Palavras para lembrar — Frederick Douglass

27 08 2012

Lendo, 1911

Antoni Mancini (Itália, 1852-1930)

Óleo sobre tela,  60 x 90 cm

“Uma vez tendo aprendido a ler, você será para sempre livre”. 

Frederick Douglass





Vidas simples, Corrêa Júnior

26 08 2012

Carro de boi, s/d

João Bosco Campos (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 50 x 70 cm

Blog do José Rosário

Vidas simples

Corrêa Júnior

Eis-me aqui, na bucólica doçura

desta risonha e encantadora vila,

onde gozo, há dois meses, a ventura

de uma vida suavíssima e tranquila.

Palpitante de cores e de festas,

a mata em flor abre-se em mil botões…

Que alvoroço de ninhos, nas florestas!

Que infinito de paz, nos corações!

Aqui tudo à alegria nos exorta;

há pureza nas almas e no clima;

o ar sadio da terra nos conforta,

a bondade dos homens nos anima.

Vendo, assim, tão perto a natureza

cheia de encantos e de exemplos sábios,

a gente há de ter sempre, com certeza,

mais ternura nos olhos e nos lábios.

Longe da agitação e do barulho,

ante a moldura desta vida calma,

o homem se despe da maldade e orgulho,

e veste de esperanças a sua alma.

E, quando, um dia, ele regressa à vida

agitada das grandes capitais,

a alma que nele volta agradecida,

dessas paragens não esquece mais!

Em: Criança Brasileira, terceiro livro de leitura, Theobaldo Miranda Santos,  [edição especial para o Rio Grande do Sul],  Rio de Janeiro, Agir: 1950.





Imagem de leitura — Aline Jansma

22 08 2012

Leitura na praia 

Aline Jansma (Holanda, 1965)

óleo sobre madeira, 22 x 22 cm





Palavras para lembrar — Sam Levenson

20 08 2012

Menino lendo na cama

Anni Matsick ( EUA, contemporânea)

www.annimatsick.com

“Qualquer criança que tenha dois pais interessados nela e uma casa cheia de livros não é pobre”.


Sam Levenson





Uma galeria de Henri Matisse, para começar bem o domingo!

19 08 2012




Este vídeo vai postado aqui para o entretenimento de todos e em especial dos meus alunos no curso de História da Arte Moderna, em curso.





Imagem de leitura — Piero Antonio Rotari

18 08 2012

Correspondência dividida, s/d

Piero Antonio Rotari ( Itália,  1707-1762)

óleo sobre tela, 88 x 75 cm

Galeria Tretyakov, Moscou

Piero Antonio Rotari nasceu em Verona em 1707. Estudou com Antonio Balestra. Passou longos períodos em Veneza, Roma e Nápoles onde estudou pintura com os melhores mestres,  antes de retornar a Verona.  Respeitado retratista foi convocado pela aristocracia de Dresden, Viena e Munique.  Faleceu  em 1762, em São Petersburgo onde residia temporariamente para retratar a família real russa.





Os sertões, texto de Eduardo Prado

18 08 2012

Efeitos na paisagem, 2000

Yara Tupinambá (Brasil, 1932)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

Coleção Particular

Os sertões

Eduardo Prado

Nos sertões de Minas Gerais e da Bahia, na região em que se juntam os territórios destas duas antigas províncias, nos meses da seca, que ali vai de abril a novembro, a paisagem é uma verdadeira surpresa para o europeu acostumado à ideia convencional da natureza entre os trópicos.

A sombria e verde alfombra das florestas misteriosas, enredadas de liames enlaçantes, esmaltada das cores das orquídeas fantásticas, as inclinadas palmeiras por onde trepam macacos, o fundo ora escuro, ora violentamente iluminado de clareiras, onde luzentes parecem boiar, no seu voo pesado e lento, as grande borboletas azuis…toda esta paisagem tropical, que os viajantes pintam e que a cenografia vulgariza, tudo isso é desconhecido naqueles centros do planalto brasileiro que ficam à direita do rio São Francisco. Os trópicos nem sempre são tropicais.

O viajante corta pela estrada dura e pedregosa, que em longuíssimas curvas, ou em retas infinitas, atravessa os tabuleiros intermináveis, em que a vegetação escura, meio seca, espinhosa se enreda numa compacta massa, ou rareada, que alcança os joelhos e os peitos das mulas. Os pequenos espinheiros, as mimosas e as acácias rasteiras, que parecem, às vezes, pinheiros de Liliput, à beira da estrada, são enovelados de penugens brancas, que lembram a neve e a geada. É o algodão, arrancado, em fiapos, às cargas pesadas de algodão em rama, que por ali transportam, em tropas, as mulas tangidas, em lotes, pelos tropeiros e precedidas da mula madrinha, que ajaezada de vermelho e tintinabulante de guizos e sinetas à cabeçada, avança lentamente, marcando o compasso à marcha da caravana.

