o céu cheio de estrelas!

Olegário Mariano Carneiro da Cunha, (PE1889 —  RJ 1958). Poeta, político e diplomata brasileiro.

 Obras: 

 Angelus (1911)

Sonetos (1921)

Evangelho da sombra e do silêncio (1913)

Água corrente, com uma carta prefácio de Olavo Bilac (1917)

Últimas cigarras (1920)

Castelos na areia (1922)

Cidade maravilhosa (1923)

Bataclan, crônicas em verso (1927)

Canto da minha terra (1931)

Destino (1931)

Poemas de amor e de saudade (1932)

Teatro (1932)

Antologia de tradutores (1932)

Poesias escolhidas (1932)

O amor na poesia brasileira (1933)

Vida Caixa de brinquedos, crônicas em verso (1933)

 O enamorado da vida, com prefácio de Júlio Dantas (1937)

Abolição da escravatura e os homens do norte, conferência (1939)

Em louvor da língua portuguesa (1940)

A vida que já vivi, memórias (1945)

Quando vem baixando o crepúsculo (1945)

Cantigas de encurtar caminho (1949)

Tangará conta histórias, poesia infantil (1953)

Toda uma vida de poesia, 2 vols. (1957)





Imagem de leitura — Irina Sztukowski

4 11 2011

Marsha na livraria, 2001

Irina Sztukowski ( Rússia, contemporânea)

aquarela sobre papel, 22 x 30 cm

www.irinasztukowski.com

Irina Sztukowski nasceu em São Petersburgo na Rússia, cidade onde estudou pintura na Academia de Arte de São Petersburgo, na Faculdade de Arte Industrial, completando os estudos, em 1992,  na Academia de Cultura de S. Petersburgo.  Imigrou para os EUA em 2001.  Sua tecnica preferida é a aquarela, e pinta retratos, paisagens, naturezas mortas, no que chama de realismo moderno.  Para mais sobre a artista: www.irinasztukowski.com





Imagem de leitura — René Exumé

31 10 2011

Mãe e filho lendo, 1958

René Exumé (Haiti, 1929)

Óleo sobre tela, 51 x 89 cm

René Exumé nasceu em Petion-Ville em 1929.  Foi aluno de Cedor no Centro de Arte, no Haiti, a partir de 1948.  Em 1950 juntou-se a outros pintores para formar os Foyer Des Arts Plastiques, de onde mais tarde foi diretor.  Bastante influenciado pela pintura francesa, principalmente pelos pintores Camille Corot e Manet.  Pinta sobretudo a vida diária do Haiti.





Imagem de leitura — Renata Domagalska

30 10 2011

Leitura, 2010

Renata Domagalska (Polônia, conteporânea)

acrílica sobre tela, 50 x 50 cm

www.renatadomagalska.pl

Renata Domagalska nasceu na Polônia.  Trabalha com pintura figurativa.  Seu principal objetivo é retratar a figura humana, princiaplemnete em movimento como na dança.  Vive e trabalha na Polônia.

 





Imagem de leitura — Pierre Cornu

29 10 2011

A leitora de meias vermelhas, 1970

Pierre Cornu (França, 1895-1996)

óleo sobre tela, 46 x 55 cm

Pierre Cornu nasceu na Provença, na França em 1895, filho de uma família próspera de negociantes em óleos e sabões.  Seus pais lhe deram apoio para as artes desde que demonstrou aptidão para o desenho.   Suas duas maiores características são o uso das cores quentes — talvez de influência provençal — e a paixão pela beleza feminina.  Dedicou-se também à naurezas mortas e a paisagens.  Obteve grande sucesso com sua pintura alegre.  Faleceu em 1996.





Lenda brasileira do diamante — Theobaldo Miranda Santos — uso escolar

29 10 2011

Índia Amazônia, s/d

Luciana Futuro ( Santos, Brasil, contemporânea)

acrílica

www.lucianafuturo.com.br

Lenda do Diamante

Theobaldo Miranda Santos

Há muito tempo,  vivia à beira de um rio uma tribo de índios brasileiros.  Dela fazia parte um casal muito feliz: Itagibá e Potira.  Itagibá, que significa braço forte, era um guerreiro robusto e destemido.  Potira, cujo nome quer dizer flor. era uma índia jovem e formosa.

Vivia o casal tranquilo e venturoso, quando rebentou uma guerra contra uma tribo vizinha.  Itagibá teve de partir para a luta.  E foi com profundo pesar que se despediu da esposa querida e acompanhou os outros guerreiros.  Potira não derramou uma só lágrima, mas seguiu, com os olhos cheios de tristeza, a canoa que conduzia o esposo, até que a mesma desapareceu na curva do rio.

Passaram-se muitos dias sem que Itagibá voltasse à taba.  Todas as tardes.  Todas as tardes, a índia esperava, à margem do rio, o regresso do esposo amado.  Seu coração sangrava de saudade.  Mas permanecia serena e confiante, na esperança de que Itagibá voltaria à taba.

Finalmente Potira foi informada de que seu esposo jamais regressaria. Ele havia morrido como um heroi, lutando contra o inimigo.  Ao ter essa notícia, Potira perdeu a calma que mantivera até então e derramou lágrimas copiosas.

Vencida pelo sofrimento, Potira passou o resto de sua vida, à margem do rio, chorando sem cessar.  Suas lágrimas puras e brilhantes misturaram-se  com as areias brancas do rio.  A dor imensa da índia impressionou Tupã, o rei dos deuses.  E este para perpetuar a lembrança do grande amor de Potira, transformou suas lágrimas em diamantes.

Daí a razão pela qual os diamantes são encontrados entre os cascalhos dos rios e regatos.  Seu brilho e sua pureza recordam as lágrimas de saudade da infeliz Potira.

Em: Vamos estudar? — 3ª série primária – de Theobaldo Miranda Santos, Edição especial para os estados Goiás e Mato Grosso,  Rio de Janeiro, Agir: 1961





Imagem de leitura — Gay Henderson

28 10 2011

Jesse lendo, s/d

Gay Henderson ( Nova Zelândia, 1953)

Gay Henderson nasceu na Nova Zelândia em 1953.  Mudou-se para Melbourne na Austrália na década de 1970.  Nos anos 80 ganhou reputação considerável como escultora, figurativa.  Sua carreira ficou em segundo plano enquanto educava suas três filhas.  Há dezesseis anos  mudou sua residência  para Adelaide, na Austrália, onde permanece até hoje.  Foi a mudança para Adelaide que a levou a pintar.  Para maiores informações: http://www.gazeart.com.au/





Imagem de leitura — Rudolph Friedrich Wasmann

25 10 2011

Minna Wasmann lendo, 1822

[a irmã do pintor]

Rudolph Friedrich Wasmann ( Alemanha 1805-1886)

óleo sobre tela

Rudolph Friedrich Wasmann começou a estudar pintura aos 17 anos com Christoph Suhr em Hamburgo.  Depois entrou para a Academia de Artes de Dresden, completando seus estudos na Academia de Munique. Viajou muito.  De 1832 a 1835 residiu em Roma, onde se converteu ao catolicismo.  Passou depois mais seis anos divididos entre Mezano e Bolzano na Itália, antes de retornar a Hamburgo.  Ficou conhecido como um grande pintor de retratos. Depois de 1846 voltou a morar em Merano, no Tirol italiano.