Por centenas de léguas pode o viajante, no sertão, seguir o caminho das tropas que traficam entre Bahia e Minas; como os grãos de milho do conto do pequeno polegar, os novelinhos de algodão, presos às plantas do cempo e dos cerrados, podem indicar o rumo do caminhante.

Em: Criança Brasileira, admissão e 5ª série, Theobaldo Miranda Santos,  Rio de Janeiro, Editora Agir: 1949.

Eduardo Paulo da Silva Prado (São Paulo, 27 de fevereiro de 1860 — São Paulo, 30 de agosto de 1901) foi um advogado, jornalista e escritor brasileiro, colaborador do Correio Paulistano, membro fundador da Academia Brasileira de Letras e um dos mais importantes analistas da vida política do Brasil.

Obras:

Viagens, 1886-1902

Os fastos da ditadura militar no Brasil, 1890

Anulação das liberdades públicas, 1892

A ilusão americana, 1893

III centenário de Anchieta, 1900

Coletâneas, 1904-1906





Imagem de leitura — Brenda Ginsberg

16 08 2012

Mulher lendo, s/d

Brenda Ginsberg (EUA, contemporânea)

acrílica sobre tela, 39 x 48 cm

Brenda Gisnberg





Os vaqueiros, texto de Ariosto Espinheira

14 08 2012

Boiadeiro, s/d

Zélio Andrezzo (Brasil, 1948)

Óleo sobre tela

O vaqueiro

Ariosto Espinheira

Nos campos de criação de nossa terra vivem homens simples e bons, que cuidam de nossos rebanhos. São os campeiros e os vaqueiros, que moram em cabanas de madeira ou de barro, cobertas de palmas de coqueiros, ou de sapé.

De perneiras, calças largas, guarda-peito, gibão (espécie de casaco curto) e chapéu de couro curtido; cinto de couro donde pende a faca comprida; uma longa vara com ponta de ferro; montados em cavalos pequenos e fortes; pernas descansadas nas pontas dos pés, presos aos estribos de ferro batido; guampa (chifre trabalhado a canivete, preso por uma tira de couro, que serve de copo) e laço, pendurados na sela, os campeiros e os vaqueiros passam os dias, e às vezes as noites, vigiando os animais que pastam.

Se algum animal foge ou se a boiada debanda, os vaqueiros correm velozes, sem ver os perigos, vencendo todos os obstáculos, até cercar e reunir todos os animais.

Viajam, às vezes, dias e dias, conduzindo o gado para os matadouros, onde é morto para fornecer carne e outros produtos às cidades.

Nas horas de descanso, os vaqueiros tocam a viola e a flauta, cantando e fazendo desafios. São homens destemidos, que vivem sem o conforto das cidades, debaixo de sol escaldante, com poucos recursos, trabalhando pela nossa terra.

Em: Criança Brasileira, admissão e 5ª série, Theobaldo Miranda Santos,  Rio de Janeiro, Editora Agir: 1949.





Uma boa lembrança da crítica de Robert Hughes

12 08 2012

Leda e o cisne, 1963

Cy Twombly (EUA, 1928– 2011)

No início dessa semana morreu um dos mais prolíficos críticos de arte e da sociedade moderna, Robert Hughes.  Conhecido por sua língua afiada e maneira bastante irreverente de se expressar, sempre alerta, sem guardar para si as opiniões mais controversas, esse maverick da palavra mordaz deixou muitas citações na memória de seus amigos e inimigos.  O jornal The New York Times publicou uma lista de citações maquiavélicas de Robert Hughes.  Dentre elas selecionei e traduzi livremente a que posto aqui abaixo que para mim retrata bem não só o trabalho de muitos artistas visuais contemporâneos como a particular celebração de seus seguidores, apreciadores e colecionadores.  Esta é uma homenagem a quem entendia do pedaço…

A visão de todas essas migalhas e fragmentos nos quadros de Twombly parece convencer seus mais ardentes admiradores que ele é um classicista, embebido nos antigos mitos e literatura do Mediterrâneo, transpirando-os por todos os poros.  Tudo que ele precisa fazer é desenhar uma garatuja oscilante “ Triunfo de Gateia” ou “Et in Arcadia Ego” numa tela, e de repente, lá está ele elevado ao nível de Roberto Calasso, se não for ao de Edward Gibbon.  Quando a audiência,  que já perdeu todo a formação clássica, considerada anteriormente indispensável na educação, vê Virgílio escrito na tela, aceita isso como um logo, como o jacaré na camisa Lacoste.  A mera menção do nome, ou a citação de uma etiqueta, sugere que o passado clássico ainda vive, solido e intacto, sob a superfície.  Mas uma raspa de unha dó pé não faz um corpo“.

Sobre Cy Twombly, em Time magazine, 1994